ESCOLAS VISITAM AROUCA

por jcerca em 13 de Março de 2013

Arouca e o seu Geoparque têm sido destino escolhido por numerosas escolas, não só da Grande Área Metropolitana do Porto, como do País, para visitas de estudo, direcionadas não só ao património natural e paisagístico, como também ao património geológico e histórico deste Concelho. Aliás as mais de 3 mil visitas ao novo Centro de interpretação ambiental das Pedras Parideiras na Serra da Freita, desde que foi inaugurado, em 3 de Novembro passado, provam  a atração que o Geoparque Arouca tem tido junto das comunidades escolares.

IMGP8233 (Cópia)O Mosteiro de Arouca e o Museu de Arte Sacra nele instalado desde 1933 tem sido destino privilegiado da maior parte das escolas que visitam Arouca.

No passado dia 12 de Março mais de uma centena de alunos da Escola E.B.2,3 Sophia de Mello Breyner de Arcozelo e da Escola Secundária Inês de Castro de Canidelo, Vila Nova de Gaia, visitaram o Mosteiro de Arouca, um dos principais geossítios do Arouca Geoparque.

Tendo sido recebidos conjuntamente no cadeiral do Mosteiro de Arouca pelo Juiz da Real Irmandade, prof. Dr. Arnaldo Cardoso de Pinho que lhes forneceu alguns dados históricos sobre este Monumento nacional, os visitantes puderam, de seguida, apreciar a magnífica sonoridade do órgão ibérico, datado de 1743, através de um miniconcerto executado pelo Dr.Ivo Brandão.

IMGP8248 (Cópia)

Após esta receção musical seguiu-se a visita, por grupos alternados, aos espaços conventuais e ao Museu de Arte Sacra, à guarda da Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda, instituição criada em 1886, para guarda e preservação do valioso espólio do extinto Mosteiro de Arouca, após a morte da última freira.

Inaugurado a 27 de novembro de 1933, este rico Museu fará este ano 80 anos de existência.

José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº248 de 15 de março de 2013

{ 0 comentários }

POETA DO AMOR E DA SANTIDADE

por jcerca em 11 de Março de 2013

CG_poeta do amor e da santidade      Morreu com 35 anos de idade, quando muito se esperava, não só do seu talento poético e da sua promissora criação literária, como também do seu fecundo sacerdócio.

            Num dos últimos dias da sua vida, sentindo aproximar-se a hora da sua partida confessou: «Tenho pena de morrer tão novo; queria ser poeta do amor e da santidade».

            2417Ocorrendo no dia 26 de março deste ano o 50ºaniversário da partida para a sua “Primavera” tantas vezes evocada em numerosos dos seus poemas, será oportuno evocarmos a vida e a obra de Cassiano Guimarães, poeta e sacerdote da Congregação Salesiana.

            Foi numa dessas manhãs primaveris de Março que a sua tão suspirada Primavera nasceu finalmente para ele. A sua “Primavera”, a sua “Madrugada eterna de ventura”, a sua “Manhã de Mimosas” a sua “Primavera de Deus”, tão liricamente cantada pela sua rara sensibilidade, não eram para ele mais do que o símbolo metafórico da Primavera Metafísica, da Esperança de Sião, da Eternidade que a manhã de 26 de Março de 1963 lhe veio finalmente abrir, em Bagaúste, na linda região do Douro.

            O seu belo soneto “Madrugada” é, certamente, o prenúncio bem expressivo desse dia:

Senhor, findou‑se a noite. . . É dia! É dial!
Bate‑me o Sol nos olhos! Madrugada!
Quanta folha no chão, morta, calada,
Como depois de austera ventania!. . .

Senhor, findou‑se a noite!. . .É dia! É dia!
Na árvore despida, abandonada,
Cantam as andorinhas de alegria
O despertar da nova Madrugada!!

Senhor, longe de Ti, que int’ressa a vida?!
Noite de um sonho, uma ilusão perdida
Que busca, busca sempre e nunca espera…

Senhor, Senhor, sou Teu! Toma‑me inteiro!
Fugiu a noite! Foi‑se o cativeiro!
É madrugada! É vida! É primavera!!
             

     (“Manhã de Aleluia” – 57)

O homem, o poeta, o sacerdote     

            cassianoCassiano Guimarães nasceu em Medrões, Santa Marta de Penaguião, a 19 de Novembro de 1927. Cedo sentiu a atração pela vida sacerdotal. Frequentou o Seminário menor de Poiares da Régua, o Noviciado em Mogofores, tendo em 1949 feito a profissão perpétua, na Congregação Salesiana. Cursou Filosofia no Estoril e teologia em Becford (Inglaterra). Inteligência e grande bondade tornaram-no querido dos colegas, superiores e amigos. Foi ordenado sacerdote em Mogofores em 31 de Maio de 1953.

“Gastei 15 anos! Minha mocidade,
Para hoje nesta pedra descansar!
Que int’ressam sacrifícios e renúncias,
A aridez e a luta,
Se, enfim, toquei, meu Deus, no Teu altar?…”

             A chegada de Cassiano Guimarães ao sacerdócio é descrita pelo poeta com um sentimento de grande humildade de quem, embora sentindo-se indigno, pretende fazer dessa meta atingida “uma vereda humilde de ascensão”.

            Ser uma “vereda humilde de ascensão” para os homens seus irmãos foi essa a missão do poeta-sacerdote Cassiano Guimarães. E foi-o não só pelo seu ministério sacerdotal, mas também, e há-de continuar a sê-lo, pela sua poesia que é bem um eco da sua alma de apóstolo, que sente e sofre dentro de si, a descrença da pobre humanidade, cada vez mais perdida na sua autossuficiência, cada vez mais afastada de Deus e dos valores do Evangelho.

            2420Como sacerdote que é, Cassiano Guimarães exprime em muitos dos seus poemas a angústia, a preocupação e a tristeza de sentir que a sociedade coloca Deus fora dos seus interesses, muitos vivem como se Ele não existisse, ou até como se ele fosse um obstáculo contra  as suas metas de uma felicidade que, afinal,  jamais os deixará verdadeiramente felizes, porque procurada longe de Deus. É por isso que ele se interroga:

“Senhor, longe de Ti, que interessa a vida?”

            Para o poeta preocupam-no os homens de hoje, num vaivém contínuo, atarefados pelos seus numerosos afazeres, que já não têm tempo de parar e pensar naquilo que, ao fim e ao cabo, os espera: Deus, a Outra Vida, a Eternidade.

            E numa ânsia grande de fazer refletir essa pobre humanidade, o poeta, vai-se colocar numa encruzilhada, qual “estranho sinaleiro”, a mandar “parar a gente toda, os carros a passar a toda a brida”.

E fui-me colocar na encruzilhada
Onde passavam todos os caminhos
Que se perdem no mundo desta vida…
E fiquei lá o dia inteiro
No centro, como estranho sinaleiro…
E mandava parar a gente toda,
Os carros a passar a toda a brida…
A todos perguntava para onde iam.
E todos me diziam que à cidade,
Ao campo, à fonte, à feira, ao jogo, à caça,
Ao baile, à festa, a um não sei quê sem fim…
E ao fim do dia, quando o Sol partiu,
Pus-me a escutar na encruzilhada, só,
Os ecos desta vida
Que a noite, ao longe, adormecia em mim…

E ao luar…. o Santo Peregrino
Da Pátria de Além-Mundo,
Pus-me a chorar nas contas do meu terço
A pobre Humanidade….
No pó levada do vaivém da vida
Cega, lá ia, em barulhenta lida
Sem se lembrar de Deus, da Eternidade….

( “O Mundo em Mim”- 64)

 O mar e a rocha

            Artista da palavra que tão sedutoramente a sabe utilizar; criador de imagens e de comparações que tão artisticamente embelezam os seus poemas, Cassiano Guimarães, na sua relação com Deus sente-se uma rocha, ora acariciada pelas ondas do mar, ora batida pela fúria das marés:

Tu foste o Mar, meu Deus, e eu fui a rocha…
Tu tinhas força em Ti para me desunires,
Para me destruíres,
E não quiseste…
Foste tentando aos poucos…
Às vezes,
Em noites de luar,
Passaste-me carícias,
Beijaste-me,
A ver se me abrandavas,
E não pudeste…
Mas outras vezes,
Em ira paternal,
Bateste-me zangado,
E eu crispei-me, finquei-me… e endureci
Como um coral…

Por muito tempo andaste…,
Por muitos anos…
Assim…
Não qu’rias que dezenas de pedaços
Se despregassem
Mortos… de mim !…

O que esperavas, Tu, ó Mar, meu Deus,
De mim, da rocha,
Não era a sujeição;
O Teu amor, que em fúria lhe batia,
Dela só qu’ria
Uma entrega de amor,
A rendição!

E um dia,
Tanto bateste,
Que enfim desmoronei…
E caí vivo em cinco pedregulhos
No fundo do Teu seio, onde acabei…

Fiquei em Ti…
Absorvido em Ti…
Eu já não era eu…
Os cinco pedregulhos de mim mesmo
Ficaram jogas
Que Tu rolas, rebolas sobre a areia
Nesse tão louco amor que me rendeu!…

( “O Mundo em Mim”- 14,15)

A peneira

             Apenas com 35 anos de vida, 10 de sacerdócio, morreu muito cedo o Pe. Cassiano Guimarães. Cedo mas rico porque soube dar-se totalmente, sem reservas, a Deus e aos irmãos, na generosidade dos seus 16 anos.

            É símbolo expressivo desta ânsia de doação o seu poema tão simples e,  ao mesmo tempo, tão encantador, “A peneira”, no qual, através de belas metáforas, Cassiano exprime a simplicidade da doação e o desapego à vida, querendo fazer dela apenas uma peneira nas mãos de Deus:

SENHOR, eu quero ser
Nas Tuas mãos
Uma peneira…
E leva-me, Senhor, de eira em eira…
Que ela a todos dê branca farinha
E fique só com palha, coitadinha…
De eira em eira…, de irmão a irmão…,
Criva, Senhor, meu pobre coração.
Peneira-o bem, Senhor, peneira-o bem,
Que a todos dê por Ti tudo o que tem.

Se nem lugar me derem nas choupanas,
Se em paga me espetarem de praganas,
Só Te peço que não deites ao chão
A peneira com que tens crivado pão.
Que maior paga enfim me podes dar
Que sem prémio algum Te qu’rer amar ?…
E assim… sofro, Senhor, e em gozo abundo
Por nada achar em paga neste mundo !…

(“O Mundo em Mim”- 26,27)

A vida e a morte em Cassiano Guimarães

            Apaixonado pela vida, Cassiano Guimarães viu, a um determinado momento da sua curta existência, os seus projetos confrontarem-se com inevitável morte que chegaria demasiado cedo, interrompendo assim abruptamente todos os seus sonhos.

            2418Pela leitura dos escritos que Cassiano nos deixou facilmente nos apercebemos deste dualismo que é frequente ao longo da sua obra e que o coloca entre o desejo de concretizar um vasto conjunto de sonhos e a consciência que tinha dos inesperados limites da sua existência.

Mesmo assim, e não obstante os sonhos, os desejos e os projetos que tinha construído para a sua vida, a morte nunca lhe meteu medo.

Prova disso são um conjunto de 30 poemas que ele escreveu sobre este tema e que foram coligidos em “Ciprestes”, embora nunca tivessem sido publicados.

Trata-se de um conjunto de belíssimos poemas, repassados de uma fina sensibilidade existencial e que são escritos pelo poeta ”para lembrar ao Mundo a Eternidade” (4). Nesses poemas o poeta exprime“ânsias de infinito” (17), saudades “desse Além sem fim”(14 e 15), ou desejos pela chegada desse “Eterno Dia” (25)

Presente em quase todos os poemas que constituem este “Ciprestes”, a morte é uma constante temática subjacente em todos eles.

Mas ao contrário do comum dos mortais, para Cassiano Guimarães a morte é simplesmente o “fim de uma estrada” e o regresso “aos braços de Meu Pai nesse outro Mundo” (25), no “Reino da Ventura” (32).

A escrita ao serviço da evangelização

2419             Para Cassiano Guimarães a sua atividade literária era como que um autêntico prolongamento da sua atividade pastoral, como dedicado sacerdote e exímio orador que era.

            Pressentindo a chegada da sua partida deixa numa das páginas do seu Diário  este desabafo:

            “Tenho para aqui originais a encherem‑se de pó, enjoados da espera. Gostaria imenso de fazer carreira literária, dar aos outros a pequena mensagem da minha arte, a que o Senhor me deu; levar a fome de Deus nos meus livros, comunicar às almas de tantos outros irmãos este mundo interior onde todos os caminhos vão dar às portas de Deus, a este outro mundo que está nas margens de lá. Paciência. Até a esta satisfação de escrever tenho de renunciar….”

E numa outra passagem manifesta este seu desejo:

«Tenho entre a papelada vários manuscritos. Creio que poderão fazer algum bem, se vierem a ser impressos. Bem gostaria de continuar o apostolado da pena como poeta, mas o Senhor parece que vem chamar‑me. Só peço uma coisa: que publiquem os inéditos”.

             Morrendo apenas com 35 anos de idade, Cassiano Guimarães, além de uma vasta colaboração em várias revistas, deixou publicadas várias obras em poesia: “Mundo em mim”, “Manhã de Aleluia”, ”Poemas de um  sacristão”, e “Avé-Maria”.

            Em prosa deixou “O grilo das asas de ouro” e “Contos” este no prelo.

Postumamente foram publicadas “Manhã de Nuvens” e “O que minha avó me contou”, ambas num mesmo volume.

Poemas de um sacristão

2422Vestindo a roupagem literária de um simples sacristão de aldeia, cujos versos se encontram fechados, desde há muito numa gaveta, Cassiano Guimarães, com os seus “Poemas de um Sacristão “pretende fazer destes seus versos, aliás como de toda a sua obra literária, um outro púlpito.

Orador fluente, pregador nato que dava gosto ouvir, o Pe. Cassiano faz dos poemas deste sacristão apelos veementes à conversão de vida, gritos de profeta contra a indiferença religiosa, num mundo cada vez mais secularizado e em que o avanço da descristianização o preocupa já.

Cassiano Guimarães era um homem apaixonado, um sacerdote generoso, idealista que albergava dentro de si um coração enorme capaz de abraçar o Mundo inteiro. E esse desejo traduz-se em frequentes versos apelativos que o poeta grita ao Mundo na ânsia de o levar a endireitar os caminhos do Senhor, qual profeta a pregar no deserto da indiferença religiosa, do laicismo, do materialismo e da descristianização.

E é através dos seus versos quais sermões poéticos destinados a um público arredado do seu púlpito, que Cassiano Guimarães quer também chegar.

Ó vivos, vivos, loucos, insensatos,
Rádios, conquistas, prémios, descobertas,
Livros, jornais, anúncios e revistas,
Barulho, agitação, pó, movimento!
Para quê tudo isso, irmãos, irmãos,
Se tudo é sombra, sombra de outra vida,
Se tudo é fumo e pó que leva o vento?…

(“Poemas de um sacristão” – 69)

E o seu diagnóstico para a situação em que a Humanidade vive, leva o poeta a apontar o afastamento de Deus e a ausência da paz de Deus no coração do homem como a causa principal de tantos males que torturam e desorientam este Mundo:

Ó meus irmãos, o que dá guerra e crimes,
Tormentos, suicídios e prisões,
Nada mais é que a escravidão do vício,
A tenebrosa noite das paixões!
Não é dinheiro o que no mundo falta,
Não é a fome que tortura o mundo,
Não é doença nem miséria, não!
O que tortura o mundo é a ausência amarga
De Deus de tantos lares, de tantas almas. . .
É a paz de Deus que falta ao coração.

(“Poemas de um sacristão” – 76)

            Grilo_capaCinquenta anos se passaram. No entanto, a sua mensagem continua atual, a sua poesia continua fresca e viva para afinar a nossa sensibilidade. É que Cassiano Guimarães deixou-nos na sua obra uma mensagem, “uma mensagem de certeza, de luz, de paz, uma mensagem de verdade e de sentido no caos de tanta poesia modernista. Uma mensagem que todos entendem, porque é a de um poeta que fala com a linguagem do coração e a humildade dos simples”.

            Tendo despertado para Cassiano Guimarães, há 50 anos, a sua “Madrugada eterna de ventura”, é lá, onde a “Madrugada é sempre madrugada” que certamente ele se encontra, dando largas à poesia infinita numa “sinfonia etérea de mil fontes” nos “eternos roseirais da Vida”. Que saibamos desfrutar da sua mensagem, ainda tão atual, através da obra literária que nos deixou.

José Cerca

{ 0 comentários }

FOTO DO ANO

por jcerca em 12 de Fevereiro de 2013

Um raio sobre o VaticanoEsta foto espetacular está a correr mundo nas redes sociais, recebendo as mais diversas interpretações. Na tarde de ontem,  dia que passará à história com o inesperado anúncio da resignação do Santo Padre, uma violenta trovoada rebentou em  Roma. O fotógrafo  Alexander Di  Meo, fotografou um  relâmpago mesmo sobre a cúpula de São Pedro no Vaticano. A foto, ao ser tirada e divulgada precisamente no dia do anúncio da resignação do Papa, adquiriu certamente um notável  valor simbólico, passível de muitas leituras. E são numerosas as interpretações e os significados que lhe estão a ser atribuídos, em toda esta rede social e mesmo na comunicação social.Há quem tenha posto em causa se não se tratará de uma montagem ou se a data não será falsa, mas as dúvidas desfizeram-se perante a existência de uma outra imagem semelhante tirada de um outro angulo, por um outro fotógrafo italiano, Filippo Monteforte  e difundida pela Agência France-Press  que a divulgou também na rede social.
Trucagem, manipulação fotográfica, sinal divino? são algumas das questões que têm surgido face a esta tão intrigante como bela foto.
Como uma foto vale mais do que mil  palavras e é passivel de mil e uma interpretações aqui a partilhamos.
José Cerca
Para quem tiver dúvidas sobre a autenticidade desta foto veja este vídeo:

http://www.bbc.co.uk/news/world-europe-21421810

A história desta fotografia contada pelo seu autor:

http://fotografiatotal.com/a-verdade-das-fotografias-do-raio-que-caiu-sobre-o-vaticano

[clique para continuar…]

{ 0 comentários }

A RESIGNAÇÃO DO PAPA

por jcerca em 11 de Fevereiro de 2013

 Um inesperado gesto de coragem, de humildade e de amor à Igreja

            A notícia caiu como uma bomba nas redes sociais e rapidamente se espalhou por todo o ciberespaço ecoando, de imediato, na comunicação social de todo o Mundo: Bento XVI acabara de anunciar a sua resignação.

            O próprio antigo Secretário de Estado do Vaticano e decano do Colégio Cardinalício, o cardeal Angelo Sodano, ao receber esta surpreendente decisão do Papa,  comparou o anúncio da sua resignação a um “trovão em céu sereno”.

            Bento XVI em fátima 2010Foi certamente “uma decisão de grande importância para a vida da Igreja” esta que o Papa anunciou aos cardeais reunidos em Consistório na 2ªfeira, dia 10 de fevereiro de 2013.

            Os motivos invocados pelo Papa foi ter a certeza de que as suas  forças, “devido à idade avançada, já não são idóneas para exercer adequadamente o ministério petrino”.

            Um gesto de coragem mas  também de muita humildade do Cardeal Ratzinguer ao reconhecer que, perante um mundo sujeito a rápidas mudanças e agitado por questões de grande relevância para a vida da fé, lhe começa a faltar “o vigor quer do corpo, quer do espírito” para governar a barca de São Pedro, anunciar o Evangelho e para administrar bem o ministério que lhe foi confiado.

            Esta decisão do Cardeal Ratzinguer, além de corajosa e portadora de uma grande humildade é também um gesto de amor à Igreja, a quem ele dedicou toda a sua vida, não apenas como Papa, mas como Cardeal de grandes responsabilidades na Cúria romana e, sobretudo, como grande pensador e conceituado teólogo cujo pensamento se impôs ao respeito  de todos.

            A renúncia de Bento XVI, foi uma decisão inesperada que veio criar uma situação rara no governo da Igreja Católica em que era habitual o novo Papa suceder ao anterior por morte do mesmo. Certamente que foi uma decisão difícil mas muito pensada e da qual a inspiração do Espírito Santo não estará ausente!

            Recorde-se que na longa história da Igreja já houve cinco casos de renúncia, sendo o Papa  Gregório XII o último Papa a resignar em 1415, para acabar com o grande cisma do Ocidente, em que se chegou à insólita situação de haver três pretendentes papais.

Um Papa que surpreendeu o Mundo

            Com quase 86 anos de idade , o Cardeal Ratzinger foi escolhido para Papa a 19 de Abril de 2005, no conclave convocado para a escolha do  sucessor de João Paulo II, devendo manter-se em funções até às 20,00 horas do dia 28 de Fevereiro de 2013, data a partir da qual será  convocado um Conclave para a eleição do novo Sumo Pontífice.

Bento XVI e os jovens

            Recebido então com algum ceticismo na opinião pública, alimentado por determinada comunicação social que apenas acentuava  o seu aspeto  de  conservador, colocando-o na “linha dura” da Igreja, a verdade é que Bento XVI acabaria por surpreender muitos desses céticos e o mundo em geral, revelando-se  um homem do seu tempo que  abriu a Igreja ao diálogo inter-religioso, assumindo mesmo a humildade em pedir desculpa por erros da Igreja cometidos no passado.             Não sendo fácil para qualquer  Cardeal, fosse ele qual fosse, suceder a uma pessoa tão carismática, como o foi o  beato João Paulo II, a verdade é que, nos quase oito anos de governo à frente da Igreja, Bento XVI, não obstante a sua idade, mostrou estar à altura do cargo que lhe caiu sobre os seus ombros, conseguindo mesmo criar respeito e simpatia em setores que inicialmente lhe eram adversos.

            Rios de tinta, exprimindo torrentes de opiniões, irão correr pela comunicação social de todo o mundo, quer sobre este Papa, quer sobre o seu sucessor. Os média irão seguramente alimentar esse rio informativo e opinativo. No entanto, não devemos esquecer, sobretudo para quem tem fé, que a escolha do Chefe da Igreja Católica assenta em premissas que a tornam diferente de qualquer outra eleição para cargos, quer sejam políticos, religiosos ou sociais.

            É que a eleição de qualquer Papa para sucessor de Pedro no governo humano da Igreja Católica  assenta  nesta premissa do seu fundador: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.” (Mateus 16,18).

 José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº244 de 15 de fevereiro de 2013

 

{ 0 comentários }

EVENTOS 2013

por jcerca em 8 de Fevereiro de 2013

Câmara Municipal de Arouca seleciona Eventos Ancora

                Com o objetivo de coordenar, a nível concelhio,  a grande quantidade e diversidade de eventos organizados pelas diversas Associações e demais entidades concelhias, a Câmara Municipal de Arouca promoveu, no passado dia 5 de fevereiro, uma reunião, na Biblioteca Municipal e para a qual foram convidadas todas as Associações do Concelho.

IMG_5346                Por parte da Câmara estiveram presentes o sr. Presidente, eng. Artur Neves e a vereadora da Cultura, Drª Margarida Belém.

                Além de procurar evitar, dentro do possível, a sobreposição de eventos , o objetivo principal deste encontro foi, de entre os numerosos  eventos, propostos pelas diversas associações, selecionar  um ou dois por trimestre, atribuindo-lhes o estatuto de Evento Ancora, de modo a que, com o apoio da Câmara, se consiga organizar grandes eventos, com a duração de 3 ou 4 dias e que consigam atrair a Arouca mais público, não só do concelho, mas da Grande Área Metropolitana do Porto e mesmo a nível nacional.

                Com a criação destes Eventos Ancora, sem prejuízo de outros eventos estratégicos ou mesmo de eventos complementares, propostos pelas numerosas associações concelhias, pretende-se dar um bom contributo para a economia local, através da criação de pacotes hoteleiros para tais eventos, contribuindo, ao mesmo tempo, para a promoção do turismo cultural, bem como do turismo de natureza  e divulgação dos produtos gastronómicos da região.

EVENTOS ANCORA

                De entre os diversos eventos estratégicos e complementares, foram selecionados para Eventos Ancora o Desfile de Carnaval, conjuntamente com a Feira do Fumeiro e da Orelheira (a designação poderá vir a ser outra)a ter lugar durante 3 ou 4 dias do próximo ano, por altura do Carnaval.

                Para o segundo trimestre deste ano foi escolhido como Evento Ancora “Cister, saberes e sabores” a organizar pela Anima Património, com o apoio da Câmara e da Real Irmandade, a ter lugar durante 4 ou 5 dias, por altura da festa da Rainha Santa Mafalda e do feriado municipal.

                Para o terceiro trimestre, além da tradicional Feira das Colheitas, foi escolhido como Evento Ancora a Recriação Histórica que terá lugar de 12 a 14 de julho com o envolvimento das Associações concelhias.

                Finalmente, para o último trimestre deste ano o Festival da Castanha foi o evento escolhido como Evento Ancora, pretendendo-se, através dele, não só a organização de diversas atividades culturais e recreativas, como também o escoamento de produtos locais, nomeadamente a castanha.

IMG_5347

                Parece-nos que esta estratégia, proposta pela Autarquia, de escolher um dois eventos por trimestre como Eventos Ancora, em colaboração com os seus proponentes e o indispensável apoio financeiro e logístico da Câmara, será uma excelente maneira de promover as diversas potencialidades do nosso território, atraindo a ele mais público e fomentando, ao mesmo tempo, o desenvolvimento da economia local.

José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº244 de 15 de fevereiro de 2013

 

{ 0 comentários }