VISITA A AROUCA SOB O OLHAR DA RAINHA SANTA MAFALDA

por jcerca em 3 de Fevereiro de 2013

Comunidades cristãs da Figueira da Foz visitam o Mosteiro

 Além das visitas individuais ou de pequenos grupos que se dirigem a Arouca para visitar o seu Mosteiro, surgem por vezes visitas organizadas, quer por  escolas, associações, instituições da 3ª idade, quer também por paróquias.

No passado sábado, dia 2 de fevereiro, um significativo grupo de pessoas das comunidades paroquiais de Buarcos e de Quiaios, acompanhados do seu pároco, o Pe. Carlos Augusto Noronha Lopes, visitaram o Mosteiro de Arouca e o seu Museu de Arte Sacra.

IMG_4316Acolhidos no cadeiral do Mosteiro com uma pequena receção musical dada pelo Dr. Ivo Brandão, permitindo assim aos visitantes  apreciarem as potencialidades sonoras deste órgão ibérico datado de 1743, seguiu-se uma saudação e uma breve explicação sobre a história do Mosteiro e do seu Museu de Arte Sacra dada pelo Juiz da Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda, prof. Dr. Arnaldo Cardoso de Pinho.

Depois da vista aos espaços conventuais e ao Museu seguiu-se a celebração festiva da Eucaristia concelebrada pelo Pe. Carlos Lopes e pelo Cónego Arnaldo   Pinho.

Rainha_Santa_Mafalda_Buarcos (1)De referir que esta visita ao Mosteiro de Arouca destas comunidades cristãs da zona da Figueira da Foz encerrou o triangulo de anteriores visitas ao Mosteiro de Celas, em Coimbra e ao Mosteiro de Lorvão, em Penacova, conduzindo assim estes visitantes  através de espaços de silêncio e de recolhimento, outrora ocupados pelas  3 filhas do nosso segundo rei de Portugal, D.Sancho I: as beatas Sancha, Teresa e Mafalda.

Pormenor curioso é que esta visita ao Mosteiro de Arouca foi acompanhada por uma linda imagem em madeira da Rainha Santa Mafalda pertencente ao oratório de um padre de Viseu e que o pároco destas comunidades comprara a um antiquário em Lisboa, há alguns anos, impedindo assim que este ícone religioso saísse do país.

Colocando a Rainha Santa Mafalda, de quem é especial devoto, entre as figuras de S.Bernardo e de S.Bento, o Pe. Carlos, na homilia que proferiu, realçou o importante papel desta figura emblemática do Mosteiro de Arouca, na sua fidelidade à pureza da regra monacal, o que a levou a ser a protagonista na mudança da ordem beneditina para a ordem de Cister na sua comunidade, quando  aqui viveu  no sec XIII.

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Os numerosos mosteiros que existem em Portugal e no Mundo são um valioso legado religioso, artístico e patrimonial da Igreja à humanidade e constituem, desde sempre, um dos maiores motivo de interesse de toda a atividade turística e um importante polo de desenvolvimento das localidades em que estão implantados, como é o caso de Arouca.

José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº243 de 08 de fevereiro de 2013

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D.DOMINGOS DE PINHO BRANDÃO

por jcerca em 30 de Janeiro de 2013

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Bispo e investigador arouquense

            Se fosse vivo teria feito 93 anos no passado dia 9 de janeiro.

            Natural  da casa do Outeiro, da freguesia de Rossas, D.Domingos de Pinho Brandão é uma das personalidades arouquenses que se notabilizou, a nível nacional, não apenas como bispo, mas sobretudo como investigador  no campo da história da arte, da arqueologia e da epigrafia, ciências onde deixou uma assinalável produção literária. Desenvolveu ainda um importante trabalho no campo da Museologia tendo organizado  vários museus, nomeadamente o Museu de Arqueologia e Arte Sacra do Seminário Maior do Porto, o Museu de Arqueologia da Faculdade de Letras, o Museu Diocesano de Arte Sacra de Leiria e ainda o Museu de Arte Sacra de Arouca, do qual foi Diretor, durante vários anos.

            Tendo frequentado os Seminários do Porto formou-se em Teologia  na Universidade Gregoriana, em Roma, cidade onde foi ordenado sacerdote, na basílica de  S. João de Latrão, a 24 de Abril de 1943.

            A 29 de janeiro de 1976 é ordenado bispo auxiliar de Leiria.

            Além de professor na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, foi Reitor do Seminário Maior do Porto  e também  membro de várias agremiações literárias e científicas, entre elas a Academia Nacional de Belas Artes e a Academia Portuguesa da História.

            Pelo seu meritório trabalho no campo da ciência e da cultura D.Domingos de Pinho Brandão foi agraciado com diversas condecorações, não só por parte do Município do Porto, onde foi Bispo auxiliar, como também pelo próprio Governo.

Biblioteca D.Domingos de Pinho Brandão

            Figura relevante no âmbito da ciência, da arte e da cultura, D.Domingos de Pinho Brandão foi também o penúltimo Juiz da Real Irmandade, cargo que exerceu desde 2 de janeiro de 1977 até à sua morte, tendo-lhe sucedido o atual Juiz, Prof. Dr, Arnaldo Cardoso de Pinho.

            Tendo falecido a 22 de Agosto de 1988, ocorrerá este ano o 25º aniversário da sua morte. Nesse âmbito, a Real Irmandade e o Centro de Estudos D.Domingos de Pinho Brandão irão organizar, durante o presente ano, as respetivas comemorações, com um programa a anunciar oportunamente.

            Estando em posse da Real Irmandade, desde há muitos anos, o rico e variado espólio que  D.Domingos lhe doou, espera-se que ele possa ficar acessível ao público durante o presente ano, quando for inaugurada a Biblioteca D.Domingos de Pinho Brandão, a ser instalada no Mosteiro de Arouca, no antigo salão de festas dos Salesianos e cujo projeto e respetiva memória descritiva estão já em fase final.

            Depois de ter o seu nome perpetuado em Arouca, na respetiva Alameda no topo da qual está o seu busto da autoria da escultora Irene Vilar, a futura Biblioteca será, certamente, a marca mais relevante e condigna para assinalar a memória e o importante papel, na ciência e na cultura deste bispo e investigador arouquense, no ano em que ocorrerá o 25º aniversário da sua morte.

José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº242 de 01 de fevereiro de 2013


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ESCOLA VICARIAL DE FORMAÇÃO CRISTÃ

por jcerca em 20 de Janeiro de 2013

 Os desafios do Concílio Vaticano II

                Com a presença do sr. Bispo do Porto, D.Manuel Clemente, teve início do dia 18 de janeiro, no Salão paroquial de Mansores,  o primeiro de 9 encontros que constituem o Curso deste ano, centrado no Concilio Vaticano II.

                Ocorrendo este ano o 50º aniversário do Concilio Vaticano, os temas a serem abordados, ao longo destes encontros, centrar-se-ão nos quatro  grandes documentos saídos deste Concílio, nomeadamente, sobre a Igreja (Lumen Gentium), sobre a Revelação (Dei Verbum), sobre a Liturgia (Sacrossantum Concilium) e sobre a relação Igreja e o mundo contemporâneo (Gaudium et Spes).

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                Iniciando a abordagem ao tema com uma atitude muito pedagógica, o Bispo do Porto começou por fazer uma breve referência aos 21 concílios ecuménicos realizados até hoje na Igreja, apresentando também alguns dados curiosos sobre o Papa João XXIII que o iniciou a 11 de Outubro de 1962.

                Depois de referir os quatro grandes documentos (Constituições pastorais) saídos deste Concilio, D.Manuel escolheu 5 pontos da Constituição “Alegria e Esperança” (Gaudium et Spes) para falar da extraordinária importância deste Concílio nomeadamente sobre as relações entre a Igreja e o Mundo contemporâneo.

                Efetivamente neste documento a Igreja dirige-se não apenas aos cristãos, mas a todos os homens, abarcando em si “as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem”.

                Alguns dos encontros desta Escola Vicarial decorrerão alternadamente em Arouca e Vale de Cambra, tendo lugar em Mansores os encontros comuns a ambas as comunidades cristãs.

                O próximo encontro terá lugar nos dias 24 e 25 de janeiro, respetivamente em Vale de Cambra e Arouca e abordará o documento conciliar sobre a renovação da Liturgia, a cargo do Dr. João Peixoto e do beneditino Fr.Bernardino Costa.

José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº241 de 25 de janeiro de 2013

Publicado no semanário “Voz Portucalense” nº4 de 23 de janeiro de 2013

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DIA DE REIS COM MÚSICA E ARTE

por jcerca em 7 de Janeiro de 2013

            Um dos objetivos para que a Real Irmandade Rainha Santa Mafalda de Arouca, foi criada em 1886, além de promover anualmente a festa da padroeira de Arouca e preservar o valioso espólio guardado no Museu de Arte Sacra, foi também o de dinamizar culturalmente os espaços conventuais, quer através de concertos, quer por meio de exposições.

    Grupo de cramois do Conjunto etnográfico de Moldes      

                E isso, de facto, aconteceu na tarde do dia de Reis, com um “Concerto de órgão, polifonia e arte” que teve lugar em dois dos mais emblemáticos espaços conventuais: o cadeiral e a sala do capítulo.

            No cadeiral, um espaço todo ele emoldurado de arte, e no qual se destaca, pela sua imponência e monumentalidade, o órgão ibérico datado de 1743, foram interpretadas, pelo organista titular, Nicolas Roger, várias peças de diversos compositores dos secs.XVII e XVIII. 

Grupo de cramois do Conjunto Etnográfico de Moldes

           

                Após o concerto de órgão, seguiu-se a componente polifónica que  contou com a participação do grupo de Cramois do Conjunto Etnográfico de Moldes  e do Grupo Coral da Juventude de Sanguedo, dirigido pelo seu maestro Dr. Jorge de Amim Fernandes. E como estávamos em dia de Reis estes grupos interpretaram, entre outros, vários temas natalícios que encantaram todo o público com o ecoar polifónico e harmonioso das suas vozes.

            Depois da entrega de um ramo de rosas ao organista e aos representantes dos grupos que graciosamente atuaram neste concerto, quis o Grupo Coral da Juventude de Sanguedo, através do seu diretor, ofertar aos restantes intervenientes uma lembrança, assinalando assim a sua atuação neste emblemático espaço conventual.

            Terminado o concerto, seguiu-se uma visita à exposição “Da anunciação à redenção” patente na Sala do Capítulo e que era composta por um conjunto de peças de escultura de José Rodrigues e de algumas das suas serigrafias.

Diretor do Grupo Coral de Sanguedo entregando lembrança à Real Irmandade .
                Este dia de Reis, cultural e artístico, terminou com um momento gastronómico, na Cozinha do Mosteiro, oferecido pela Real Irmandade aos grupos participantes.

José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº239 de 11 de janeiro de 2013

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Códice polifónico de Arouca

por jcerca em 6 de Janeiro de 2013

Estudo e transcrição em tese de mestrado

            O Códice polifónico de Arouca é um valioso documento musical que se encontra  guardado, no Museu de Arte Sacra de Arouca, ao lado de muitos outros manuscritos musicais de grande valor documental e histórico, à espera, desde há vários anos, de melhores condições de exposição ao público.

            Trata-se de um livro de música polifónica copiado originalmente entre a primeira e segunda décadas do século XVII, para ser usado pelas freiras do Mosteiro de Arouca nos ofícios litúrgicos desta comunidade cisterciense.

            De entre os vários livros musicais guardados no Museu de Arte Sacra é considerado o único do mosteiro de Arouca com reportório exclusivamente polifónico, contendo peças de destacados compositores ibéricos dos séculos XVI e XVII, ligados sobretudo a Évora, a Coimbra e ao Brasil.

            O material deste manuscrito composto por 103 fólios, distribuídos por catorze cadernos, é em papel de linho, com encadernação de carneira castanha.

Duas das páginas do Códice polifónico de Arouca

Tese de mestrado

            Descoberto em 1947 pelo monge beneditino Dom Mauro Fábregas, este livro tem merecido, desde então, a atenção de vários estudiosos da musicologia nacional e internacional, bem como outros antifonários do precioso espólio do Museu de Arte sacra, entre os quais existe um contendo a peça polifónica mais  antiga, conhecida em Portugal.

             O estudo mais recente  foi levado a cabo pela Drª  Ana Delfina Xavier de Paiva de Sá Carvalho, com ligações familiares a Arouca e que escolheu este códice polifónico para tema da sua tese de Mestrado em Ciências Musicais, Variante de Musicologia Histórica, realizada  na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas  de Lisboa.

            Depois de um largo período de estudo e transcrição de grande parte deste Códice musical polifónico teve lugar, no passado dia 20 de dezembro, na referida Faculdade da Universidade de Lisboa a defesa deste trabalho de investigação, que mereceu, por parte do júri, a classificação de 20 valores.

            Este estudo, além de permitir estabelecer a existência de uma prática musical rica, com destaque para a polifonia e para a utilização de instrumentos, pelas próprias monjas do Mosteiro de Arouca, muito contribuirá também para dar a conhecer e valorizar o valioso espólio musical, à guarda da Real Irmandade, no Museu de Arte Sacra de Arouca.

 José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº239 de 11 de janeiro de 2013

Publicado no semanário “Voz Portucalense” nº2 de 09 de janeiro de 2013

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