POR TERRAS DO DEMO

por jcerca em 6 de Abril de 2022

No dia 30 de março de 2022 a Academia Sénior de Arouca realizou uma visita de estudo pelas “Terras do Demo”, região essa que ficou assim conhecida através de alguns romances de Aquilino Ribeiro, nomeadamente o seu “Terras do Demo”.

A visita começou em Sernancelhe, a terra da castanha, mas também o concelho onde em 1885, no lugar de Carregal, nasceu Aquilino Ribeiro, este escritor que tão bem soube retratar a dureza e a rusticidade destas “Terras do Demo”.

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E foi no “Espaço da castanha e do castanheiro” recentemente inaugurado (2021) que as alunos da Asarc foram recebidos por elementos da Câmara Municipal de Sernancelhe, um dos quais, a Dr.Josette haveria de acompanhar os visitantes na digressão através destas “Terras do Demo”. Depois da projeção de um vídeo promocional à terra da castanha e de algumas compras de produtos regionais, teve lugar a prova de um biscoito de castanha na cozinha desse espaço. Uma outra prova de produtos gastronómicos da região teve lugar seguidamente na Loja interativa de turismo de Sernancelhe.

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Após estas degustações seguiu-se uma visita ao centro histórico daquela vila, visita essa  que foi enriquecida com as explicações, não só da acompanhante da Câmara Municipal, como também do professor de História da Asarc, Dr. Afonso Veiga.

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Do vasto conjunto de monumentos aí presentes destaque-se a igreja matriz em estilo românico de finais do sec. XII, o pelourinho do sec.XVI e ainda o solar dos Carvalhos do sec. XVIII que teve ligações familiares ao Marquês de Pombal.

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Depois do almoço, visita à Fonte Arcada, uma freguesia do concelho de Sernancelhe e que já foi sede do concelho em 1193.

Do conjunto de monumentos visitados destaque-se a igreja matriz do sec.XIII, bem como a fonte medieval que terá dado o nome a esta freguesia das “Terras do Demo”.

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Informação curiosa para os seniores arouquenses é que foi nesta freguesia que nasceram algumas freiras que habitaram o Mosteiro de Arouca, nomeadamente a última que aí faleceu em 3 de julho de 1886, Maria José de Gouveia Tovar e Melo. Dessa época e dessa família nobre resta ainda o portão armoriado da Casa dos Brigadeiros e que os visitantes tiveram ocasião de admirar, acompanhados da explicações do seu professor de história. Refira-se que o livro “Filhas da nobreza setecentista no Mosteiro de Arouca” de Afonso Veiga contem interessante informação sobre as freiras desta freguesia que professaram no Mosteiro de Arouca.

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Após esta visita, e depois de tanta e interessante informação histórica, os alunos da Asarc fizeram uma pequena caminhada através dos Passadiços do Távora em Vila da Ponte.

Esta digressão cultural por “Terras do Demo” não poderia deixar de terminar em Soutosa, sede da Fundação Aquilino Ribeiro, e onde o escritor passou parte da sua infância, tendo-se mudado para esta aldeia, juntamente com os seus pais, aos dez anos de idade.

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Nessa Casa-Museu puderam os visitantes observar centenas de objetos pessoais do escritor, como livros, postais e fotografias.

E com este mergulho cultural e sensorial em espaços aquilinos terminou esta digressão da Academia Sénior por “Terras do Demo”.
Um agradecimento à Câmara Municipal de Sernancelhe pela simpática receção e pelo acompanhamento que  proporcionou aos alunos da Asarc, ao longo desta visita.

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José Cerca

Publicado no jornal “Discurso Directo” nº561 de  14 de abril de 2022

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REQUIEM POR NICOLAS ROGER

por jcerca em 28 de Fevereiro de 2022

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Com a idade de 69 anos faleceu, no dia 22 de fevereiro, na casa onde residia, no lugar de Caçus, da freguesia de Escariz (Arouca), o Professor Nicolas Roger que, durante muitos anos, foi o organista titular do magnífico órgão do Mosteiro de Arouca.

Nascido em Paris em 1952, Nicolas Roger iniciou os estudos de Piano em 1957, em Paris, com Odile Robert. No Conservatório de Paris, estudou Harmonia e Contraponto com os Professores Jacqueline Lequien e Pierre Lantier. Obteve o 1° Prémio de Estudos Superiores de Órgão no Conservatório Nacional de Angers, sob a orientação de André Isoir.

A partir de 1985, fez parte do Júri Nacional de Exames de Órgão (em França).
A partir de fevereiro de 1998, foi Professor de Órgão e Organista Titular dos Órgãos de Tubos do Santuário de Fátima,até 2010 depois de, em França, ter sido organista titular do órgão de tubos da igreja de St.Martin-Saint Laurent e professor de órgão no Conservatório nacional de Orsay.

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Depois de ter casado em 1990 com a arouquense Maria José e de se ter apaixonado também pelo órgão do Mosteiro de Santa Maria, ficou duplamente ligado a esta terra onde passou a desempenhar, desde 2011, o cargo de organista titular do órgão do Mosteiro de Arouca, cujos segredos e recursos ele conhecia como ninguém.

Nicolas Roger chegou mesmo a acompanhar, entre 2006 e 2009, o restauro deste órgão quando ele estava a ser efetuado em Barcelona por Gerhard Grenzing que conseguiu recuperar a sua sonoridade original, uma vez que restauros anteriores haviam alterado a sua identidade sonora.

Bem conhecedor das suas caraterísticas e das suas potencialidades sonoras costumava dizer que “os arouquenses não sabem o tesouro que têm dentro deste Mosteiro”. No concerto de inauguração deste importante restauro, em maio de 2009, chegou a afirmar que “em toda a Europa não haverá muitos instrumentos com esta dimensão e qualidade sonora.”

Tendo participado em inúmeros concertos de órgão realizados no Mosteiro de Arouca, Nicolas Roger foi também entrevistado para o programa “Visita Guiada” que foi emitido na RTP2 em 19 de outubro de 2015 e onde ele explica e mostra ao pormenor todas as inúmeras potencialidades deste órgão.

Com uma vasta cultura musical, com um profundo conhecimento de todos os segredos do nosso órgão ibérico, homem de trato afável e sempre sorridente, Nicolas Roger deu um enorme contributo, não só para a preservação desta bela peça organeira, datada de 1743, como também para a dinamização musical em Arouca.

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Ele que soube extrair dos tubos do nosso órgão magníficas e surpreendentes sonoridades; ele que tantas vezes aí interpretou vários Requiem de autores diversos, será agora a vez deste órgão, por quem ele se apaixonou, de lhe tocar o seu derradeiro Requiem: o Requiem por Nicolas Roger!

Os arouquenses assim o desejam e o saudoso organista assim o merece!

José Cerca

Publicado no jornal “Discurso Directo” nº558 de  04 de março de 2022

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A DESCOBERTA DO PATRIMÓNIO LOCAL

por jcerca em 10 de Fevereiro de 2022

Dirigida pelo prof. Afonso Veiga, a disciplina de Património natural e edificado tem permitido, entre outras coisas, levar os alunos da Academia Sénior de Arouca à descoberta do património local em Arouca.

Depois de uma passagem por Várzea, para conhecerem pormenores da sua igreja matriz e percorrerem as ruínas romanas da Malafaia.

Depois de uma deslocação a Urrô, para admirarem o original e invulgar campanário da sua igreja matriz.

Depois de uma visita ao Museu municipal para observarem alguns dos muitos testemunhos materiais do nosso antiquíssimo património, foi agora a vez dos alunos seniores se dirigirem ao fundo do Concelho para aí descobrirem algum do importante património histórico que existe nessa região extrema do nosso Concelho.

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 Domus municipalis

A primeira paragem desta digressão cultural, que teve lugar no dia 8 de fevereiro, foi em Cabeçais para uma visita à Domus Municipalis, a antiga Câmara Municipal do concelho de Fermedo, extinto em 24 de outubro de 1855 e onde ainda se pode ver a antiga cadeira do juiz adornada com as armas, supostamente, dos reis espanhóis, pois este edifício serviu de tribunal, após a extinção do concelho de Fermedo.

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Acompanhados pelo sr. Presidente da Junta de Fermedo, Alberto da Silva Oliveira e pelo sr. Valdemar Moreira, responsável pela Biblioteca, os alunos seniores tiveram ainda ocasião de conhecerem a Casa da Cultura de Fermedo e a sua biblioteca, inauguradas em 2001, bem como a capela da Senhora da Saúde, à frente da qual se ergue o pelourinho de Fermedo datado de 1275, data do 1º foral concedido por D.Afonso III a Fermedo e que é o símbolo do poder régio do extinto concelho.

De Cabeçais os visitantes seguiram para Fermedo para visitarem a igreja matriz dedicada à Senhora da Expectação. Trata-se de um um belo local de culto que foi parcialmente destruído pelo terramoto de 1755 e cujo corpo principal é constituído por duas naves, caso único em todo o concelho de Arouca.

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Curiosa é a existência de uma lápide tumular datada, possivelmente, do sec.I depois de Cristo e afixada na parede exterior da capela-mor e cuja inscrição nos foi traduzida por Valdemar Moreira.

Frei Simão de Vasconcelos e a Quinta do Outeiro

Esta digressão histórico-cultural da Asarc terminou com um desvio para fora do concelho de Arouca até à quinta do Outeiro, em Cesar.

E este desvio justifica-se pelo facto de ter sido nesta quinta do Outeiral que em 1788 nasceu frei Simão de Vasconcelos, frade monástico do Mosteiro de Alcobaça e combatente liberal, que participou ativamente nas lutas contra os absolutistas, acabando por ser capturado e fuzilado em Viseu, em 1832.IMG_4451

Para nos falar sobre este frade rebelde nada melhor do que o prof. Afonso Veiga, autor de uma interessante e bem documentada publicação sobre esta polémica personagem.

Embora não tenha sido possível entrar na quinta, foi bem visível, do lado exterior a existência da capela de frei Simão em adiantado estado de degradação. Trata-se de uma capela privativa edificada em 1617, dedicada a santa Luzia e onde estão sepultados os proprietários dessa quinta.

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José Cerca

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FAMÍLIA SALESIANA DE AROUCA EVOCA D.BOSCO

por jcerca em 31 de Janeiro de 2022

Em pleno dia de eleições e ainda bastante condicionados pela pandemia, o Centro Juvenil e a Família Salesiana de Arouca quiseram evocar, no dia 30 de janeiro de 2022, a memória de S.João Bosco.

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O nome deste grande santo da Igreja Católica e um dos grandes educadores do sec. XIX, começou a ser conhecido e amado em Arouca a partir de 1960, quando os Salesianos vieram trabalhar para esta terra, instalando no Mosteiro de Arouca o ex-Colégio Salesiano.

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Faz este ano 40 anos que os Salesianos saíram de Arouca. Mesmo assim o seu espírito e o amor a D.Bosco continuam presentes na memória e no coração de muitos arouquenses, bem como na Família Salesiana de Arouca, constituída pelas Associações do Centro Juvenil e dos Salesianos Cooperadores.

Foi por isso que, na véspera do seu dia litúrgico (31 de janeiro) quiseram evocar a sua memória, 134 anos após a sua morte em Turim, depois de ter dedicado toda a sua vida ao serviço da juventude, em especial da mais pobre e abandonada.

Homenagem junto ao Busto de D.Bosco

Com a presença do Delegado Nacional da Família Salesiana, Pe. Joaquim Taveira, esta evocação começou com uma homenagem junto ao busto de D.Bosco, no parque municipal. Aí foram ditas algumas palavras sobre a figura deste grande educador por dois membros da Família Salesiana, tendo, de seguida, a Presidente da Câmara, Drª Margarida Belém, elogiado a importância da ação do Centro Juvenil Salesiano, nas suas diversas valências, junto da comunidade arouquense.

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Finalmente, usou da palavra o Delegado nacional da Família Salesiana que evocou alguns momentos marcantes da extraordinária vida de D.Bosco, tendo começado pelo sonho que ele teve aos 9 anos e que marcou o destino de toda a sua vida, ao serviço da educação dos jovens pobres e abandonados das ruas de Turim.
Esta singela sessão terminou com o cântico
“Pai e mestre dos jovens” seguido da deposição de uma coroa de flores, aos pés do busto, pela Presidente da Câmara, pelo Delegado da Família Salesiana e por duas crianças do Centro Juvenil Salesiano.

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Seguiu-se a celebração da Eucaristia dominical na igreja do Mosteiro de Arouca e durante a qual foi evocada a memória de S. João Bosco.

No final da Eucaristia forem distribuídos santinhos contendo, no verso, 7 conselhos de D.Bosco para pais, mães e educadores e que continuam a ter uma enorme atualidade nos tempos de hoje.

José Cerca
Fotos de Pedro Fontes

Publicado no jornal “Discurso Directo” nº556 de  04 de fevereiro de 2022

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COMEÇANDO A VIDA DO ZERO!…

por jcerca em 10 de Janeiro de 2022

Com o telemóvel completamente escaqueirado, com o seu tablet partido e totalmente inutilizado, salvou-se milagrosamente o seu computador, o que lhe permitiu manter-se ligada às redes sociais que a viriam a salvar da situação de desespero em que se encontrava.

A Sofia (nome fictício) tinha planeada a sua fuga do sufoco em que se encontrava desde há cerca de dois meses, para o dia 8 de janeiro de 2022, mas a situação complicou-se e a fuga precipitou-se, dois dias antes, em pleno dia de Reis, rumo a Arouca, onde tinha alguns amigos que lhe valeram prontamente.

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Praticamente quase só com a roupa que trazia vestida e pouco mais; sem a ração para o seu boxer, aquela força anímica que a impediu de deixar de lutar pela vida, a Sofia chega a Arouca quase sem nada, mas com uma enorme força de vontade em começar uma nova vida. E como que por milagre inexplicável, e graças ao poder das redes sociais, o apoio começa a surgir de muitos lados.

Os apoios (nomes fictícios dos intervenientes)

O Tiago, além do transporte, arranjou-lhe um alojamento provisório, que lhe iria engolir os últimos 400 euros que guardara dentro de uma meia.

A Raquel trouxe-lhe um bom cabaz de mercearia e de géneros alimentícios para os primeiros dias.

A Joana arranjou ração especial para o seu companheiro de todas as horas e que a manteve à tona da vida.

A Lúcia arranjou-lhe um telemóvel e, através de uma delicada operação, lá se conseguiu transferir para ele o cartão com todos os contactos e que se encontrava ainda dentro dos destroços do aparelho, também ele vítima da violência insana de um homem desequilibrado e possessivo.

O Pedro entregou-lhe pessoalmente 100€ para as primeiras necessidades e que ela – soube-se depois – guardou dentro de uma Bíblia para se lembrar de rezar por todos os seus amigos, os seus “anjos” como ela gostava de chamar e que apareceram, inesperadamente, de todos os lados, naquele difícil momento da sua vida.

A Margarida pediu para que a Sofia passasse pela sua loja para escolher 4 peças de roupa a seu gosto.

O António mandou descarregar lenha à sua porta para aquecer a casa provisória onde se acolhera.

A Luísa arranjou-lhe uma máquina de café e alguns pratos.

Sensibilizado por esta história que começou a circular pelas redes sociais, o Luís, desde o estrangeiro, onde se encontrava, transferiu 200€ para apoio de quem estava a começar do zero uma vida nova em Arouca, donativo esse que lhe fez brotar lágrimas de emoção e de gratidão por tanta generosidade que ia surgindo de muitos lados. Entretanto, outros donativos iam caindo na conta divulgada no grupo Arouquenses.

Por outro lado, marcam-se entrevistas e mandam-se currículos com vistas a arranjar uma ocupação digna para a sua subsistência, muito embora a Sofia diga que está disposta a aceitar qualquer ocupação, pois para ela todo o trabalho é digno.

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A história (ou parte dela)

Quando recebi, como administrador do Grupo Arouquenses, o pedido de um apelo para ser divulgado neste grupo, fiquei logo com a sensação de que tal apelo configurava uma situação de sequestro psicológico, de violência física e de assédio sexual. Por isso, depois de dar luz verde para a sua publicação, enviei o texto por mail para o posto da GNR da localidade de onde tinha partido o pedido de socorro.

Entretanto, um grupo de pessoas foi acompanhando de perto, através das redes sociais o desenrolar desta história e procurando mesmo algumas soluções para ultrapassar a situação em que a Sofia se encontrava.

Depois de divulgado o seu grito de alerta, achou-se prudente, por motivos de segurança, retirar o apelo, o que foi feito pela própria, mas mantendo a história através do relato de uma outra pessoa.

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Inesperadamente, no dia de Reis, recebo em mensagem privada, uma mensagem esquisita composta por um amontoado de frases truncadas, e sem nexo, revelando um estado de espírito de pânico e de total descontrolo. No meio delas conseguia ler-se: “ele partiu meu telemóvel. Estou na rua.” Além disso, conseguia ainda ler-se o nome da rua onde ela se encontrava.

De imediato, reenvio esta mensagem desconexa para algumas pessoas que estavam a seguir, de perto, esta situação da Sofia, enviando-a também para o posto da GNR. Dada a urgência do caso, cheguei mesmo a telefonar, mas informaram-me que a GNR já se encontrava no local.

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 Uma nova vida (a partir do zero)

Desconhecemos pormenores sobre a intervenção da GNR neste caso. De qualquer maneira, desde que chegou a Arouca, a Sofia viu-se objeto de uma onda de apoio para iniciar uma nova vida, tendo neste momento, não só um espaço mais aconchegador e mais acessível, que a Luísa (nome fictício) lhe conseguiu arranjar, posteriormente, como também perspetivas próximas de  uma ocupação digna para garantir a sua subsistência.

Dominando fluentemente o inglês e o italiano; com uma vasta e diversificada experiência internacional nos mais diversos domínios e com uma enorme vontade de lutar, a Sofia certamente que vai conseguir ultrapassar os efeitos negativos das amarras de que se libertou e começar do zero em Arouca, ou em qualquer outro local, uma nova vida digna e feliz.

Sem referência ao género de apoio dado, achamos por bem divulgar os nomes das pessoas que marcaram presença, de alguma maneira, quer presencialmente, quer virtualmente, neste caso:

Marcos Costa Guedes, Patrícia Ferreira, Angelina Andrade, Pedro Vieira, Sofia Dias, Susana Correia, José Cerca, Camarc e Conferência de S.Vicente de Paulo.

A todos estas pessoas e a outras que possam vir a associar-se a esta cadeia solidária, muito OBRIGADO!

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