NATAL SOLIDÁRIO – Ajude-nos a ajudar

por jcerca em 10 de Novembro de 2015

MJS1

Tal como tem acontecido em anos anteriores, o Grupo de Jovens ADS/CLUBEBOSCO  do Centro Juvenil Salesiano de Arouca vai este ano  realizar mais uma campanha de recolha de produtos alimentares, roupas, brinquedos e outros objetos que possam ainda ter utilidade para outras pessoas ou famílias  mais carenciadas.

Pensamos que uma época de crise pode também ser motivo para promover e pôr à prova a solidariedade das pessoas que, por vezes, convivem com situações de carência que até podem passar despercebidas ou ignoradas.

Nesse sentido, se alguém tiver conhecimento de casos de famílias ou de pessoas verdadeiramente carenciadas agradece-se que façam chegar essa informação ao Centro Juvenil, no sentido de, no momento da distribuição, puderem também ser contemplados com este gesto de justiça social e de solidariedade humana.

Ajude-nos a ajudar, na certeza de que todo o material recolhido será entregue a pessoas ou famílias de reconhecida necessidade.

As ofertas para esta campanha podem ser entregues na sede do Centro Juvenil  Salesiano (Parque Milénio) ou na loja Conclase (Edifício Comboio).

O Grupo do MJS do Centro Juvenil Salesiano de Arouca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº379  de 13 de novembro de 2015

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“Torre dos Mouros”

por jcerca em 24 de Outubro de 2015

Da degradação à habitação

Integrado na Jornada de Arqueologia  que decorreu no passado dia 16 de Outubro, subordinada ao tema “Arqueologia como contributo para o desenvolvimento”, organizada pela Arq4all (Arqueologia para todos) em colaboração com o Arouca Geopark, a Câmara Municipal e o Centro de Arqueologia de Arouca, teve lugar, na parte da manhã, uma visita a alguns monumentos situados no vale de Arouca, nomeadamente o  Memorial de Santo António, o Casal Romano da Malafaia em Várzea e a Torre dos Mouros, em Lourosa de Campos. Todas estas visitas foram acompanhadas cientificamente pelo Dr. António Manuel Silva do Centro de Arqueologia de Arouca que foi comunicando aos participantes  importantes dados históricos sobre cada um desses arqueo-sítios.

Também chamada de Torre Medieval, Torre Mourisca ou Torre dos Mouros de Lourosa de Campos, este edifício único no concelho de Arouca, é possuidor de uma longa história que remonta  ao séc. XII.

Torre dos mouros em Lourosa de Matos

De forma quadrangular e com 3 pisos, esta torre, contendo elementos góticos, juntamente com algumas características militares defensivas, nomeadamente seteiras e mata-cães, pertenceu a Soeiro Nunes “militar de Caambra” que a empenhou ao Mosteiro de Paços de Sousa através de escritura feita a 27 de março de 1264.

Segundo Simões Júnior, a entrega definitiva desta torre a este Mosteiro foi feita em 10 de Março de 1283.

Após a divisão da Mesa do Mosteiro de Paços de Sousa em abacial e conventual, esta torre passou para a posse dos Jesuítas e, posteriormente, para posse da Universidade de Coimbra que acabaria por a vender, passando, deste então, para o domínio particular até hoje.
Apesar de algumas tentativas por parte da Câmara Municipal de Arouca, e não obstante a sua importância histórica, este imóvel que se encontra inventariado no plano director Municipal, nunca foi objecto de classificação, encontrando-se actualmente em grande estado de degradação.

Adulteração e degradação

O edifício actual é uma reconstrução que se julga poder remontar a finais do séc.XIV, mas que já sofreu algumas adulterações, em época incerta, nomeadamente com a criação, de uma escadaria em pedra na fachada poente, com acesso ao segundo piso, através de uma antiga janela, transformada agora em porta, dando a ideia errada de ser essa a fachada principal da torre, quando, na verdade, a frente original da torre é o seu lado nascente, onde se encontra a entrada principal, em arco ogival com acesso ao 1º piso.

Entulho acumulado no 2º piso.

Constituindo esta torre uma das mais notáveis edificações medievais do Concelho de Arouca, é lamentável o estado de degradação a que chegou, muito embora tenham existido, no passado, algumas diligências feitas pela autarquia junto dos proprietários, no sentido da sua aquisição e restauro, mas que nunca encontraram grande abertura por parte dos mesmos.

Na recente visita efetuada no âmbito da Jornada de Arqueologia puderam os participantes constatar o estado de degradação em que esta torre se encontra.

Com grande parte do telhado já caído, as madeiras do 2º e 3º piso, já completamente apodrecidas, ameaçam ruir de vez, com o peso da lixeira e do entulho que se foi acumulando. A ameaçar cair está também a ombreira de uma janela do 3º piso aberta para a fachada principal.

Estado atual do telhado

 

A existência de um pequeno canil por baixo da referida escadaria, construída em data incerta e a construção de um curral, colado na fachada nascente, mesmo ao lado da porta principal, são lamentáveis adulterações que em nada respeitam nem dignificam o valor histórico desta rara torre medieval.

Da degradação à habitação

Parcialmente descaracterizado e em adiantado estado de degradação parece que esta torre vai ser, finalmente, recuperada para habitação.

Tivemos conhecimento que um projecto para esse efeito foi apresentado, pelos proprietários, nos Serviços municipais, tendo sido já aprovado em 2014, sem quaisquer condicionantes.
Entretanto, o Centro de Arqueologia de Arouca, ao ter conhecimento desse projecto, enviou um ofício à Câmara Municipal a informar não só da importância desse monumento, como também a aconselhar o acompanhamento arqueológico para as obras a virem a ser efetuadas no âmbito desse projecto.

Estado de uma das janelas da fachada principal.

Na verdade a eventual execução das obras de reabilitação poderão ser uma excelente ocasião  e oportunidade única não só para restituir as suas características originais como também para se efectuarem escavações  e registos fotográficos que contribuam para o estudo desta centenária torre.

Sem pretender pôr em causa as obras de recuperação, foi essa a preocupação do Centro de Arqueologia de Arouca ao enviar esse ofício à Câmara Municipal de Arouca, pois entende que tais obras deverão ter acompanhamento  arqueológico.

Embora esta torre continue no domínio privado e apesar de nunca ter sido objecto de classificação como imóvel de interesse público ou municipal, o que aliás, mereceria, dadas as suas características e a sua longa história, parece-nos que o projecto de reabilitação para fins de habitação já aprovado será, apesar de tudo, uma boa ocasião para salvaguardar este monumento da sua inevitável degradação e recuperar as adulterações de que já foi vítima ao longo dos tempos.

Aspeto da porta principal

Apesar de se encontrar desde há séculos no domínio privado, esta torre medieval desde sempre tem merecido o interesse e a curiosidade, por parte de muita gente, a ponto de os proprietários terem colocado à entrada da quinta onde ela se situa, uma placa indicativa de domínio privado.

Espera-se que com a sua recuperação, mesmo que seja para habitação privada ou de turismo rural, a importância desta torre mourisca continue viva no imaginário colectivo dos arouquenses, já que fará sempre parte do seu rico e ancestral património histórico.

José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº377  de 30 de outubro de 2015

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“HISTÓRIAS DE AROUCA”

por jcerca em 22 de Setembro de 2015

Decorreu no passado dia 19 de setembro na Loja Interativa de Turismo a apresentação de “Histórias de Arouca”, uma publicação, não em forma de livro tradicional, mas em folhas separadas, em tamanho A3 e reunidas numa capa enlaçada.

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Recolhidas durante o ano lectivo de 1994-95 por alunos do 9º e 10º ano, num projecto orientado pela professora Maria Antónia Soares dos Reis Brandão, natural de Arouca e a leccionar então na Escola Secundária de Arouca, estas histórias só agora, passados 20 anos, vieram a público.

Surgidas de um projecto que visava a preservação dos valores da cultura intergeracional estas histórias foram recolhidas pelos alunos junto de pessoas mais idosas, quer da família, quer da localidade em que residiam.

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Das muitas histórias recolhidas foram seleccionadas 12, escolhendo-se, sobretudo, as que se referiam a Arouca, as que tinham um carácter menos pessoal e que, ao mesmo tempo, apresentavam uma narrativa mais completa.

No dizer da autora desta pequena antologia, “são histórias de lobos, de mouros e mouras, de bruxas, de santos, tão intemporais como o medo, a coragem, o mistério, o amor e a santidade que lhes deram origem”.

Bouceguedim, Moldes, Urrô, Tropeço, S.Mamede, Vila Viçosa, Espiunca e Canelas são alguns dos nomes e lugares de freguesias de Arouca referidos nestes pequenos contos em que o real se mistura com o fantástico e que vieram contribuir para a preservação do acervo do património oral de Arouca.

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Todas estas histórias foram ilustradas com aguarelas do artista plástico Pedro Avelar que no decorrer da apresentação da obra foi explicando cada uma delas.

No final da apresentação foi entregue aos alunos que fizeram as respectivas recolhas um exemplar desta obra que, no dizer da autora, poderá constituir um ponto de partida para um inventário mais completo das Histórias de Arouca.

José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº373  de 02 de outubro de 2015

 

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AMANTES DA FOTOGRAFIA, APAIXONADOS PELA NATUREZA

por jcerca em 13 de Setembro de 2015

Caminhada do Movimento Fotográfico de Arouca

Não haverá muitos amantes da fotografia que não sejam apaixonados pela natureza, como dificilmente haverá apaixonados pela natureza que não gostem de levar consigo uma máquina fotográfica que lhes permita registar em pixéis trechos da natureza que, por qualquer motivo, tenham captado a atenção das suas retinas.

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E a caminhada que o MFA organizou para os seus associados, no passado dia 12 de Setembro, através da “Rota  das Tormentas” foi a prova mais evidente desta estreita ligação entre os amantes da fotografia e os apaixonados pela natureza.

Percorrendo montes e vales, atravessando rios e aldeias, subindo e descendo  carreiros e vielas, por todo o lado por onde passavam,  iam os participantes nesta caminhada recolhendo, através de sucessivos disparos fotográficos, pedaços da natureza observados pelo ângulo que a sensibilidade observadora de cada previamente definia.

E se o percurso era, por vezes, íngreme, cada um ia caminhando ao ritmo que a observação  e a fruição pessoal da natureza ia determinando.A

E vencida com grande sucesso a “Rota das Tormentas”, graças ao entusiasmo, ao clima de alegre convívio e de sã camaradagem, todos regressaram a casa com um abundante espólio fotográfico recolhido, plenamente satisfeitos com mais esta actividade promovida pelo MFA para os seus associados e que, uma vez mais, permitiu aliar a paixão da fotografia com a saudável fruição da natureza.

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José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº371  de 18 de setembro 2015

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OS PASSADIÇOS E A ENCICLICA DO PAPA FRANCISCO

por jcerca em 8 de Setembro de 2015

Desde que os passadiços foram inaugurados a 20 de Junho, facultando assim o acesso a belezas naturais que envolvem o rio Paiva e que até então estavam inacessíveis à grande maioria das pessoas, dois acontecimentos, de âmbito ambiental e ecológico, aconteceram por parte da Igreja Católica.

O primeiro foi a publicação, da Encíclica “Laudato Si”, inteiramente dedicada à questão ecológica e em que o Papa Francisco defende uma mudança no relacionamento da humanidade com o ambiente.

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O segundo foi a criação pelo Papa Francisco do “Dia mundial de oração pelo cuidado da Criação” que passou a ser celebrado a 1 de Setembro de cada ano, não só pela Igreja Católica como também pela Igreja Ortodoxa.

Com a instituição deste dia o Papa Francisco, na sequência da sua Encíclica, manifesta   as suas preocupações pelo futuro da criação e chama a atenção para o papel de protetores da criação que todos devem ter, ao mesmo tempo que motiva e promove atitudes de agradecimento a Deus pela obra maravilhosa que Ele confiou ao nosso cuidado.

Através destes dois recentes acontecimentos se vê a preocupação que a Igreja Católica tem pela preservação da Natureza, não apenas no mero sentido ecológico, mas promovendo também uma atitude de respeito pelos dons da Criação.

Sendo a encíclica “Laudato Si” o primeiro documento da Igreja expressamente dedicado ao tema da ecologia, tal facto contribuiu já para que o Papa Francisco fosse considerado um “embaixador da causa da conservação da Natureza”, alertando os responsáveis políticos para a ambição desmedida e para o egoísmo descontrolado face aos recursos que a natureza nos oferece.

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É por isso que o Papa, na sua encíclica, foca a responsabilidade humana na degradação ambiental, muitas vezes posta ao serviço do poderio económico e do consumismo, o que faz com que “esta terra onde vivemos se torne realmente menos rica e bela e cada vez mais limitada e cinzenta”.

Na esteira do pensamento franciscano e do seu amor pela natureza e por todos os seres criados, o Papa Francisco considera, nesse seu documento, que “todo o universo material é uma linguagem do amor de Deus, do seu carinho sem medida por nós. O solo, a água, as montanhas: tudo é carícia de Deus”.

Os passadiços e a fruição da natureza

O investimento feito com a instalação dos passadiços ao longo de 8 km do percurso do rio Paiva, entre a praia do Areinho e a praia fluvial da Espiunca (Arouca), pretendeu permitir o acesso a sítios que rodeiam o curso do rio Paiva,  inacessíveis à grande maioria das pessoas, permitindo-lhes assim usufruírem não só da beleza do rio “menos poluído da Europa”, como também das belezas que acompanham o seu percurso.

passadiços_rio Paiva

Sendo a natureza um enorme dom do Criador para ser usufruído por todos, tal como o Papa Francisco bem sublinhou na sua mais recente encíclica, têm surgido, no entanto, algumas posições adversas à instalação dos passadiços, argumentando que eles vieram adulterar o estado puro da natureza.

Considerando que tal instalação foi feita com os maiores cuidados ambientais, de modo a não perturbar ou agredir em demasia a paisagem natural, parece-nos que a maior parte dos críticos dos passadiços poderão enfermar de um certo fundamentalismo ecológico, alicerçado numa visão egoísta que visa impedir que muita gente usufruísse das belezas da natureza que emolduram o rio Paiva ao longo desse percurso. E a avalanche de pessoas que têm procurado os passadiços desde que estes foram inaugurados tem sido deveras surpreendente.A

É certo que a fruição da natureza não será muito compatível com turismo de massas que, por vezes, perturba o ambiente e impede a sua fruição calma e serena com recurso a todos os nossos cinco sentidos. Infelizmente, em situações de massificação humana, há muita gente que calcorreia os passadiços, mas não observa, nem admira aquilo que merece ser contemplado e não apenas visitado.

Nota fúnebre

Estávamos nós a acabar de escrever este texto quando tivemos conhecimento do grande incêndio que deflagrou na freguesia de Canelas e Espiunca na tarde do dia 7 de setembro. De imediato nos veio à mente o receio de que os passadiços pudessem ser atingidos por esse devastador incêndio. E a verdade é que, pouco tempo depois, começavam a surgir nas redes sociais fotos e vídeos com os passadiços a arder.

PaSSADIÇOS A ARDER

Os numerosos comentários que imediatamente surgiram na sequência da propagação dessa notícia mostram bem a tristeza, a revolta e a desolação que este incêndio causou, não só em todos os arouquenses, como também em todos aqueles que prezam a fruição da natureza.

PaSSADIÇOS A ARDER3

É natural que a maior parte dos comentários estejam marcados pela emoção de tristeza e revolta que a destruição de parte dos passadiços em todos causou, mas não nos devemos esquecer que antes deles serem atingidos pelo fogo, possivelmente criminoso, uma boa parte da natureza envolvente foi pasto das chamas. E se repor a parte dos passadiços queimada será relativamente fácil e rápido, repor a natureza desaparecida no pasto das chamas é bem mais difícil e levará muito mais tempo.

PaSSADIÇOS A ARDER2

É por isso que natureza e passadiços do rio Paiva estão, neste momento, de luto e nesta nota fúnebre vai a tristeza, a mágoa e a indignação por tal acontecimento que, presumivelmente, terá tido mão criminosa.

Esperemos que a investigação já iniciada encontre as causas de tal tragédia ambiental.

José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº370  de 11 de setembro 2015

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