Universidade de Verão em Arouca

por jcerca em 30 de Junho de 2010

Abertura da 3ª edição

Teve início no dia 30 de Junho de 2010, na Sala D.Domingos de Pinho Brandão (antigo refeitório do Mosteiro de Arouca) a sessão de abertura da 3ª edição da Universidade de Verão em Arouca, numa iniciativa da Universidade do Porto, em parceria com a Câmara Municipal de Arouca.

Presidente da Câmara dando as boas vindas

A abrir a sessão o Presidente da Câmara Municipal de Arouca agradeceu a disponibilidade  que a Universidade do Porto tem manifestada na organização destes Cursos e manifestou abertura do Município para continuar a apoiar esta iniciativa que tem contribuído não só para  uma maior divulgação de Arouca, como também para o estudo do seu vasto património.

Por sua vez o Reitor da Universidade do Porto acentuou o trabalho de cooperação da Universidade com a sociedade, de que estes Cursos de Verão têm sido uma prova e considerou que eles constituem uma mais valia para os estudantes, pois são orientados pela ideia de rigor e exigência que cada vez mais a sociedade exige das Universidades.

Summer Doctoral Consortium

Como inovação, relativamente às edições anteriores, a Universidade de Verão deste ano, recebeu os estudantes do 2º ano do Programa Doutoral de Informação e Comunicação em Plataformas Digitais, promovido conjuntamente pela Universidade do Porto e pela Universidade de Aveiro, sob a coordenação do Prof. Doutor Armando Malheiro da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e do Prof.Doutor Óscar Mealha da Universidade de Aveiro.

Reitor da Universidade do Porto na sessão de abertura

Ao longo de 3 dias, cerca de 20 estudantes que frequentam este Programa Doutoral irão fazer a apresentação dos seus trabalhos que será seguida de uma reflexão, discussão e avaliação crítica do ponto de situação do trabalho de investigação de cada um dos estudantes.
Foi com a abertura deste simpósio que se iniciou a 3ª edição da Universidade de Verão em Arouca que se prolongará até dia 22 de Julho e que, além do pólo de  Arouca, conta também como pólo do Porto e de  Baião, onde  os participantes vão ter a oportunidade de frequentar cursos semanais de curta duração, devidamente integrados em temáticas integradas no contexto regional em que vão ter lugar.

Abertura da 3ª edição da Universidade de Verão

José Cerca

Publicado no quinzenário "Jornal de Arouca" nº768 de 15 Julho 2010

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Arouca como espaço e cenário de cultura

por jcerca em 20 de Junho de 2010

Projecto Geoteca e Interteca

Organizado pelo Agrupamento de Escolas de Arouca, sob a coordenação das professoras Amélia Figueiredo e Marta Brandão, ligadas à Rede de Bibliotecas Escolares, teve lugar no passado dia 19 de Junho, na Sala do Capitulo do Mosteiro de Arouca, o I Encontro sobre o Projecto Geoteca e Interteca, que teve como pano de fundo a figura de Abel Botelho, nomeadamente através da sua obra “Mulheres da Beira” e do filme que Rino Lupo realizou em 1921 a partir do conto “Frecha da Mijarela”.

 A mesa do Encontro

Tratando-se de um projecto que envolveu várias entidades e que exprimiu, de uma forma muito concreta, a sua transversalidade e a ligação entre a escola e a comunidade local a mesa deste I Encontro era constituída pelo Presidente do Conselho Geral do Agrupamento, Dr.Victor Mendes, pelo Director do Agrupamento, Dr.António Dias Costa, pelo Presidente da Câmara Municipal de Arouca, Eng. Artur Neves, pela representante da DREN, Drº Carla Tavares e pela representante da Rede de Bibliotecas Escolares, Drª Elisabete Carvalho.

Ideias com mérito

Depois de cada um dos elementos da mesa ter usado da palavra para manifestar o seu apreço pelo projecto, acentuando a sua ligação com o Geopark Arouca, foi a vez das professoras bibliotecárias, Amélia Figueiredo e Marta Brandão, explicarem, não só a génese do projecto, como tiveram também ocasião de apresentar as principais actividades realizadas nas escola, no âmbito do mesmo.

Partindo da ideia do Geoparque Arouca que, na altura, preparava a sua candidatura à rede Europeia de Geoparks e, por outro lado, a existência de uma rua em Arouca com o nome de Abel Botelho desencadeou a elaboração do projecto Geoteca e Interteca que, tendo por base “Arouca como recurso”, pretendeu incentivar a comunidade local para a preservação e estudo do seu património local.

 Assinatura de Protocolo

Inserido no programa deste Encontro em que foram debatidas as potencialidades Culturais de Arouca, foi assinado um protocolo de colaboração científica e cultural, entre a Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda, o Centro de Estudos D. Domingos de Pinho Brandão e a Universidade do Porto.

No âmbito deste protocolo e em representação da Real Irmandade, o prof. Doutor Arnaldo de Pinho referiu a sua importância para o estudo do vasto património arouquense e adiantou que está já em estudo a elaboração de um outro com a Universidade de Aveiro, no sentido de estudar o valioso espólio musical existente no Museu de Arte Sacra.

Por sua vez, o dr. Manuel Joaquim  da Rocha, em representação do Centro de Estudos D.Domingos de Pinho Brandão, referiu o espólio deste bispo arouquense e que é composto por mais de 30 mil volumes, à espera da criação de um espaço adequado para serem colocados à disposição da comunidade.

Finalmente, a Vice-Reitora da Universidade do Porto referiu que este protocolo é um importante passo para ligar o conhecimento e a pesquisa cultural local às universidades, contribuindo assim para o aprofundamento  e divulgação da cultura arouquense e também   para a promoção externa de Arouca. Pela Universidade do Porto assinou o protocolo a Directora da Faculdade de Letras Drª Fátima Marinho.

 O Colóquio

 O ponto central deste Encontro, subordinado ao tema “Arouca como espaço e cenário de cultura” foi certamente o colóquio que teve como referência central a obra de Abel Botelho e que foi moderado pela Vice-Reitora da Universidade do Porto, Drª Maria de Lurdes Correia Fernandes.

Este colóquio constou de três palestras. A primeira, apresentada pela Directora da Faculdades de Letras da Universidade do Porto, Drª Fátima Marinho, falou de Abel Botelho na Literatura Portuguesa, centrando a sua comunicação na  análise da patologia social presente em cinco obras deste escritor.

Abel Botelho e a “frecha da Misarela” foi a comunicação apresentada pelo Dr. António Manuel Silva e na qual foram desvendados alguns dados interessantes sobre a vida deste escritor que, não sendo arouquense, revela um conhecimento pormenorizado da descrição que dela faz no seu conto “Frecha da Mijarela”, podendo mesmo ser considerado, depois de Pinho Leal, um dos primeiros monógrafos de Arouca.

Por sua vez, o Dr. Manuel Joaquim Moreira da Rocha, através de um raro conjunto de fotos antigas falou da Vila e do Concelho de Arouca no tempo de Abel Botelho, focando alguns aspectos interessantes sobre o espaço, os homens e as obras, entre o fim da Monarquia e o início da República, tendo concluído pela existência de um relacionamento colaborativo entre o poder político (Câmara) e o poder religioso (Mosteiro).

 Do Geoparque à Geoteca

Estando a ideia do Geoparque de Arouca na génese deste Projecto da rede de Bibliotecas Escolares era óbvio que, no Programa deste I Encontro, fosse referido todo o trabalho de parceria existente entre a Associação Geoparque Arouca e as escolas do Agrupamento de Arouca.

Essa comunicação esteve a cargo da Drªa Daniela Rocha  que considerou o Geoparque como um território agregador de todas as potencialidades, não só geológicas, como culturais, paisagísticas e gastronómicas, contribuindo, assim, para o desenvolvimento do geoturismo em Arouca.

Sendo o Geoparque também um território de Ciência e de Educação, o programa educativo da AGA, através das inúmeras actividades que tem desenvolvido com as escolas, tem contribuído para incentivar os alunos para o estudo e preservação dos valores patrimoniais de Arouca.

Foi referido, a este propósito, que  o tema das pedras parideiras e da trilobites de Arouca já mereceu, por duas vezes consecutivas, presença nos exames nacionais de Biologia e Geologia, o que demonstra o interesse que estas raros fenómenos geológicos arouquenses têm vindo a despertar no Ensino.

A Frecha da Mijarela

Atracção turística, assaz conhecida e localizada  na Serra da Freita, a Frecha da Misarela tem sido, desde há muito, motivo de inspiração, não só para escritores, como para pintores, músicos e poetas.

E foi sob o signo desta beleza natural que este I Encontro terminou.

Depois da leitura, pela Drª Olímpia Loureiro, de excertos do conto de Abel Botelho “A frecha da Mijarela”, publicado  em “Mulheres da Beira” e que deu origem ao filme do mesmo nome realizado por Rino Lupo em 1921, teve lugar a projecção deste filme mudo.

Para uma melhor compreensão da sua gramática narrativa e respectivo enquadramento histórico foi feita uma análise a alguns elementos descritivos do filme e que esteve a cargo de Hugo Barreira, finalista da História de Arte da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Depois da projecção teve lugar um momento musical com canções do “Cancioneiro de Arouca” interpretadas pelo grupo “Vozes da nossa Escola” dirigido pelo prof. Nuno Bessa. E, como não podia deixar de ser,  a emblemática “Frecha da Misarela” fez parte deste breve reportório musical  com que se encerrou este I Encontro sobre o Projecto Geoteca e Interteca que constitui uma importante jornada cultural, tendo “Arouca como espaço e cenário de cultura”.

“Vozes da nossa Escola” interpretando a Frecha da Misarela

 José Cerca

Publicado no quinzenário "Jornal de Arouca" nº767 de 30 Junho 2010

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Casamento e Matrimónio

por jcerca em 1 de Junho de 2010

Diferenciação impõe-se

Se a noção milenar  de “casamento” foi alterada com a recente promulgação da lei sobre o Casamento entre pessoas do mesmo sexo, mais vulgarmente chamado de “casamento homossexual” ou  “casamento gay”, a verdade é que esta alteração, que alguns efusivamente  apelidaram  de “histórica” e a consideraram até  “humanista” a ponto de afirmarem que tornaria a sociedade “melhor”, a verdade é que, no meio de toda esta polémica fracturante em qualquer sociedade, a noção de Matrimónio acabou por sair mais reforçada e até mesmo mais dignificada.

É óbvio que esta lei, na prática, acabou por ser aprovada nas costas do povo português. Para tão profunda alteração impunha-se, certamente, a consulta popular, através do mecanismo do referendo, legalmente contemplado na nossa Constituição.

Mas a verdade é que uma boa parte dos nossos políticos tudo fez para evitar a sua aplicação, mesmo perante as quase cem mil assinaturas entregues no Parlamento.

E se o referendo não foi aplicado nesta situação tão fracturante na sociedade portuguesa, não sei em que outras situações ele terá cabimento.

Sei que a posição do Presidente da Republica, dividido entre a posição do político, pressionado pela pressão do “politicamente correcto” e a do cidadão católico, vergado pela força do “moralmente correcto” não terá sido fácil. Mesmo assim, e embora não defendendo a sua decisão assaz difícil, penso que poderá residir nela a sua eventual derrota da sua recandidatura. Nesse sentido, concordo perfeitamente com as palavras do senhor Cardeal Patriarca de Lisboa lamentando “que o Presidente da República tenha promulgado a lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo.” E chega mesmo ao ponto de afirmar que “se tivesse vetado a lei, Cavaco ganhava as eleições presidenciais do próximo ano”. 

Matrimónio e Casamento

 A partir de agora há forçosamente que distinguir  Matrimónio de Casamento e não pretender englobar numa mesma palavra duas situações completamente diferentes.

Matrimónio será sempre entre Homem e Mulher e Casamento poderá ser também, a partir de agora, entre  pessoas do mesmo sexo, tratando-se de casamento homossexual.

E para se evitarem confusões sugiro até que em vez de se dizer que fulano tal casou com fulana tal, que se opte por dizer que fulano tal contraiu MATRIMÓNIO com fulana tal.

E assim já que aquilo que era uma união natural entre um homem e uma mulher passou a ser simplesmente uma união entre pessoas, então deixemos o direito ao Casamento para os que o pretendam realizar como e com quem queiram e valorizemos a noção de Matrimónio, que, ao contrário de Casamento, passará a ser muito mais específica. Enquanto Matrimónio implicará sempre a união de um homem com uma mulher, casamento passará a estar mais relacionado com casal, ou seja, união de duas pessoas que vivem habitualmente na mesma casa.

 De facto a definição de Matrimónio, tal como ainda consta no Dicionário da Língua portuguesa é a  “união legítima de um homem com uma mulher” e “Sacramento da Igreja que valida, perante Deus, a união conjugal.“

Mas se a diferença no campo semanto-linguístico se torna agora ainda mais reforçada e socialmente palpável, será, sobretudo, no campo biológico e da abertura à vida e à procriação que a diferença se torna mais evidente, tão evidente que torna este recente diploma sobre o “casamento homossexual” uma infeliz solução ao pretender englobar no mesmo enquadramento jurídico situações totalmente diferentes e biologicamente opostas.
Se, sob a bandeira das liberdades e da luta contra a discriminação se pretendeu salvaguardar direitos de minorias que optam  por viver, desse modo, a sua sexualidade e a sua convivência social, tudo bem, estão no seu direito de o fazerem. Agora, abarcar tais situações, social e biologicamente, tão díspares, sob uma mesma figura jurídica é que me parece ser uma provocação  histórica e uma aberração legislativa, como muitas outras que saem do nosso Parlamento. Que, tal como aconteceu noutros países, se tivesse criado uma figura jurídica distinta do casamento para legalmente  salvaguardar tais situações, teria sido o caminho mais sensato e com uma conotação menos agressiva contra  toda uma cultura milenar que sempre entendeu o casamento como uma união entre um homem e uma mulher.

Daí que, dentro deste novo contexto social e legislativo se torne importante reforçar o conceito específico do Matrimónio em detrimento do conceito generalista de Casamento.

Só faltaria agora também  que o loby gay, constituído por gays, lésbicas, transexuais e afins,  iniciasse também a luta contra a alteração do  conceito de Matrimónio, como já  iniciaram, aliás, a reivindicação pelo direito à adopção de crianças por casais homossexuais.

José Cerca

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A mais longa visita de um Papa a Portugal

Foi sem dúvida alguma uma data histórica para Portugal e para a Igreja Católica esta visita de Sua Santidade o Papa Bento XVI ao nosso País, a mais longa de todas elas.

Durante 4 dias, bem cheios de actividades e de contacto com os milhares de pessoas que acorreram para o ouvirem nos mais diversos locais, quer de Lisboa, de Fátima ou do Porto, o Papa teve ocasião de dirigir, não só aos católicos, mas a todos os homens, “independentemente da sua fé ou religião”, palavras de Esperança e de estímulo para que a mensagem de Cristo impregne, com os valores cristãos, todas as actividades sociais, económicas e culturais de uma sociedade cada vez mais descristianizada.

A recepção ao Papa

A recepção ao Chefe de Estado do Vaticano e, simultaneamente, Chefe da Igreja Católica, congregou à sua volta as principais personalidades da vida política, militar, cultural e religiosa do País, numa inequívoca prova de unidade na hospitalidade e no entusiasmo com que o povo português quis manifestar ao Papa Bento XVI, durante o tempo que passou no nosso País.

Foi no Aeroporto de Figo Maduro que as autoridades civis e religiosas deram oficialmente as Boas vindas ao Papa, enquanto que os sinos das igrejas do Patriarcado de Lisboa e, mais tarde, uma centena de barcos alinhados no Tejo, assinalavam a sua chegada a Portugal.

Foi igualmente no Aeroporto, mas agora no de Sá Carneiro, no Porto que o Papa se despediu dos Portugueses com palavras de gratidão e ao mesmo tempo de estímulo para todos os que acataram a sua mensagem de Esperança através de palavras oportunas que revelam não só o seu pensamento claro como a sua profunda visão do mundo actual.

Família:uma preocupação constante na mensagem de Bento XVI

Iniciada sob o signo da Esperança e pretendendo ser uma proposta de sabedoria e de missão, esta visita terminaria sob esse mesmo signo quando ao despedir-se da sua mais longa visita de um Papa a Portugal, Bento XVI assim se despediu: “Continuemos a caminhar na Esperança! Adeus!”

 O contacto com multidões

Dirigindo-se a todos “independentemente da sua fé ou religião”, o Papa conseguiu reunir multidões à sua volta, raramente vistas em Portugal. E foi sobretudo nos momentos celebrativos, quer no Terreiro do Paço, em Lisboa, quer na Avenida dos Aliados no Porto, mas sobretudo em Fátima, nos dias 12 e 13, que essa multidão de fiéis foi verdadeiramente expressiva, como todo o País pôde comprovar através da transmissão em directo das televisões.

Missa papal nos Aliados, Porto

Ainda é cedo para se fazer um balanço de mais esta visita de um Papa ao nosso País e de digerir toda a rica e profunda mensagem que ele dirigiu não só a Portugal mas ao mundo.

Mas uma coisa é certa: Bento XVI com a sua dimensão verdadeiramente humana e com a sua profunda visão intelectual dos problemas que afectam o mundo de hoje nas suas mais variadas vertentes da economia à  cultura, da política à religião, da ciência ao ecumenismo, conseguiu mobilizar a sociedade portuguesa e internacional como poucas personalidades o conseguirão fazer.

Só esta capacidade já seria um suficiente motivo de orgulho pela honrosa visita que nos fez durante estes históricos  dias papais.

Avenida dos Aliados:a recepção do Porto a BentoXVI.

José Cerca

Publicado no Quinzenário "Jornal de Arouca" nº764 de 14 Maio 2010

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A visita do Papa e a intolerância laicista

por jcerca em 13 de Maio de 2010

Tenho navegado um pouco pelo ciberespaço e por algumas redes sociais e fico impressionado com os comentários com que alguns supostos paladinos da “liberdade, do respeito e da tolerância” se insurgem de uma maneira tão baixa, tão primária, tão fundamentalista e tão irracional contra a visita do Papa Bento XVI ao nosso País.

Contestam, de uma maneira tão hipócrita como incoerente, a tolerância de ponto que o Governo deu, mas nunca os vi insurgirem-se contra a tolerância de ponto, por exemplo, no Carnaval, ou noutras ocasiões.

Insurgem-se contra as transmissões em directo dessa visita, mas será que alguma vez se revelaram contra a transmissão em directo de jogos de futebol, ou outros acontecimentos quaisquer?

Promovem petições ao Presidente da República contra esta visita oficial, mas ignoram ou insurgem-se contra a petição de milhares de cidadãos contra o casamento homossexual.

Condenam, revelando uma crassa ignorância histórica e exprimindo uma lamentável falta de civismo, a ocupação de espaços públicos, como o emblemático “Terreiro do Paço” para milhares de portugueses exprimirem a sua fé e a sua hospitalidade ao Chefe da Igreja Católica, mas calam-se relativamente a ocupação de espaços públicos, quer para manifestações desportivas, quer para concertos musicais. Será que teriam a mesma posição intolerante caso esse espaço, ou outro, fosse ocupado, por exemplo, para paradas gay de transexuais, lésbicas e afins?

Criticam as supostas despesas com a visita do Papa, não por ser um Chefe de Estado, mas apenas porque é simultaneamente Chefe de uma das instituições mais antigas do mundo, a Igreja Católica, mas esquecem-se das exorbitantes verbas gastas com estádios desportivos ou outras obras megalómenas.

E poderíamos continuar a enumerar as suas críticas, mas por aqui já se vê facilmente que a motivação das suas absurdas, hipócritas e incoerentes indignações se fundamentam, além de uma lamentável ignorância histórica, apenas num laicismo primário e num jacobismo fundamentalista, nada condizente com a vivência democrática que já teriam obrigação de terem adquirido, ao longo de 36 anos de regime democrático.

Em vez de proferirem tantos comentários onde apenas extravasam a sua raiva laicista, a sua intolerância fundamentalista e a sua irracional ignorância contra tudo o que tem a marca da religião, talvez lhes fizesse bem ao espírito terem assistido pela televisão ao impressionante testemunho de fé, de alegria e de Esperança que multidões de portugueses manifestaram ao longo da visita de Bento XVI ao nosso País.

Talvez tais transmissões os ajudassem um pouco a curarem-se  da sua intolerância religiosa, nada condizente com o respeito e a liberdade que falsamente apregoam.

José Cerca

 

 

 

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