OS PASSADIÇOS DO PAIVA

por jcerca em 21 de Agosto de 2015

A grande atração deste verão em Arouca

Desde que foram inaugurados em 20 Junho passado o tema dos passadiços tem sido assunto  recorrente em  toda a comunicação social, desde televisões, jornais, revistas, blogs e sobretudo em redes sociais. Pode mesmo dizer-se que os média se renderam à magia dos passadiços, o que também tem contribuído muito para a sua divulgação a nível nacional e internacional.

Nunca um empreendimento em Arouca teve, de imediato, tanto sucesso como este, a avaliar pelos centenas de pessoas que diariamente tem demandado a Arouca, desde a sua abertura para percorrerem os Passadiços do Paiva, sobretudo durante este mês de agosto.

Esta avalanche de turistas apanhou, quase que desprevenidos, os responsáveis da autarquia que não têm descansado para tentar resolver os problemas que este inesperado afluxo de visitantes tem criado, um pouco por toda a parte, nomeadamente nos locais  de entrada/saída dos passadiços.

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A sinalização e o estacionamento

Dois dos problemas que logo saltaram à vista, sobretudo para os visitantes, têm a ver com a deficiente sinalização e a falta de espaços para estacionamento.

E se o primeiro problema começou já a ser resolvido com a colocação de placas indicadoras que facilitem a chegada dos visitantes às zonas dos passadiços, a verdade é que não é fácil arranjar, de imediato, espaços de estacionamento para tão elevado número de viaturas e até de autocarros. O estacionamento ao longo da estrada e nas suas duas bermas tem trazido problemas no fluxo do trânsito e bom seria que, pelo menos aos fins-de-semana, as forças de segurança estivessem presentes para ajudar a resolver este problema.

O lixo

Sobretudo nos locais terminais do passadiço (Espiunca e Areinho) o lixo tem sido outro problema pela sua acumulação excessiva, ao longo deste mês de agosto, o que exigiria uma recolha mais frequente ou o aumento, mesmo que temporário, de contentores.

A divulgação em redes sociais de cenas ecologicamente desagradáveis, chocantes mesmo, relativamente ao lixo que se vai acumulando, não só na zona dos passadiços, mas também na Serra da Freita e um pouco por todo o lado, não é, de modo algum, um recomendável cartão para quem nos visita.

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A manutenção dos passadiços

Um empreendimento desta envergadura, como são os passadiços e dada a sua enorme utilização, exigirá uma manutenção quase permanente. E para isso será razoável que os próprios utentes contribuam para essa mesma manutenção.

A cobrança de uma pequena entrada aos respectivos  utentes será uma mediada que, mais dia menos dia, virá inevitavelmente a ser adotada o que permitirá, não só a angariação de receitas, como contribuirá também para um rigoroso controlo estatístico. E se hoje é fácil contabilizar rigorosamente os visitantes na Casa das Pedras Parideiras no lugar da Castanheira desde que foi aberta, devido à existência de um pequeno bilhete, pena foi que não se tivesse adotado já, mesmo que provisório, um qualquer sistema que nos permitisse saber, com exactidão, o número de pessoas que percorreram os passadiços desde a sua abertura.  A futura criação do pagamento de uma pequena entrada permitirá também o rigor  desta contabilidade estatística.

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Ainda recentemente tivemos ocasião de percorrer um passadiço no Vale de Ihlara na Turquia e em todas as entradas/saídas havia torniquetes para controlo das entradas pagas. E até o estacionamento de veículos em parques fora dessas zonas de reserva natural é pago. Na Turquia o próprio acesso a praias localizadas em áreas de reserva natural era pago e, na verdade, a qualidade e limpeza de tais espaços eram bem visíveis.

Por isso parece-nos que será bastante compreensível que futuramente se venha a adotar, nos passadiços do Paiva, um sistema de entradas pagas, pois na verdade, trata-se do acesso a zonas de reserva natural que foram abertas ao público através da instalação dos passadiços, permitindo assim, desfrutar de locais e paisagens que até agora estavam completamente inacessíveis à grande maioria das pessoas.

Contemplar e desfrutar o rio

Com 8,7 km de comprimento, ao longo da margem esquerda do rio Paiva,  estes passadiços permitem, não só o acesso a 5 dos 41 geossítios do Arouca Geopark, como também permitem usufruir das águas límpidas e frescas do rio que já teve fama de ser o menos poluído da Europa.

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Embora ao longo do percurso o rio apresente diversos locais para bons mergulhos, a verdade é que os passadiços  permitem o contato físico com o rio, apenas – e ainda bem – na praia fluvial do Vau, a 3 km de Espiunca e na praia do Areinho que já oferecia estruturas de apoio aos utentes, mas que agora viu extraordinariamente aumentada a sua frequência.
Infelizmente, este fenómeno de massas que se tem vindo a verificar nos passadiços não é muito compatível com o desfrutar calmo e sereno da natureza, acontecendo mesmo que muitos dos utentes caminham, caminham mas não observam nem contemplam as belezas naturais por onde passam.

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Esperemos que após esta febre de verão a calma e a normalidade regressem de modo a que os passadiços sejam, na verdade, um privilegiado miradouro para os amantes da natureza desfrutarem as belezas do rio Paiva e da paisagem que o emoldura. E este miradouro oferecerá  sempre uma diversidade grande de belezas ao longo do ano, sendo de esperar que a paisagem de inverno não seja nada inferior às que o Verão oferece.

Posto de informação turística

Dadas as potencialidades que esta estrutura turística ao serviço da fruição do nosso património natural representa, e cujo elevado número de visitas que se tem vindo a verificar parece prognosticar um sucesso garantido, torna-se necessária a criação de um posto de informação turística local, de preferência em Espiunca, de modo a que os visitantes possam usufruir de informação mais ampla sobre a diversidade do património que Arouca tem para oferecer a quem a visita. Por outro lado, isso poderia impedir que muitos dos visitantes abandonassem o território arouquense via Castelo de Paiva, sem passarem por Arouca, o que tem acontecido quase diariamente, em parte, devido a informação que os GPS fornecem e que nem sempre é a mais adequada para o utente, nem a mais rentável e adequada para a região.

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Mesmo que fosse provisória não entendemos como não foi possível montar no local neste verão uma pequena estrutura informativa, mesmo que se tivesse de deslocar para lá um ou dois funcionários da AGA. Teria sido, certamente uma boa medida promocional não apenas dos passadiços mas das restantes potencialidades do Arouca Geopark.

Estruturas de apoio gastronómico

Em contrapartida a esta atitude  passiva de marketing informativo verificou-se, por outro lado, um certo espírito criativo e empresarial de algumas pessoas para colmatar a ausência de estruturas locais que satisfizessem as necessidades gastronómicas dos visitantes, nomeadamente as de bebidas.

E foi num curto espaço de tempo que foi montada uma estrutura de apoio em Espiunca, logo à entrada do passadiço, e outra na praia do Vau. Independentemente das burocracias que tais iniciativas acarretariam e ignorando até a sua rentabilidade económica, a verdade é que tais estruturas disponibilizaram aos visitantes, a comida e a bebida que eles procuravam. E até em determinados locais do percurso houve mesmo quem montasse pequenos postos de venda de bebidas, gelados e de fruta. Independentemente da rentabilidade destas medidas avulsas, a verdade é que as considero como uma louvável prestação de serviço aos turistas.

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Os transfers e outras atividades

Sendo de dificuldade elevada nem todas as pessoas conseguem fazer os 8,7 km de regresso ao ponto inicial dos passadiços. Esta circunstância despoletou, de imediato, uma excelente actividade para os taxistas que não têm tido mãos a medir para responder às constantes solicitações em ambas as extremidades dos passadiços que distam 11 km por estrada.
Além deste tipo de actividades, muitas outras têm beneficiado do excepcional afluxo de turistas neste verão, desde cafés, restaurantes e alojamento. Bom será que este crescimento turístico espevite as pessoas locais a adaptarem-se a esta nova realidade criada pelos passadiços e não deixem que outros de fora de Arouca o façam, como aconteceu, por exemplo, na aldeia da Paradinha.

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Preservação e vigilância

O turismo de massas acarreta, quase sempre consigo inconvenientes pouco compatíveis com o património que se pretende desfrutar, neste caso concreto, o património natural.
Demasiado ruído, quer motivado pela fala das pessoas, quer oriundo de aparelhos de música portáteis impedem, certamente, que se aprecie a paisagem e que se saboreie os sons da natureza.

E se, infelizmente, ainda há quem não tenha o mínimo escrúpulo em lançar latas ou garrafas de plástico ao longo do passadiço, também há, por outro, lado quem não tenha pejo em exprimir a sua parolice e o seu mau gosto ao deixar gravadas na madeira mensagens bacocas ou grafitis sem qualquer objectivo que não seja o de estragar.A

No meio de pessoas bem intencionadas e que são a maioria dos visitantes, há sempre quem se pretenda destacar pelo aspeto negativo deixando marcas da sua falta de civismo como as referidas.

Se será humanamente impossível colocar um vigia em cada esquina, caberá aos próprios utentes serem agentes de vigilância ao serviço da preservação deste bem comum que são os passadiços, montados ao serviço de um bem maior que é a natureza  de modo a poder ser  desfrutada por todos.

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José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº368  de 28 de agosto 2015

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HOMENAGEM À LEONOR

por jcerca em 13 de Julho de 2015

Saudade e emoção um ano depois

Promovida e organizada pelo grupo ADS do Centro Juvenil Salesiano de Arouca, realizou-se no passado dia 11 de Julho uma homenagem à pequena Leonor que integrava esse grupo do MJS e que há cerca de um ano partira, inesperadamente, deixando em todos, não só uma grande saudade, como também um estímulo de vida e de imitação.A

A homenagem iniciou-se em Santa Eulália, junto do seu jazigo, com a presença dos membros do grupo ADS, respetivos animadores e familiares e amigos mais próximos. Esteve também presente o sacerdote salesiano, Pe. Aníbal, antigo coordenador da pastoral juvenil salesiana e que, há um ano atrás, acompanhou de perto o desenlace  fatal desta vida tão jovem e tão edificante.

Após algumas breves palavras de evocação da sua memória foi cantado o canto “Fica junto a nós”, no fim do qual cada jovem depositou uma rosa na última morada física da Leonor. Seguiu-se a celebração vespertina da Eucaristia na igreja conventual concelebrada pelo pároco e pelo Pe. Aníbal e que foi animada pelo grupo coral dos ADS.

Sessão de variedades

Após o jantar que reuniu cerca de 130 pessoas, teve lugar, no auditório da Loja interativa de Turismo, uma sessão de variedades, durante a qual foram evocadas as diversas facetas  da vida da Leonor.

Com momentos de  evocação da curta mas intensa vida da Leonor, este espectáculo foi constituído por diversos e variados momentos artísticos em que a música, a dança, o teatro e a poesia foram sendo unidos por alguns momentos de emoção que a saudade nem sempre conseguiu conter.

O espectáculo foi apresentado e conduzido pela “Mini” e pelo “Mikey” duas das personagens do mundo da animação preferidas da Leonor. De uma forma informal e espontânea estes apresentadores foram interagindo com a plateia o que contribuiu para um ambiente de descontracção e um clima de familiaridade.

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Convidado para esta homenagem o cantor José Cid, cujas canções a Leonor tanto apreciava, não podendo estar fisicamente presente, este artista marcou a sua presença através de uma mensagem gravada em vídeo e que foi projectada para todo o vasto auditório.

Durante todo o espectáculo, um aluno do curso de Artes Visuais da Escola Secundária de Arouca, o Bruno Nunes, foi pintando em aguarela o rosto da homenageada que no final foi entregue a seus pais.

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Preparada em tão curto espaço de tempo e envolvendo dezenas de participantes, a maior parte deles pertencentes ao grupo dos ADS, a organização deste espectáculo-memória foi certamente uma bela homenagem que os seus promotores e intervenientes quiseram dedicar à memória da pequena Leonor, que tão sensível foi às diversas expressões da arte, durante a sua curta mas rica existência.

José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº364  de 17 de julho 2015

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COLÉGIO SALESIANO DE AROUCA

por jcerca em 13 de Julho de 2015

Subsídios para a história de Arouca

O funcionamento do Colégio Salesiano em espaços do Mosteiro de Arouca, incluindo a própria cerca, representou uma mais-valia, não só para Arouca, como também para a preservação deste monumento nacional.

Na verdade, nas diversas  e morosas diligências que precederam a instalação do Colégio Salesiano no Mosteiro de Arouca, várias outras opções  foram consideradas, nessa altura, para a ocupação do Mosteiro, entre elas, a hipótese de uma prisão para jovens delinquentes, ou ainda um hospício para pessoas com demência.

É óbvio que a opção pela instalação de um Colégio, mesmo com a finalidade inicial de seminário menor, foi, sem dúvida alguma, aquela que mais adequada estava, não apenas ao perfil do próprio edifício, como também às características e desejos  da comunidade local.

Arouca, podemos dizê-lo, beneficiou muito com a instalação desse Colégio, muito embora ele tenha apenas funcionado durante 22 anos, entre 1960 e 1092.

Colégio Salesiano – o livro

Foi apresentado no dia 4 de Julho, durante o encontro de antigos alunos salesianos, que decorreu em espaços, outrora ocupados pelo Colégio Salesiano, um livro sobre o Colégio Salesiano e no  qual são  apresentados  alguns dados curiosos, muitos deles desconhecidos  da maior parte do público arouquense.

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Editado pela Província Portuguesa da Sociedade Salesiana é seu autor o salesiano Pe. José Rogério de Almeida.

Baseado fundamentalmente em documentos retirados do Arquivo da Congregação Salesiana, esta obra representa, acima de tudo, um excelente subsídio para a história dos Salesianos em Arouca, ajudando a compreender toda a morosa preparação para a sua chegada em 1960, bem como a sua saída, 22 anos depois.

Dos primeiros contatos ao encerramento do Colégio

Encontrando-se, então, o Convento em adiantado estado de degradação, a verdade é que as diligências para a vinda dos Salesianos para Arouca se iniciaram em 1947, tendo essas mesmas diligências contribuído para o aceleramento das obras de restauração do imóvel e sua adaptação a Colégio.

Diversa correspondência trocada entre os Salesianos, o Diretor-Geral da Fazenda Pública, o Ministério das Obras Públicas e o próprio pároco de então, Pe. Adriano de Sousa Moreira, ajudam a perceber os bastidores da presença do obra salesiana em Arouca e que durou pouco mais de duas décadas.

Capítulo curioso é aquele dedicado à chegada dos primeiros salesianos a Arouca: “Escusado será dizer que a Vila ia caindo em peso sobre nós, só para ver os senhores abades desportistas”

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Na diversa troca de correspondência entre os Salesianos e as entidades de quem dependia a gestão do Mosteiro surgem pormenores muito curiosos, como o pedido da cedência da cerca para uso do Colégio Salesiano, bem como da utilização do coro (cadeiral) para servir de capela enquanto os Salesianos não dispusessem de uma para uso da sua comunidade.
Pormenor interessante e constante num dos ofícios datado de 1959 é a disponibilidade que os Salesianos oferecem para mostrarem o convento aos visitantes: “os salesianos assumem a responsabilidade de manter um salesiano para mostrar o convento aos visitantes, todos os dias, com horário definido, como em todos os monumentos nacionais”.

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Tratando-se, inicialmente, não apenas de um simples Colégio, mas de uma casa de formação tipo seminário menor, este livro dedica algumas páginas à vida no colégio, nomeadamente às actividades  de  vida espiritual proposta aos alunos e em que são referidas, entre outras coisas, as festas religiosas, as campanhas missionárias e os retiros espirituais.

Capítulo interessante é a passagem do Colégio-seminário a Colégio-externato, mantendo, no entanto, na sua dinâmica pastoral, a dimensão vocacional.

O livro apresenta ainda alguns documentos fotográficos sobre a vida interna do Colégio, bem como alguns dados sobre a história do Centro Juvenil Salesiano.

O encerramento do Colégio

Tal como decorreram vários anos de diligências antes da abertura do Colégio em 1960, também a decisão do seu encerramento em 1982 é precedida de um longo processo de que este livro apresenta alguns documentos, nomeadamente decisões capitulares e troca de correspondência diversa.

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Na verdade, o futuro do Colégio Salesiano começa a ser motivo de debate entre os responsáveis salesianos, alguns anos antes do seu encerramento definitivo, nomeadamente desde 1974. As causas invocadas para isso prendem-se, não só com o número de alunos, mas também com a indefinição da acção pastoral dos Salesianos em Arouca. “Quanto à zona pastoral tudo está muito indefinido e os salesianos limitam-se a dar a colaboração que lhes é pedida e nas actividades juvenis continuam a suportar uma certa oposição por parte dos organismos paroquiais”

Embora o autor se limite, quase sempre à apresentação de documentos, sem contudo exprimir qualquer posição, a verdade é que os capítulos sobre a saída dos salesianos de Arouca e sobre as reacções que tal decisão então provocou, serão certamente aqueles que despertarão maior curiosidade e interesse por parte dos leitores, sobretudo para aqueles que, há 33 anos, viveram, com alguma emoção, essa saída.

Tal decisão provocou alguma agitação junto da opinião pública o que obrigou mesmo a uma comunicação aos paroquianos por parte do pároco de então e que é integralmente transcrita neste capítulo. A troca de correspondência entre os Provinciais  e os Bispos do Porto que acompanharam então este processo de encerramento do Colégio fazem parte também deste capítulo.

A publicação deste livro, editado em pleno ano do bicentenário do nascimento de  D.Bosco, fundador da Congregação Salesiana e 33 anos após o encerramento do Colégio Salesiano, vem de novo trazer à baila, não só o vazio pastoral e cultural que tal decisão deixou na comunidade arouquense, como vem também chamar a atenção para o vazio físico em que o espaço do ex-Colégio, incluindo a sua cerca, continua, com consequências para a preservação do mesmo.

Este livro está disponível para aquisição de quem o desejar, na sede do Centro Juvenil Salesiano e na Secretaria interparoquial.

José Cerca
Publicado no semanário “Discurso Directo” nº364  de 17 de julho 2015

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Encontro de antigos alunos salesianos em Arouca

por jcerca em 6 de Julho de 2015

Um regresso ao passado

Teve lugar no passado dia 4 de Julho mais um encontro de antigos alunos salesianos que passaram pelas casas de formação, não apenas de Arouca, mas também de Mogofores e Manique.

Com dois, cinco ou mais anos de contato com o espírito salesiano, muitos dos que compareceram a este encontro terão possivelmente iniciado esse contato com a obra salesiana, aqui em Arouca onde funcionou entre 1960 e 1982 o Colégio Salesiano.

Todo o vasto programa deste encontro decorreu em espaços outrora ocupados pelo Colégio Salesiano, o que representou para a grande maioria dos seus participantes um saudoso e gratificante regresso ao passado.

Depois da saudação de boas vindas dadas por “D.Bosco” a partir do púlpito do antigo refeitório conventual, onde outrora funcionou a “capela dos Salesianos”, os participantes foram convidados a visitar os principais espaços conventuais, desde o refeitório, cozinha, claustros, sala do capítulo, cadeiral e igreja. Todos estes espaços foram acompanhados de interessantes informações históricas sobre cada um deles, transmitidas pela “madre superiora” das freiras cistercienses que ocuparam este convento feminino até 1886.

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Tais explicações, bem como o mini concerto de órgão oferecido pelo organista titular do Mosteiro de Arouca, Nicolas Roger, constituíram um dos pontos altos deste programa e mereceram o agrado entusiástico de todos os participantes.

Seguidamente, os “alunos salesianos” tiveram ocasião de percorrer os principais espaços outrora ocupados pelo Colégio Salesiano, desde os dormitórios, lavatórios, salão de estudo e de teatro, até à própria cerca do Mosteiro, onde não ficou esquecida a célebre “fonte da nogueira”, o campo das “bochas”, ou o campo de basquete, agora rodeado de enorme silvado.

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Outros espaços não apenas visitados, mas saborosamente utilizados nesse dia foi o pátio dos comuns que outrora funcionou como campo de jogos, nomeadamente de voleibol, e onde foram servidos os aperitivos e ainda o antigo refeitório do Colégio Salesiano, onde foi servido o almoço.

Momento cultural e formativo

Após o almoço-convívio teve lugar na antiga capela dos Salesianos uma sessão cultural em que foram interpretadas, em tom de saudade, algumas melodias que permanecem ainda na memória da maior parte dos participantes neste encontro.

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Seguiram-se três breves intervenções, uma do Presidente da união de freguesias de Arouca-Burgo, Fernando Mendes, presente na qualidade de antigo aluno do Colégio Salesiano de Arouca e que evocou com saudade e alguma emoção os belos tempos que aí passou e a formação que aí recebeu, tendo realçado a presença do espírito salesiano em Arouca mesmo depois do encerramento do Colégio Salesiano em 1982.

Avelino Costa, que já foi Presidente Nacional dos Antigos Alunos Salesianos, proferiu uma pequena palestra sobre a história deste movimento referindo a sua importância como maneira de difundir na sociedade os valores ligados ao método educativo de D.Bosco, 200 anos após o seu nascimento.

O Pe. Rocha Monteiro, na qualidade de Delegado Nacional da Família Salesiana, realçou também a importância e responsabilidade  que cabe, na sociedade, a todos aqueles que foram marcados pelo espírito de D.Bosco. Aproveitou também para apresentar o CD “Agarra o sonho” editado no âmbito das comemorações do bicentenário do nascimento de D.Bosco e que é composto por 12 canções subordinadas a este tema.

Colégio Salesiano de Arouca

Neste evocar do passado que encontros como este sempre trazem à memória, foi muito oportuna a apresentação do livro “Colégio Salesiano de Arouca” feita pelo seu autor, Pe. José Rogério  Almeida.

Embora de uma maneira muito rápida, porque o tempo urgia, o Pe. Rogério fez uma passagem pelos diversos temas incluídos nesse livro que apresenta curiosos dados sobre as longas diligências efetuadas, desde 1947, pela Congregação Salesiana até que em 1960 teve lugar a abertura do Colégio-seminário de Arouca.

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Baseado fundamentalmente em documentos retirados do Arquivo da Congregação esta obra representa um excelente subsídio para a história dos Salesianos em Arouca, ajudando a compreender toda a morosa preparação para a sua chegada em 1960, bem como a sua saída, 22 anos depois.

Após esta rápida apresentação teve lugar a celebração da Eucaristia, precisamente no local outrora ocupado pela “capela dos Salesianos”, e onde foram utilizadas parte das alfaias litúrgicas de outrora, incluindo o altar, o sacrário, os castiçais e algumas imagens.

Brilhantemente positiva pela animação musical que veio trazer a esta celebração eucarística, presidida pelo Provincial dos Salesianos, Pe.Artur Perera, foi a presença do coro de Ponte de Telhe, curiosamente dirigido por um antigo aluno salesiano, o Dr.Albino Martins.

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A árvore do bicentenário

Este encontro terminou com uma expressiva homenagem a D.Bosco neste bicentenário do seu nascimento, através da deposição de um ramo de flores pelo Delegado Nacional da Família Salesiana junto ao busto de D.Bosco, inaugurado em 2007 no parque municipal de Arouca por D.Ximenes Belo que, embora de uma forma muito discreta, como é seu timbre, nos quis dar a honra de estar presente neste encontro.

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Seguiu-se a plantação da “árvore do bicentenário” ao lado do busto e que foi feita conjuntamente pelo vereador da Câmara Municipal de Arouca, Dr.Marcelo Pinho e pelo Provincial dos Salesianos.

A árvore oferecida pela Câmara  foi um pequeno azevinho escolhido, não só pelo facto de contribuir para o enriquecimento da flora daquele parque, por ser a única espécie, mas sobretudo, pelo significado que se lhes quis atribuir e que ficou expresso numa pequena etiqueta amarrada ao seu pequeno tronco por um jovem elemento dos ADS do Centro Juvenil Salesiano.

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Nessa etiqueta, além de uma breve descrição sobre o azevinho (ilex aquifolium) ficou o significado dessa pequena árvore alusivo ao bicentenário do nascimento  de D.Bosco:

“No verde permanente das suas folhas, a perenidade do método educativo de D.Bosco, 200 anos após o seu nascimento.

No vermelho dos seus frutos, a paixão de D.Bosco pela educação dos jovens e salvação das suas almas.

Nas suas raízes escondidas na terra, a humildade de D.Bosco que, ao chegar ao fim dos seus dias ,confessou que tudo foi obra de Maria Auxiliadora: “Foi Ela quem tudo fez”!”

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Foi com este expressivo gesto que encerrou este encontro de pessoas que, algumas delas há mais de meio século, ficaram para sempre marcadas pelo espírito de D.Bosco.

O cântico “Pai e mestre dos jovens” entoado por todos os presentes à volta do busto foi a chave musical que selou,  de forma expressiva, essa marca bem  visível no rosto de todos os participantes.

Podemos assim dizer que, décadas depois do seu encerramento, o Colégio Salesiano voltou, neste dia, a ganhar vida e dinamismo com o entusiasmo e a saudosa evocação do passado que os participantes neste encontro puderam viver, percorrendo os espaços outrora ocupados na sua infância e juventude.

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No imaginário colectivo de todos e nas vivências individuais de cada participante o Colégio Salesiano de Arouca voltou a ganhar vida no passado dia 4 de Julho, 33 anos após o seu encerramento.

José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº363  de 10 de julho 2015

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REPOSIÇÃO DO BUSTO DE D.BOSCO

por jcerca em 28 de Junho de 2015

busto vandalizado

Depois de derrubado do seu pedestal na noite de sexta para sábado do dia 18 de Abril, o busto de S.João Bosco, localizado no parque municipal de Arouca, desde 2007, voltou a ser colocado no sitio, em condições de melhor segurança, no passado dia 25 de Junho.

Este busto que constitui uma das marcas da passagem dos Salesianos por Arouca onde trabalharam desde 1960 a 1982, foi inaugurado no dia 25 de Fevereiro de 2007 pelo Bispo Salesiano e prémio Nobel da paz, D.Ximenes Belo.

Inauguração do busto

Com o vandalismo a que foi sujeito a base que encimava o pedestal do busto ficou danificada tendo de ser substituída por uma outra em pedra mais dura. Por sua vez, a base do próprio busto foi reforçada com um aro em ferro, e foram usadas  buchas vulcanizadas,  de modo que a sua recolocação oferecesse melhores condições de segurança, do que aquelas que tinha inicialmente.

Refira-se que todo este trabalho de recolocação foi feito por elementos da Direção do Centro Juvenil Salesiano, com apoios das empresas Farcimar e da Arouconstrói.

No próximo sábado, dia 4 de Julho, durante o encontro de Antigos alunos salesianos, a realizar no Convento de Arouca e integrado nas comemorações do bicentenário do nascimento de D.Bosco, será plantada a “árvore do bicentenário” nas proximidades do busto agora recolocado.

José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº362  de 2 de julho 2015

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