A pretexto, quer da pedofilia, quer de quaisquer outros assuntos que possam chamar a atenção, negativamente, para a Igreja, tem-se verificado, sobretudo nestes últimos tempos, uma concertada onda de anticlericalismo que tomou conta de certos meios de comunicação social, já não falando do mundo da blogosfera e de algumas redes sociais.
E mesmo quando se trata de citações de terceiras pessoas feitas por membros da Igreja, como aconteceu agora com a leitura, perante Bento XVI, de um pequeno excerto da carta de um judeu referindo uma certa analogia entre a campanha contra o Papa e contra a Igreja e a perseguição nazi aos judeus, mesmo nestes casos e através de uma intencional distorção dos factos, se apontaram baterias contra a Igreja.
Ainda não há muito pouco tempo, o mesmo aconteceu quando Bento XVI na Universidade de Ratisbona citou uma frase do Imperador bizantino Manuel II sobre Maomé e logo a mesma histeria mediática acusava o Papa de atacar o Islão e de pôr em causa o diálogo entre cristãos e muçulmanos, quando na verdade o contexto em que tal frase foi citada nada teve a ver com a leitura que dela veio a fazer a comunicação social
Atirar a primeira pedra
Constituída por seres humanos e limitados como todos os mortais, não se pretende dizer que não existam erros na igreja Católica, ou mesmo noutras religiões, como existirão, certamente, noutras organizações, sejam elas de cariz religioso, político ou social.
O que nos surpreende é a concertação e o timing escolhido para a divulgação de certas e determinadas notícias visando todas elas o mesmo objectivo. Mas o mais caricato, no meio disto tudo, é que são pessoas que até se orgulham de professar o seu ateísmo as que mais se insurgem contra o Papa e contra tudo o que tem a marca do religioso, como aconteceu ainda recentemente com a polémica à volta de Saramago e do seu Caim.
Preservativos para o Papa
Um caso paradigmático dessa onda anarquista e anticlerical é a que já foi divulgada por alguns média sobre a preparação de uma acção de distribuição de preservativos nos dias e nos locais por onde o Papa passar, por ocasião da sua próxima visita a Portugal.
Encabeçada por três jovens de Direito da Universidade do Porto, esta iniciativa pretende ganhar adeptos em redes sociais não só de pessoas como de movimentos relacionados com a Sida, gays, lésbicas, transexuais e afins.
Consideramos esta triste e lamentável iniciativa de uma irresponsabilidade a toda a prova e de uma falta de respeito, não só pelo raro momento que o nosso País vai viver, como pela maioria do povo português que se considera católico e sabe que são instituições apoiadas ou ligadas à Igreja Católica as que mais têm contribuído, não só em Portugal, mas no mundo inteiro para apoiarem as vítimas da Sida.
Uma falsa luta
Por mais que os organizadores deste infeliz, irresponsável e despropositada acção tentem negar, a verdade é que não é a luta contra o flagelo da Sida que está em causa, mas sim mais uma acção anticlerical e antipatriótica, que ignora propositadamente o respeito e o prestigio que o Papa nos merece, bem como as convicções religiosas de milhares de portugueses.
Não se procure, pois, camuflar o que está demasiado à mostra e evidente a todos.
De jovens esperava-se muito mais atitudes construtivas, do que meras encenações folclóricos e oportunistas como esta da distribuição de preservativos a qual não trará qualquer contrapartida válida e positiva para a causa que falsamente dizem querer defender.
É que, pondo em causa valores não só patrióticos, como também religiosos, esta manifestação que fere, logo à partida, o respeito por convicções religiosas de muita gente, que não apenas os católicos, perde toda a sua credibilidade pela inoportunidade em que é lançada e pela falsidade de que está a ser revestida, embalada na onda anticlerical que todos os dias salta para a ribalta de certa comunicação social.
Qualquer português de bom senso, seja crente ou não crente, se sentirá indignado. Qualquer católico, ou seguidor de outra religião se sentira envergonhado!
José Cerca
Publicado no Jornal”Discurso Directo” nº101 de 9 de Abril 2010