EVOCAÇÃO DA MEMÓRIA DO Pe.ADRIANO

por jcerca em 18 de Abril de 2016

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Ocorrendo no próximo Domingo, dia 24 de abril o 15º aniversário da morte do Pe. Adriano de Sousa Moreira, o Centro Paroquial de Promoção Social Rainha Santa Mafalda (Patronato), vai evocar a memória do seu fundador com um singelo programa:

11.15h – Eucaristia na igreja conventual, em sufrágio pela sua alma e pelas intenções da Instituição que fundou.

16.00h – Deposição de um ramo de flores junto ao busto situado no pátio da Instituição.
Esta cerimónia é aberta a toda a comunidade que deseje associar-se a esta evocação.
No final será oferecido um pequeno lanche a todos os presentes.

Breve apontamento biográfico

O Pe. Adriano nasceu em São Paio da Portela, Entre-os-Rios, em 10 de abril de 1910, tendo falecido em Arouca no dia 24 de abril de 2001. Depois de ordenado sacerdote começou a paroquiar em terras de Arouca, a partir de 12 de outubro de 1933, nas comunidades paroquiais de Canelas e Espiunca, onde se manteve até 29 de novembro de 1944, sendo substituído pelo Pe. Constantino Pereira Sousa. A 5 de janeiro de1946 e depois do falecimento do Pe Joaquim Carneiro Leão, em 16 julho de 1944, toma conta da Paróquia de S.Bartolomeu de Arouca até 1990, sendo nessa data substituído, por motivos de saúde, pelo sacerdote arouquense Pe. José Pereira de Brito da “Casa do Ribeiro” em Nogueiró, Urrô, que se manteve como Pároco até 1996.

Patronato

Foi, enquanto pároco de Arouca e simultaneamente de S.Salvador do Burgo, que no dia 1 de Dezembro de 1949 é fundado, oficialmente, o Patronato Rainha Santa Mafalda para acolher meninas carenciadas de apoio familiar. Foi seu braço direito e co-fundadora desta instituição, Mafalda Celina de Oliveira Valente, mais conhecida por “Mafaldinha”.

Antes de ocupar as instalações atuais o Patronato funcionou, de 1960 a 1975, no edifício onde atualmente funciona, desde 1991,a Biblioteca Municipal.

Hoje, o Patronato, posteriormente designado por Centro de Promoção Social Rainha Santa Mafalda em 1971 e mais tarde, em 30 de Abril de 1982, Centro Paroquial de Promoção Social Rainha Santa Mafalda, é uma das mais prestigiadas instituições sociais do Concelho de Arouca, acolhendo cerca de 50 internas e alargando a sua actividade a diversas valências que, além do  Lar de Infância e Juventude (LIJ) se estendem também à creche, jardim-de-infância, ATL, centro de estudos e ao Centro de Atividades Ocupacionais (CAO). Neste momento a instituição tem uma outra valência que é o Protocolo RSI.

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Refira-se que foi recentemente alterada a denominação da instituição para Patronato – Centro Paroquial e Social Santa Mafalda, fundindo assim a designação original “Patronato” que vinha desde a sua fundação, com as que posteriormente foi adquirindo para expressar assim o crescimento da instituição com as diversas valências sociais que foi ganhando a longo da sua história.

José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº402 

de 22 de abril de 2016

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FÁTIMA EM AROUCA

por jcerca em 13 de Abril de 2016

“Aqui vimos, Mãe querida, consagrar-te o nosso amor”

Desde que a imagem peregrina de Nossa Senhora partiu de Fátima, no dia 13 de maio de 2015, para iniciar uma visita pelas dioceses de Portugal, muitas vezes e em muitos lugares este refrão terá sido cantado, congregando à volta deste ícone mariano milhares e milhares de devotos, nas diversas localidades por onde ele tem passado, como preparação para o centenário das aparições de Nossa Senhora na Cova da Iria, aos três pastorinhos, em 1917.

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Foi o que aconteceu também na Vigararia de Arouca-Vale de Cambra.

A noite do dia 12  e a manhã do dia 13 de abril fizeram recriar, em Arouca, por algumas horas, o ambiente de Fátima, não só pelas inúmeras velas, pelos cantos marianos, pelo acenar dos lenços brancos, como também pela multidão de fiéis que acolhia, pelas 21.00h, a chegada da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima, vinda do santuário de Santo António em Vale de Cambra, integrada na visita às comunidades cristãs da Diocese do Porto, que está a decorrer desde o dia 10 de abril até ao dia 1 de maio.

Por entre uma floresta de guarda-chuvas, abertos para proteger os fiéis da chuva que caia abundantemente, e ao som dos sinos da igreja conventual e da capela da Misericórdia, a imagem peregrina chegou ao Mosteiro de Arouca pelas 21.30h, onde uma multidão aguardava a sua chegada, transportada no veículo próprio do Santuário de Fátima.

A essa hora, a igreja conventual estava já repleta de pessoas, pois face à chuva que caíra até então, ninguém acreditava que fosse possível realizar-se a procissão de velas com a imagem peregrina, tal como estava programado. Mas a verdade é que, após a imagem ter parado diante do imponente Mosteiro de Arouca, os guarda-chuvas fecharam-se, a igreja do Mosteiro esvaziou-se e, em poucos minutos, se organizou a procissão por algumas ruas da Vila de Arouca, com passagem pelo Calvário.

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Nessa procissão, presidida pelo Bispo do Porto e na qual se integraram os Bombeiros, as irmandades, grupos juvenis e muito fiéis, vindos de todo o Concelho, para receberem a imagem peregrina, apesar da chuva e dos contínuos aguaceiros que ameaçavam, a todo o momento, que tal procissão se concretizasse. Mas ao contrário do que se esperava, a procissão acabaria mesmo por se realizar, sem que um único guarda-chuva voltasse a abrir-se nessa noite mariana, após a chegada ao Mosteiro de Arouca da imagem peregrina. Apenas na manhã do dia seguinte, eles voltariam a abrir-se num adeus chuvoso, mas bem sentido, à Virgem peregrina que seguiria a sua viagem para a Vigararia de Penafiel-Castelo de Paiva.

O pastor da Diocese

A visita da imagem peregrina a Arouca contou com a presença do Bispo do Porto, D.António Francisco que integrou a procissão de velas na companhia de mais 5 sacerdotes e de dois diáconos da Vigaraia.

Ao longo do seu percurso, o bispo do Porto, depois de saudar todos os presentes, doentes e emigrantes, referiu a semana de oração pelas vocações, a decorrer em toda a Igreja, bem como o ano da Misericórdia. E foi por isso mesmo que, num expressivo gesto, a carrinha com a virgem peregrina atravessou o espaço da Santa Casa da Misericórdia de Arouca. Nesse breve desvio, o bispo do Porto aproveitaria para recordar todas as 14 obras de misericórdia, apelando a que elas fizessem parte da atitude dos cristãos nesta sociedade em que vivemos, tão carenciada de valores e de atitudes concretas em prol dos que nos rodeiam.

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No final da procissão, a imagem peregrina foi transportada aos ombros dos bombeiros para o presbitério da igreja conventual onde se seguiu a celebração da Eucaristia, seguindo a liturgia do dia 13 de maio, animada com cânticos marianos, acompanhados pelos acordes sonoros do órgão ibérico do Mosteiro de Arouca. A veneração da imagem de Nossa Senhora terminaria por volta da meia-noite, recomeçando, no dia seguinte, com a recitação do terço em honra da Virgem peregrina. Seguir-se-ia a celebração mariana da Eucaristia que terminou pelas 9.00h com o tradicional cântico do Adeus, acompanhado por inúmeros lenços brancos num emotivo aceno de despedida à virgem de Fátima. E enquanto, dentro da igreja conventual, os lenços brancos acenavam, lá fora, inúmeros guarda-chuvas tiveram que voltar a abrir-se, num último gesto de despedida à virgem peregrina que trouxe a Arouca um pouco do ambiente de Fátima e transformou, mesmo que por algumas horas, a jubilar igreja conventual num santuário mariano, neste dia 12 e 13 de abril de 2016.

A imagem peregrina

Tal como informou o Bispo do Porto, no final da celebração da eucaristia, esta foi a primeira imagem peregrina esculpida em 1947, seguindo rigorosa orientação e acompanhamento dados pela irmã Lúcia. A sua primeira viagem foi a Berlim, nesse mesmo ano, como mensageira da Paz repetidamente anunciada e pedida na Cova da Iria por Nossa Senhora aos pastorinhos.

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Tendo já percorrido 69 países da Europa, a última viagem desta imagem peregrina foi ao Luxemburgo. Curiosamente, foi no porto de Leixões, que ela foi desembarcada no seu regresso a Portugal, tendo, então, levado 10 horas na sua peregrinação até à cidade do Porto. 67 anos depois regressa à diocese do Porto, onde continuará em digressão mariana até ao próximo dia 1 de maio.

José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº401   

de 15 de abril de 2016

Publicado no semanário “Voz Portucalense” nº15   

de 20 de abril de 2016

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Visita à Vigararia de Arouca-Vale de Cambra

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Integrada na Visita da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima às Dioceses de Portugal, iniciada em Maio de 2015, como preparação para o centenário das aparições de Nossa Senhora em Fátima, terá lugar no dia 12 de abril a sua passagem pela Vigararia de Arouca-Vale de Cambra.

Percorrendo as diversas comunidades cristãs da Diocese do Porto, entre 10 de abril e 1 de maio, a imagem peregrina chegará ao Santuário de Santo António em Vale de Cambra pelas 10.00h horas, vinda da Vigararia de S. João da Madeira – Oliveira de Azeméis, permanecendo aí até às 20.00h, cumprindo um conjunto de atos a cargo dessa comunidade cristã de Vale de Cambra.

No Mosteiro de Arouca

Em carrinha aberta do Santuário de Fátima, a imagem de Nossa Senhora sairá de Vale de Cambra às 20.00h com destino à igreja do Mosteiro de Arouca, podendo as populações locais acompanhar e aclamar a sua passagem ao longo do percurso entre Vale de Cambra e Arouca.
Pelas 21.00h iniciar-se-á a procissão de velas que seguirá o mesmo percurso da procissão dos Fogaréus.
No final da procissão, por volta das 22.00h, terá lugar a celebração da Eucaristia na igreja conventual, seguindo-se uma vigília mariana até às 24.00h.

No dia seguinte, e após a Missa das 8.25h, a imagem peregrina seguirá para a Vigararia de Castelo de Paiva-Penafiel.

Pretende-se que esta grande peregrinação da imagem de Nossa Senhora pelas dioceses portuguesas seja uma forte experiência de fé, através das celebrações, momentos de oração e expressões de piedade popular; pretende-se também que sejam atingidas todas as faixas etárias e deseja-se que esta peregrinação constitua uma oportunidade de aprofundar o conhecimento e a vivência da mensagem de Fátima, como preparação para as celebrações do Centenário das aparições de Nossa Senhora na Cova da Iria iniciadas em 13 de maio de 1917.

José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº400  

de 8 de abril de 2016

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POR TERRAS DO BANDARRA

por jcerca em 30 de Março de 2016

Visita cultural a Trancoso

Em mais uma das suas visitas de estudo, integradas nas aulas de História e de Geografia, a Academia Sénior de Arouca deslocou-se no dia 29 de março ao planalto beirão para conhecer uma das mais típicas vilas de Portugal, a vila de Trancoso cuja história remonta ao período da formação e independência do reino de Portugal.

Tendo recebido do 1º rei de Portugal a sua carta de foral, foi sobretudo do rei D.Dinis que recebeu as imponentes muralhas que ainda hoje circundam toda a zona histórica desta vila (cidade desde 2004) onde se destaca a torre de menagem do seu castelo do sec.X.

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Acompanhado pela guia que a Câmara Municipal de Trancoso gentilmente cedeu, o grupo da Asarc iniciou o seu roteiro cultural através desta vila medieval a partir das Portas d’El Rei, percorrendo, com muito interesse, toda a zona histórica desta vila rica em património.

Memórias do Bandarra

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Mas se a figura do rei D.Dinis permanece na memória colectiva dos trancoenses por ele aí ter desposado, em 1282, D.Isabel de Aragão, a verdade é que a figura popular do Bandarra (Gonçalo Anes) lhe faz também alguma concorrência memorial. Por isso, era inevitável que a guia turística conduzisse os visitantes através dos espaços que evocam esta mítica figura de Trancoso, desde a sua estátua, situada em frente à Câmara Municipal, até ao seu túmulo na igreja de S.Pedro, ou até mesmo à designada “Casa do Bandarra”, mesmo ao lado da nova Sinagoga judaica.

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Mas se esta figura lendária do poeta-profeta Bandarra permanece na memória popular, através de diversas publicações, há uma outra figura que continua também bem arreigada na memória lendária destas gentes, tendo mesmo assumido projecção nacional, devido às suas aventuras libidinosas. Trata-se do conhecido pe. Fernando Costa, pároco da Igreja de São Pedro e que, segundo consta, terá tido 299 filhos concebidos em 53 mulheres. Julgado em 1487, com 62 anos e condenado pela sua vida dissoluta, consta que El-Rei D. João II o perdoou e o mandou pôr em liberdade com o fundamento deste padre ter  ajudado a povoar aquela região da Beira Alta, tão despovoada ao tempo, tendo mandado guardar no Real Arquivo da Torre do Tombo  todo este devasso processo.

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Segundo informações da guia, a casa onde terá vivido tal padre é hoje um restaurante (O Restaurante o Museu) presentemente fechado e localizado perto da igreja Matriz de Trancoso, actualmente em obras de restauro.

Comunidade judaica

Tal como Belmonte, Trancoso chegou a ser berço de uma das maiores comunidades judaicas em Portugal e várias marcas dessa presença ainda hoje aí perduram, como aquelas que se encontram nas fachadas de muitas casas, bem como no tamanho das suas portas. Uma dessas casas é a “Casa do gato preto”. Embora no domínio privado, esta casa faz parte do roteiro cultural e diante dela foi explicado pela guia aos alunos da Asarc o significado das diversas marcas judaicas que ainda aí permanecem.

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Verdadeiramente interessante foi a visita que se fez ao Centro de interpretação da cultura judaica Isaac Cardoso, construído  em 2012 numa área onde se julga ter existido a Judiaria de Trancoso. Nele funciona também uma pequena sinagoga  destinada ao culto judaico e inspirada na Sinagoga de Tomar.

Depois de percorrida toda a zona histórica de Trancoso e após uma pausa na “Casa da Prisca” para se saborear as “sardinhas doces”, uma especialidade da doçaria conventual cuja origem remonta ao Convento de Freiras da Ordem de Santa Clara, já inexistente, os visitantes da Asarc dirigiram-se para a Quinta de S.Estevão, em Aguiar da Beira, onde lhes foi servido um delicioso almoço.

Solar Casa da Ínsua

Após o abundante repasto dirigiram-se os visitantes da Academia Sénior para Penalva do Castelo a fim de visitarem a Casa da Ínsua.

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Trata-se de uma casa senhorial, mandada construir por iniciativa de Luís de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres,  governador de Mato Grosso e data da segunda metade do século XVIII. .
Integrada numa vasta propriedade agrícola, e rodeada de belos jardins e por uma zona arborizada, com árvores de grande porte, algumas delas trazidas por Luís Albuquerque do Brasil, este solar está, desde 2009, transformado em hotel de 5 estrelas.
Graças à gentileza da sua Direção, os alunos da Academia Sénior puderam, não só admirar a beleza das principais salas que compõem este solar, como também visitar o seu núcleo museológico, onde permanecem, entre muitas outras coisas, marcas das primitivas instalações eletricas, uma vez que este solar,  foi dos primeiros locais no país a ter energia eléctrica.

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Além das guias que acompanharam os alunos nestas visitas, quer em Trancoso, quer na Casa da Ínsua, esta viagem cultural da Asarc foi também enriquecida com os contributos informativos sobre a região visitada e que foram sendo fornecidos pelos respectivos professores de História e de Geografia, ao longo da viagem.

A todos os que contribuíram para o enriquecimento desta viagem, a Direção da Asarc manifesta o seu público reconhecimento, nomeadamente à Câmara Municipal de Trancoso e à Direção da Casa da Ínsua.

José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº400  

de 8 de abril de 2016

 

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SINFONIAS TEMPORAIS

por jcerca em 17 de Março de 2016

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“Sinfonias temporais com andamento próprio” ao ritmo e ao estilo do seu maestro, o arouquense Pe.José Augusto Correia de Oliveira, é a mais recente publicação deste sacerdote Claretiano, natural da freguesia de Santa Eulália.

Editado pelas  Paulinas esta obra é constituída por um conjunto de “reflexões para o ano litúrgico” feitas a partir de passagens de textos bíblicos adequadas a cada uma das quadras litúrgicas.

Muitos dos arouquenses já conheciam a capacidade comunicativa e os dotes oratórios do autor deste livro, sobretudo através de algumas homilias proferidas em celebrações eucarísticas no Mosteiro de Arouca, em determinadas épocas festivas, nomeadamente natalícias ou pascais.

O seu estilo comunicativo e a sua maneira simples, acessível e cativante de comentar e actualizar a mensagem bíblica para os tempos de hoje, nessas homilias, são bem visíveis nos textos que agora partilha com os leitores, através destas “Sinfonias temporais”.

Numa linguagem viva, dinâmica e, por vezes, até provocante, para sacudir os leitores, estas breves reflexões convidam os seus destinatários a uma interiorização e ajudam, ao mesmo tempo, a uma actualização da mensagem do Evangelho para os tempos atuais.

Compostas por três andamentos, estas “Sinfonias Temporais” abrem com o “Aniversário de Deus” onde o autor nos proporciona interessantes reflexões feitas a partir de textos bíblicos que acompanham os diversos ciclos litúrgicos, desde o Advento à Pascoa, passando pelo Natal, Epifania e Quaresma.

No 2º andamento apresenta-nos o autor algumas “Amostras do Reino”, nomeadamente através de um bem composto “Ramalhete de Parábolas”, bem como de um pequeno “Lote de Milagres”.

Trata-se de mais um conjunto de belas pautas musicais desta Sinfonia, harmonizadas pelo seu compositor e inspiradas, não só em algumas das mais conhecidas parábolas do Evangelho, bem como em vários dos milagres de Jesus que chegaram até nós através dos quatro evangelistas do Novo Testamento.

Descobrir a beleza dessas surpreendentes “amostras do Reino”, sentindo o perfume desse “ramalhete de parábolas” e a riqueza desse “lote de milagres” é uma agradável tarefa que enche de prazer e enriquece espiritualmente o leitor.

No 3º parte destas “Sinfonias Temporais” o autor dedica alguns breves “acordes musicais” a Nossa Senhora. São singelos “recados de Mãe” em que o Pe. José Augusto nos brinda com belas reflexões, muito bem estruturadas, a partir de algumas passagens bíblicas centradas na figura da Virgem Maria.

Como ficou registado no prefácio deste livro, “ninguém lê estas páginas sem sentir vontade de se tornar melhor”. Oxalá que tal desejo se concretize através destas belas e provocadoras reflexões que o seu autor, em boa hora, decidiu partilhar com os leitores.

Mas esta partilha não se fica por estas “Sinfonias Temporais”. Muito brevemente, e pela mão da mesma Editora, será aberta “A despensa de Deus” onde os leitores encontrarão mais um conjunto de “reflexões despretensiosas”, desta vez sobre os sacramentos, bem como sobre alguns temas imbuídos de valores cristãos, como sejam a alegria, a amizade, a oração e a santidade. Temas esses abordados com o mesmo estilo leve mas profundo, simples mas surpreendente a que o autor já nos habituou.

José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº398  

de 24 de março de 2016

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