Barack Obama e a Religião

por jcerca em 24 de Janeiro de 2009

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A tomada de posse do Presidente de qualquer País mobiliza habitualmente toda a comunidade desse mesmo País. Algo de muito diferente aconteceu, porém, com a tomada de posse do 44º Presidente dos Estados Unidos da América, a ponto de lhe terem já atribuído a designação de “Presidente mundial”. Efectivamente, a tomada de posse de Barack Obama, no passado dia 20 de Janeiro, foi um acontecimento político que mobilizou a atenção de todo o Mundo, criando elevadas expectativas sobre os ombros do primeiro presidente negro dos Estados Unidos e confirmando a América num elevado patamar de liderança mundial.

Juramento sobre a Bíblia

A tomada de posse do novo Presidente americano, entre variadíssimos momentos políticos, culturais e protocolares, teve também um momento religioso marcado não só pelo juramento sobre a Bíblia, por sinal a mesma usada pelo Presidente Abraham Lincoln, em 1861, como também pelo discurso e bênção de dois pastores evangélicos.

Esta componente religiosa na cerimónia de tomada de posse de Barack Obam parece ter incomodado alguns portugueses, habituados que estão a manifestarem, sistematicamente, em nome da “liberdade”, a sua aversão a tudo o que meta o nome de Deus, ou simbologia religiosa.

Houve até mesmo quem tenha declarado em Blogs seus, ter-se sentido “enjoado” com o gesto do novo Presidente jurar sobre a Bíblia e de invocar o nome de Deus para a América.

Seria de estranhar, de facto, que o laicismo, o anticlericalismo, o ateísmo e outros termos terminados em ismo, como por exemplo, fundamentalismo, frequentemente comuns a certos pseudo-intelectuais, não lhes viesse incomodar ou perturbar a serenidade, perante o expressivo e tradicional gesto do novo Presidente da América jurar sobre a Bíblia.

Afinal o que tal “enjoo” revela é, simplesmente, a intolerância e a falta de respeito de certas pessoas, por crenças, tradições e convicções de outros povos, neste caso do povo Americano, simbolizado no seu carismático Presidente.

Eu imagino até o alarido estérico que ecoaria em Portugal, sobretudo em determinado tipo de comunicação social, caso um político qualquer, de elevada posição institucional, ousasse referir o nome de Deus num seu discurso de tomada de posse.

Pelos vistos não terá também agradado a tais iconoclastas a mensagem que o Papa enviou ao novo Presidente desejando-lhe “que os americanos possam continuar a sua herança política, religiosa, os princípios éticos e os valores espirituais necessários à cooperação para a construção de uma sociedade verdadeiramente justa e livre, marcada pelo respeito, pela dignidade, igualdade de direitos entre todos os seus membros, em especial dos pobres, dos marginalizados e dos que não têm voz”.

José Cerca

Artigo publicado no Semanário “Discurso Directo”, nº39 de 30 de janeiro de 2009

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Encontro de Janeiras

por jcerca em 23 de Janeiro de 2009

Organizado pelo Orfeão de Arouca, desde há 23 anos, teve lugar no passado sábado, dia 17 de Janeiro, no salão dos Bombeiros Voluntários de Arouca, mais um Encontro de Janeiras que, pela primeira vez, teve como participantes os Pequenos Cantores da Paróquia de Arouca.

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Além deste grupo infantil e do grupo anfitrião, participaram neste encontro o Grupo de Cantares Aleu de Vila Real, o Grupo de Cantares de S. João de Areias de Santa Comba Dão e o Rancho Folclórico “As Lavradeiras de Canelas”, do Concelho de Arouca.

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Guiados pelos 3 Reis Magos, montados em cavalos, todos os grupos participantes desfilaram pela artéria principal da Vila, desde a rotunda até ao pavilhão dos Bombeiros Voluntários de Arouca, em cujo palco apresentaram os seus cantares de Janeiras a um vasto público que encheu completamente o salão.

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Embora não se tratando de um concurso e pelas opiniões que o Discurso Directo colheu junto de alguns espectadores, estamos certos que a preferência dada iria para o Grupo de Vila Real, todo ele composto por funcionários da Câmara daquela cidade e que nos ofereceu belas canções de Janeiras, próprias daquela região do Norte do País.

De referir ainda o tom juvenil que o numeroso coro dos Pequenos Cantores veio trazer a este Encontro de Janeiras, habitualmente constituído por cantadores adultos.

Após a interpretação de cada um dos grupos e depois de usar da palavra o senhor Presidente da Câmara, foram entregues a cada um dos grupos e às entidades apoiantes algumas lembranças de Arouca.

Apresentando canções de diversas partes do país, todos elas muito alegres, tal como alegre é toda a quadra natalícia, este 23º encontro de Cantares de Janeiras constituiu um agradável e caloroso momento, numa noite fria e luarenta de Janeiro, contribuindo assim para que a tradição das Janeiras, em vias de extinção em muitas terras, continue a resistir na memória dos tempos, legando este património às gerações vindouras.

José Cerca

Artigo publicado no Semanário “Discurso Directo”, nº38 de 23 de Janeiro de 2009

 

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PRÉMIO DE MÉRITO ESCOLAR

por jcerca em 17 de Janeiro de 2009

Distinguir e estimular

Com o Salão Nobre da Câmara Municipal de Arouca completamente cheio, teve lugar no dia 17 de Janeiro, mais uma edição da entrega de prémios de Mérito Escolar, instituídos pelo Município, no sentido de distinguir os alunos que mais se destacaram nas escolas do 2º e 3º ciclo do Agrupamento de Arouca, Escariz, bem como na Escola Secundária, no último ano lectivo.
Sendo este prémio destinado apenas a alunos do 9º e do 12º ano, acontece que, na maior parte dos casos, no momento da atribuição, os alunos distinguidos já
não frequentam as escolas que representam, o que, de certo modo, diminui um pouco o impacto nas comunidades escolares que frequentavam no ano a que os prémios se reportam.

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Após constituída a mesa formada pelo Presidente da Assembleia Municipal, Zeferino Brandão, pelo Presidente da Câmara Municipal de Arouca, Artur Neves e pelos Presidentes dos Conselhos Executivos das 3 escolas frequentadas pelos alunos distinguidos, Adília Cruz (Secundaria de Arouca), Paula Marques (E.B.2,de de Escariz) e António Dias Costa (E.B.2,3 de Arouca), o Presidente da Câmara começou por saudar todos os presentes e manifestar-lhes a sua satisfação pelo interesse demonstrado naquele acto simbólico que visa premiar o mérito de alguns alunos indicados pelas respectivas escolas e, ao mesmo tempo, incentivar ao esforço e ao empenho todos os restantes alunos.

Apesar de se estar a viver um momento algo conturbado nas escolas do País, Artur Neves considerou que a Educação é, sem dúvida alguma, o sector mais importante da nossa sociedade.

Por sua vez, Zeferino Brandão, naquela que será a sua última participação como Presidente da Assembleia Municipal, em actos como este, referiu a necessidade de se contrariar o facilitismo que se pretende instalar no ensino, no sentido das escolas prepararem as novas gerações para vencerem os desafios que a sociedade lhes coloca.

E se a distinção destes alunos – referiu o Presidente da Assembleia Municipal –constitui também um incentivo aos seus colegas, ela deve-se não apenas ao seu esforço, mas também “à competência, empenho e motivação dos seus professores” que são elementos indispensáveis para a construção de uma Escola de excelência, cada vez mais necessária para que Portugal ultrapasse os grandes desafios que tem pela frente.

Referiu ainda o importante papel dos pais no apoio de retaguarda, o qual terá certamente contribuído também para o êxito destes alunos.

Momentos musicais e de poesia

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A entrega dos prémios aos alunos de cada uma das 3 escolas foi precedida de breves momentos musicais e de poesia, a cargo de cada estabelecimento de ensino, seguindo- se algumas breves palavras pelos respectivos Presidentes dos Conselhos Executivos.

Felicitando a Câmara por este incentivo de premiar o esforço dos alunos, a Presidente da Escola Secundaria de Arouca, Adília Cruz, além de referir o aproveitamento e o com comportamento dos 4 alunos distinguidos, individualizou o mérito de cada um deles , referindo os diversos prémios de que estes alunos foram protagonistas, no passado ano lectivo, representando a sua escola em concursos diversos, alguns mesmo a nível internacional.

O investimento na educação

Após a entrega dos prémios, o Presidente da Câmara apresentou alguns dados referentes ao investimento que o Município tem vindo a fazer no sector da Educação, destacando a verba de 1 milhão de Euros gasta nos transportes escolares, o que, comparativamente a outros municípios que não gastam um tostão sequer nessa área, afecta grandemente o orçamento municipal.

Referiu ainda que neste momento não existe nenhuma escola do Concelho que não forneça refeições aos seus alunos, investimento esse que atinge cerca de 550 mil Euros por ano.

Embora monetariamente simbólicos, os prémios entregues pelo Município aos alunos distinguidos, valem sobretudo pelo desafio e pelo estímulo que pretendem lançar aos alunos das nossas escolas.

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Escola Secundária de Arouca: Ana Isabel de Pinho Teixeira, Tiago Fernandes Fontes Mendes, Ana Beatriz Moreira e Liliana Sofia Martins Rocha.

Escola E..2.3 de Arouca:Filipa Daniela Lopes da Silva e Helder Teixeira Soares.

Escola E..2.3 de Escariz: Dana Patrícia Oliveira Miller e Lídia Cristina Alves da Rocha.

José Cerca

Artigo publicado no Semanário “Discurso Directo”, nº38 de 23 de Janeiro de 2009

 

 

 

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FALTAS NO FUNCIONALISMO PÚBLICO

por jcerca em 8 de Janeiro de 2009

Volta e meia o assunto das faltas ao trabalho no funcionalismo público ganha exposição pública, saltando para a ribalta dos meios de comunicação social.

Ainda recentemente este tema foi objecto de notícia nacional e de grande celeuma política, quando cerca de 30 deputados do PSD faltaram à votação no Parlamento, inviabilizando, assim, a aprovação de um projecto do CDS-PP que visava a suspensão do modelo de avaliação do desempenho dos professores.

Objecto de inúmeras críticas, muitas delas vindas mesmo do interior do próprio partido mais faltoso, causou surpresa e uma merecida indignação, na opinião pública, a tentativa de justificação das faltas dadas pelos nossos deputados, que o ex-Presidente da Assembleia da República, Dr.Almeida Santos quis arranjar afirmando que «Não se paga aos deputados o suficiente para que sejam todos apenas profissionais. Quanto às justificações para as faltas, é verdade que a sexta-feira é, em si própria uma justificação, porque é véspera de fim-de-semana. Eu compreendo isso. Talvez esteja errado que as votações sejam à sexta-feira. Não julguemos também que ser deputado é uma escravatura, porque não é, nem pode ser. É preciso é arranjar horas para a votação que não sejam as horas em que normalmente seja mais difícil e mais penoso estar na Assembleia da República».

Simplesmente revoltantes e ofensivos para quem, de facto, trabalha, são estes argumentos invocados pelo ex-Presidente da nossa Assembleia da República. E depois, com escândalos destes, não queiram os nossos políticos que os cidadãos se alheiem da política, pelo menos na altura das eleições!….

Mas o assunto das faltas voltou de novo à baila, esta semana, quando foi divulgado o total de faltas dados pelos nossos sacrificados deputados na Assembleia da República, nesta legislatura.

De acordo com os dados disponíveis no site do Parlamento, os deputados já faltaram 5445 vezes nesta legislatura, que se iniciou em Maio de 2005, sendo o PSD o grupo parlamentar que mais ausências registou, totalizando quase 50% dessas faltas, o que equivale a 2655 faltas.

Do total de faltas dados pelos deputados do nosso Parlamento a sua maioria, foram justificadas com “trabalho político”, figura tão abrangente que engloba todas as justificações possíveis e imaginárias, como, por exemplo, assistir a um jogo de futebol. Registe-se que apenas 73 faltas dadas pelos deputados foram injustificadas, sendo 35 para o PSD e 30 para o PS.

Mas o assunto das faltas não é exclusivo dos deputados. Também esta semana, as faltas dos médicos foram tema de notícia, quando o presidente do Hospital de São João, no Porto, como medida de diminuir a taxa de absentismo dos médicos da Função Pública e aumentar os índices de produtividade, decidiu passar a publicar as listas das ausências ao serviço dadas pelos médicos daquele Hospital.

Tal como seria de esperar perante uma medida destas, era certo e sabido que Sindicatos e Ordem dos Médicos se iriam opor , o que prova, mais uma vez, que não é o interesse dos doentes e da saúde pública que defendem, mas sim o corporativismo de uma classe que, tal como todas as outras, integra dedicados profissionais, como também gananciosos e negligentes médicos mais preocupados com as suas clínicas privadas.

Pena é que tal medida, protagonizada pelo Presidente do Hospital de S.João, no Porto, não seja aplicada em todos os estabelecimentos de Saúde pública.

Talvez alguma coisa mudasse para bem dos seus sacrificados utentes.

José Cerca

Artigo publicado no Semanário “Discurso Directo”, nº37 de 16 de janeiro de 2009

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ACORDO ORTOGRÁFICO

por jcerca em 2 de Janeiro de 2009

Um Acordo sem acordo pacífico

Apesar de já ter pouco mais de duas dezenas de anos, apesar de não ter sido nada pacífico, tendo criado à sua volta, tanto convictos defensores, como acérrimos opositores, a verdade é que, desde o dia 1 de Janeiro de 2009, o tão polémico acordo ortográfico começou a vigorar no Brasil, 23 anos depois de se ter iniciado a sua discussão entre os diversos países Lusófonos, que abrangem cerca de 240 milhões de cidadãos.

Desde esse dia, os brasileiros começaram a aplicar na ortografia da Língua Portuguesa algumas regras, quer quanto à acentuação, em que vários acentos desapareceram em palavras que até aí os usavam (voo, enjoo, creem, releem…), quer quanto ao desaparecimento do hífen em muitas palavras (antirreligioso, estraescolar, motosserra,…), quer ainda quanto ao desaparecimento de diversas consoantes mudas (batizar, acão, redação, Egito….). Por sua vez, o trema, que em Portugal já não se usava, desde o acordo de 1945, deixou agora também de ser utilizado no Brasil. Além disso, o nome dos meses e das estações do ano deixam de ser escritos com letra maiúscula.

Em Portugal este acordo, que vai ter 6 anos de adaptação, contra os 4 anos no Brasil, irá alterar a escrita de cerca de 2200 palavras, num universo de 110 mil, pelo que não será muito difícil pô-lo em prática, tanto mais que é um acordo que não vai alterar a sintaxe da Língua, mas apenas pretenderá unificar a escrita da Língua Portuguesa, reduzindo ao mínimo, as diferenças na grafia de um conjunto de vocábulos, usados no vasto mundo lusófono.

Se hoje, apesar das diferenças ortográficas existentes, conseguimos ler e perceber na globalidade, um texto escrito em 1500, quando os Portugueses chegaram ao Brasil, não haverá razão para tanta crítica ou oposição a este mais recente acordo. E essa comparação, passados 500 anos, só nos confirma e atesta que, na verdade, uma língua é algo vivo e sujeito a evolução não só vocabular, como semântica e até sintáctica.

Sendo um instrumento de comunicação, abrangendo para mais uma vastíssima extensão geográfica, como é o Mundo Lusófono, a Língua Portuguesa terá forçosamente de evoluir e aceitar na sua estrutura funcional as mutações de um mundo em permanente mudança.

José Cerca

Artigo publicado no Semanário “Discurso Directo”, nº36 de 9 de janeiro de 2009

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