O horror do vazio

por jcerca em 21 de Fevereiro de 2009

Não tenho a pretensão de  propor leituras ou releituras a ninguém, mas pela primeira vez, neste meu blog, atrevo-me a sugerir que leiam esta interessante e oportuníssima reflexão de Mário Crespo, publicada no JN,um dia depois de mais um “Prós e Contra”, desta vez sobre o “casamento” homossexual. Vale a pena LER.

José Cerca

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Depois de em Outubro ter morto o casamento gay no parlamento, José Sócrates, secretário-geral do Partido Socialista, assume-se como porta-estandarte de uma parada de costumes onde quer arregimentar todo o partido.

Almeida Santos, o presidente do PS, coloca-se ao seu lado e propõe que se discuta ao mesmo tempo a eutanásia. Duas propostas que em comum têm a ausência de vida. A união desejada por Sócrates, por muitas voltas que se lhe dê, é biologicamente estéril. A eutanásia preconizada por Almeida Santos é uma proposta de morte. No meio das ideias dos mais altos responsáveis do Partido Socialista fica o vazio absoluto, fica “a morte do sentido de tudo” dos Niilistas de Nitezsche. A discussão entre uma unidade matrimonial que não contempla a continuidade da vida e uma prática de morte, é um enunciar de vários nadas descritos entre um casamento amputado da sua consequência natural e o fim opcional da vida legalmente encomendado. Sócrates e Santos não querem discutir meios de cuidar da vida (que era o que se impunha nesta crise). Propõem a ausência de vida num lado e processos de acabar com ela noutro. Assustador, este Mundo politicamente correcto, mas vazio de existência, que o presidente e o secretário-geral do Partido Socialista querem pôr à consideração de Portugal. Um sombrio universo em que se destrói a identidade específica do único mecanismo na sociedade organizada que protege a procriação, e se institui a legalidade da destruição da vida. O resultado das duas dinâmicas, um “casamento” nunca reprodutivo e o facilitismo da morte-na-hora, é o fim absoluto que começa por negar a possibilidade de existência e acaba recusando a continuação da existência. Que soturno pesadelo este com que Almeida Santos e José Sócrates sonham onde não se nasce e se legisla para morrer. Já escrevi nesta coluna que a ampliação do casamento às uniões homossexuais é um conceito que se vai anulando à medida que se discute porque cai nas suas incongruências e paradoxos. O casamento é o mais milenar dos institutos, concebido e defendido em todas as sociedades para ter os dois géneros da espécie em presença (até Francisco Louçã na sua bucólica metáfora congressional falou do “casal” de coelhinhos como a entidade capaz de se reproduzir). E saiu-lhe isso (contrariando a retórica partidária) porque é um facto insofismável que o casamento é o mecanismo continuador das sociedades e só pode ser encarado como tal com a presença dos dois géneros da espécie. Sem isso não faz sentido. Tudo o mais pode ser devidamente contratualizado para dar todos os garantismos necessários e justos a outros tipos de uniões que não podem ser um “casamento” porque não são o “acasalamento” tão apropriadamente descrito por Louçã. E claro que há ainda o gritante oportunismo político destas opções pelo “liberalismo moral” como lhe chamou Medina Carreira no seu Dever da Verdade. São, como ele disse, a escapatória tradicional quando se constata o “fracasso político-económico” do regime. O regime que Sócrates e Almeida Santos protagonizam chegou a essa fase. Discutem a morte e a ausência da vida por serem incapazes de cuidar dos vivos.

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Agrupamento de Escolas de Arouca

por jcerca em 15 de Fevereiro de 2009

Conselho Geral toma posse

Após a eleição do seu Presidente, tomou posse no passado dia 6 de Fevereiro, o Conselho Geral Transitório do Agrupamento de Escolas de Arouca.

Constituído por 21 elementos, entre docentes (7), pessoal não docente (2), Pais e Encarregados de Educação (6), representantes da Autarquia (3) e representantes da comunidade local (3) este novo órgão é presidido por uma professora do 1º ciclo, Maria de Lurdes Duarte, de Alvarenga.

Criado pelo Decreto-Lei nº75/2008 que regulamenta o novo regime jurídico da autonomia, administração e gestão das escolas, a função principal deste novo órgão é proceder à eleição do Director do Agrupamento, até 31 de Maio, devendo, antes disso, elaborar e aprovar o regulamento interno do Agrupamento.

Este Conselho Geral tem um carácter transitório e funcionará apenas no período de adaptação ao novo regime de autonomia e gestão das escolas, devendo também preparar as eleições para o Conselho Geral, após a aprovação do Regulamento interno.

Preconizando o reforço da participação das famílias e comunidades na direcção estratégica dos estabelecimentos de ensino e promovendo a abertura das escolas ao exterior, bem como a sua integração nas comunidades locais, o Conselho Geral passará a ser  o órgão máximo na direcção das escolas, competindo-lhe a definição das linhas orientadoras da actividade escolar e cabendo-lhe eleger ou destituir o Director do respectivo Agrupamento ou Escola.

 

José Cerca

Artigo publicado no Semanário “Discurso Directo”, nº41 de 13 de Fevereiro de 2009

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Plano nacional de promoção da bicicleta

por jcerca em 7 de Fevereiro de 2009

Foi publicada na semana passada uma resolução da Assembleia da República propondo ao Governo a elaboração de um Plano nacional de promoção da bicicleta e outros modos de transporte suaves. (Diário da República, 1.ª série — N.º 25 — 5 de Fevereiro de 2009)

Dirigido a entidades públicas e privadas, associações, bem como ao cidadão individual, este plano teria como objectivo fundamental a promoção dos modos de mobilidade suave, entendidos como os meios de deslocação e transporte de velocidade reduzida, ocupando pouco espaço e com pouco impacte na via pública e sem emissões de gases para a atmosfera como a simples pedonabilidade ou a deslocação com recurso a bicicletas, patins, skates, trotinetas ou quaisquer outros similares, encarados como uma mais-valia económica, social e ambiental e alternativa real ao automóvel.

Segundo este plano pretender-se-ia aumentar a percentagem de ciclistas em circulação em Portugal até 2012.

Escola de transito

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Um plano destes passará, obviamente, pelo desenvolvimento de campanhas e estratégias de sensibilização e acções de educação para a utilização destes meios de transporte em segurança. E aqui as autarquias terão um importante papel a desenvolver nesse sentido.

Em Arouca, existe, desde há algum tempo, integrado no novo parque da Vila, e aparentemente pronto, um espaço construído pela Câmara Municipal, para a aprendizagem de regras de trânsito e para a aprendizagem de utilização da bicicleta e outros modos de mobilidade suave, em segurança.

Antecipando-se a este plano nacional proposto pelo nosso Parlamento ao Governo, espera-se que esta “Escola de transito” venha contribuir para a educação rodoviária das novas gerações e para a promoção de novos modos de mobilidade, com destaque para a utilização da bicicleta.

Do Magalhães às bicicletas

Tal como o Governo anda a distribuir o famoso “Magalhães” pelos alunos das nossas escolas do 1º e 2º ciclo, no sentido de promover a utilização das novas tecnologias e contribuir para melhorar a qualidade do ensino, espera-se agora que ele inicie também uma campanha de distribuição de bicicletas para combater a obesidade, incentivar a utilização da energia muscular e promover a defesa do meio ambiente.

Tenho a certeza de que, com esta medida, ganharia mais votos do que a eleitoralista promessa de legalizar o “casamento gay” entre pessoas do mesmo sexo.

José Cerca

Artigo publicado no Semanário “Discurso Directo”, nº41 de 13 de Fevereiro de 2009


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Vigararia de Arouca-Vale de Cambra

por jcerca em 1 de Fevereiro de 2009

Centenas de jovens crismados

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Com a presença do senhor Bispo do Porto, D.Manuel Clemente, teve lugar, no passado Domingo, 1 de Fevereiro, uma Celebração Eucarística, de âmbito vicarial, durante a qual foi administrado o Crisma a cerca de 350 jovens de algumas das comunidades paroquiais da Vigararia de Arouca-Vale de Cambra.

Além das Paróquias de Arouca, Santa Eulália, Rossas, Moldes, Tropeço, Urro, Várzea, Fermedo e Mato, esteve também presente um grupo de crismandos da Paróquia do Vale, pertencente à Vigararia de Santa Maria da Feira, mas cujo pároco integra também a vigararia de Arouca-Vale de Cambra.

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Devido à grande presença de fiéis, muitos dos quais familiares dos jovens crismandos, a cerimónia religiosa teve lugar no pavilhão desportivo da Escola Secundária de Arouca.

Face ao elevado número de crismandos, D.Manuel Clemente foi auxiliado na administração do Crisma pelo Vigário da Diocese, Pe.Américo Aguiar e pelo arouquense Cónego Arnaldo Pinho.

Na homilia, especialmente dirigida aos crismandos, o Bispo do Porto transportou para o momento celebrativo as leituras da liturgia daquele Domingo. “O que lemos na Palavra de Deus, verifica-se hoje e aqui nesta celebração. Vai realizar-se em vós aquilo que acabámos de escutar”.

Aliando o Baptismo ao Crisma de cada crismando, D.Manuel Clemente referiu-lhes que de Filhos de Deus eles passariam a ser testemunhas do Evangelho através de um compromisso cristão no seu próprio meio.

crisma-em-arouca11E num tom de entusiasmo e de convicção perante as centenas de jovens presentes, garantiu-lhes o Bispo do Porto que “as coisas boas acontecem mesmo quando nos deixamos guiar pela força do Espírito Santo que hoje ides receber através do sinal da cruz sobre a vossa fronte para que as coisas boas continuem a acontecer no nosso mundo”.

Esta celebração eucarística, marcadamente juvenil, foi animada pelos coros das diversas freguesias da Vigararia, sob a direcção de Mário Teixeira e acompanhado ao órgão por Ivo Brandão.

crisma-em-arouca_coroImporta agora que cada comunidade paroquial saiba aproveitar e rentabilizar o potencial humano destes jovens crismados, criando-lhes condições e estruturas para uma integração mais activa e comprometida nos diversos movimentos das comunidades a que pertencem.

José Cerca

Artigo publicado no Semanário “Voz Portucalense”, nº5  de 04  de Fevereiro de 2009
Artigo publicado no Semanário “Discurso Directo”, nº40 de 06 de Fevereiro de 2009

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Da Educação aos casamentos gay

por jcerca em 29 de Janeiro de 2009

Uma perigosa táctica politica do PS

Quer etimologicamente, quer juridicamente, ou mesmo até religiosamente, casamento é, e será sempre, a união entre duas pessoas de sexo diferente, tal como ainda recentemente alertou o Cardeal Patriarca de Lisboa, insurgindo-se contra a utilização desta palavra, para referir a união entre pessoas do mesmo sexo.

Mesmo assim, e apesar do País estar cada vez mais cheio de problemas sociais e económicos, o Partido Socialista já assumiu o compromisso de legalizar o “casamento homossexual”, na próxima legislatura, como se tal intenção legislativa fosse uma alta prioridade para a sociedade portuguesa.

Ainda recentemente este assunto gay subiu ao Parlamento, através do Bloco de Esquerda, sendo chumbado pela maioria.

Toda a gente sabe, e não seria preciso ser Mário Soares a dizê-lo publicamente, que este não é, de modo algum, nem de perto, nem de longe, um grande problema da nossa sociedade, comparado com os gravíssimos problemas de âmbito social e económico que a afectam. Mas este assunto gay, pela maneira como está a ser abordado e pelo destaque de que está a ser objecto, pelo menos em certa comunicação social, até parece que ultrapassa os problemas do ensino, da saúde, da justiça, do desemprego e de tantos outros, para ser objecto de tratamento prioritário. E porquê?

É por demais evidente que o compromisso assumido pelo PS, no que se refere à legalização do “casamento homossexual” na próxima legislatura, não tem outro objectivo senão o de piscar o olho aos eleitores da esquerda.

Mas, consciente de que se trata de um tema demasiado fracturante na nossa sociedade, tal como o foi e continua a ser o do aborto, o PS, tentando piscar também o olho à direita, vem logo a seguir esclarecer, através do Ministro dos Assuntos parlamentares, que o compromisso assumido por José Sócrates, a favor do direito ao “casamento civil” entre pessoas do mesmo sexo, não prevê a adopção de crianças.

Enfim, uma jogada política que não passa despercebida aos olhos de ninguém.

Uma estratégia arriscada


Se, devido aos graves problemas que se têm verificado no sector da Educação e à enorme instabilidade e desânimo vivido em muitas escolas do País, nomeadamente entre os docentes, devido, entre outros motivos, ao modelo de avaliação do seu desempenho, muitos professores começaram já a fazer campanha contra o voto no PS, estamos convencidos, mesmo assim, que será o prometida legalização do “casamento homossexual” que mais votos irá desviar ao Partido Socialista, roubando-lhe mesmo a actual maioria.

Mesmo contando com o apoio de determinada comunicação social, sempre pronta a promover os temas fracturantes da nossa sociedade, em defesa dos “direitos humanos” e da “discriminação”, estamos convencidos de que, muitos eleitores, apercebendo-se já desta táctica do PS em piscar o olho à esquerda e à direita, nem precisarão de campanha eleitoral para decidirem o sentido do seu voto. Este descarado jogo político de caça ao voto será, para muitos portugueses, que não apenas os professores, um sinal inequivocamente vermelho no PS.

José Cerca

Artigo publicado no Semanário “Discurso Directo”, nº39 de 30 de janeiro de 2009

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