Arnaldo de Pinho, uma referência para a cultura atual

por jcerca em 15 de Outubro de 2012

“O Prof. Arnaldo de Pinho tornou-se uma referência de verdadeira inteligência e sabedoria para a cultura atual”
(D. João Lavrador, bispo auxiliar do Porto)

Promovida pela Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda de Arouca, realizou-se no passado domingo, dia 14 de outubro, uma homenagem pública ao Prof.Dr.Arnaldo de Pinho, Juiz daquela instituição desde 1988.

Além de Juiz desta centenária Instituição, tendo substituído no cargo a D.Domingos de Pinho Brandão, o Dr. Arnaldo é também Presidente do Cabido da Sé do Porto e professor Catedrático da Faculdade de Teologia da Universidade Católica, recentemente jubilado.

Foram, pois, numerosas e oriundas de diversos quadrantes, as pessoas que quiseram associar-se a esta homenagem a um homem ligado ao pensamento, à cultura e à religião.

Constituição da mesa da sessão solene

Homem da Igreja

O primeiro momento desta homenagem teve lugar na igreja do Mosteiro de Arouca, com uma Celebração solene da Eucaristia presidida pelo Bispo auxiliar do Porto, D.João Lavrador. Esta celebração foi animada pelo Grupo Coral de Urrô, acompanhado ao órgão de tubos pelo seu organista titular, Nicolas Roger e transmitida pela Rádio Regional de Arouca.

Na sua homilia, D.João Lavrador, ao referir-se ao homenageado, como homem e professor sensível à condição do ser humano e sobretudo, no que diz respeito à sua relação com a cultura atual, afirmou que “a sua capacidade para ler os sinais da sociedade contemporânea, o modo como sabe distinguir o essencial do supérfluo, e, a partir daí, empreender um diálogo com todas as pessoas, revela verdadeiramente o espírito de um humanismo cristão, tão necessário para colocar a Igreja ao serviço da pessoa e da sociedade”

Como homem da Igreja que reconhece que a comunidade cristã é chamada a oferecer ao mundo o Evangelho em atitude de diálogo franco e aberto, D. João Lavrador afirmou que o Professor Arnaldo de Pinho “amou a sabedoria e cresceu na inteligência, sem nunca deixar de encantar pela proximidade e abertura para qualquer pessoa, qualquer que fosse a sua condição”.

O Cristo do escultor Jose Rodrigues

Sessão solene

Após o almoço, que reuniu à volta da mesa cerca de 160 pessoas, teve inicio a sessão solene no amplo refeitório do Mosteiro de Arouca. Além do homenageado, faziam parte da mesa o Dr. Jorge Cunha, na qualidade de Diretor da Faculdade de Teologia da Universidade Católica do Porto, a Arq. Paula Silva, Diretora Regional da Cultura do Norte, o Presidente da Câmara, Eng. Artur Neves, e o prof. José Quaresma, Vice-Juiz da Real Irmandade.

Na sua breve intervenção o Presidente da Câmara cruzou a vertente agrícola e bucólica com a vertente intelectual do homenageado que “nunca deixou de ter Arouca presente em si” tendo sempre acompanhado de uma forma “discreta, sábia e ponderada o desenvolvimento desta terra”. E concluiu que “Arouca continua a precisar de homens da têmpera do Dr. Arnaldo”.

Por sua vez, o Dr. Jorge Cunha, focou a sua intervenção mais na obra do que na pessoa do homenageado, centrando-se na análise do 1º volume sobre a obra teológica de Arnaldo Pinho, considerando que o seu percurso teológico, de grande atualidade e robustez de pensamento, inaugurou um novo modo de fazer Teologia em Portugal. Um Teologia que parte da vivência e não da teoria; uma Teologia que é sabedoria para a vida; uma Teologia que dá importância pública ao saber teológico com real importância para o mundo atual; uma Teologia que, além de ser um guia da pastoral da Igreja, aposta no diálogo com a cultura e a vida real das pessoas; uma Teologia, enfim, orientada para a promoção das pessoas, a partir do conhecimento de Jesus Cristo.

O retrato do homenageado do pintor Jose Maia

Depois desta síntese esquemática do pensamento teológico de Arnaldo de Pinho, foi a vez do Prof. Dr. Manuel Joaquim Moreira da Rocha, da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e coordenador desta homenagem, proferir uma palestra sobre “O Homem do Pensamento. Começando por fazer uma breve retrospetiva da criação da Real Irmandade em 1886 e dos objetivos que presidiram à sua criação, Moreira da Rocha referiu-se à importância do Mosteiro de Arouca “prenhe de cultura, arte e religião” que queremos preservar como um “verdadeiro legado para as gerações vindouras”. Um Mosteiro que, graças a muitos intervenientes, continua “em diálogo com o tempo presente”, sendo simultaneamente, “um polo irradiador de cultura”. E um desses intervenientes tem sido também o Dr. Arnaldo de Pinho, como Juiz da Real Irmandade desde 1988.

Arte e cultura

Durante a sessão de homenagem várias foram as entidades que fizeram questão de oferecer ao homenageado algumas peças de arte. Além da Câmara, que ofereceu uma peça de porcelana com pintura à mão referente ao Mosteiro de Arouca, também a Fundação José Rodrigues, através de José Vieira, em nome do escultor, quis fazer a entrega de um “Cristo” em bronze ao homenageado que, por sua vez, o ofereceu ao Museu de Arte Sacra de Arouca.

O publico na sessão solene no refeitorio do Mosteiro de Arouca

Por sua vez, a Real Irmandade fez a oferta de um retrato do homenageado da autoria do pintor José Maia que, numa breve apresentação, explicou as características principais dessa obra e cujo destinatário fez questão de oferecer para a galeria dos Juízes da Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda.

Antes das palavras de agradecimento do homenageado teve lugar a declamação de um poema pelo poeta Fernando Echevarría dedicado ao Dr. Arnaldo de Pinho e ainda um momento de violino por Sara Ferreira, da Fundação do Conservatório de Gaia.

A sessão de autografos do seu 1º volume

Seguiu-se uma sessão de autógrafos do 1º de 5 volumes das “Obras escolhidas de Arnaldo de Pinho” numa edição da Universidade Católica.

Esta sessão de homenagem terminou com um Concerto público no cadeiral do Mosteiro de Arouca composto pela atuação do Orfeão de Arouca, acompanhado ao órgão ibérico por Nicolas Roger e pelo Grupo de Metais da Banda Musical de Arouca, sob a direção de Ivo Brandão.

E foi assim com um excelente concerto musical, executado num magnífico espaço em que a arte, a cultura e a religião se encontram íntima e harmoniosamente interligadas que se encerrou a homenagem ao “homem do pensamento”, (Manuel Joaquim Rocha), ao orador, pedagogo, teólogo e humanista (José Maia) que é Arnaldo de Pinho, 7º Juiz da Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda, desde que foi criada em 1886 para que se impedisse o saque do espólio do extinto convento e simultaneamente se cuidar, anualmente, do culto à Rainha Santa Mafalda.

O concerto musical no cadeiral do Mosteiro de Arouca

José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº227 de 19 de outubro de 2012

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D. Barwa em Arouca

por jcerca em 10 de Outubro de 2012

Arcebispo de Cuttack-Bhubaneswar, Orissa, India

São frequentes, na comunicação social, as notícias sobre as ameaças do fundamentalismo islâmico, ou de radicais hindus, aos cristãos em muitos países do Mundo, sobretudo naqueles em que os cristãos estão presentes em minoria. Registos de prisões, de igrejas queimadas e episódios diversos de cristãos alvo de agressões e de ataques, são quase diários nos média.

 

D.John Barwa, Arcebispo de Cuttack-Bhubaneswar, Orissa, India

O Arcebispo John Barwa da Diocese de Cuttack e Bhubaneswar, ambas no Estado de Orissa, na India é uma pessoa que pode testemunhar o ambiente difícil que as comunidades cristãs enfrentam para testemunharem e viverem a sua fé em sociedades de minoria e em ambiente de hostilidade.

Este bispo representa perfeitamente o que significa ser uma minoria na Índia de hoje, pois ele pertence a duas minorias. No segundo estado com a maior população do mundo, depois da China, onde 73,1% segue o Hinduísmo, D. Barwa é de etnia tribal (os povos indígenas na India estão mesmo fora do sistema de castas, que articula a sociedade indiana, ficando numa situação de exclusão total) e é católico (como apenas 2,3% da população).

Estas comunidades sabem muito bem o que significa ser uma minoria frente ao fundamentalismo. Os ataques de hindus radicais, que começaram no Natal de 2007 e atingiram o clímax em Agosto de 2008, provocaram a morte de cerca de 100 pessoas. Foram expulsos 50.000 cristãos e ficaram destruídas quase 5.000 casas, bem como inúmeras igrejas e edifícios eclesiásticos.

É como pastor dessas minorias que D. Barwa visita Portugal, de 12 a 28 de Outubro. “Apesar da terrível perseguição que sofremos, sinto-me orgulhoso de participar neste sofrimento. Isto tornou-nos mais fortes. Somos pobres, mas somos a luz do mundo. Visitei pessoas que me dizem que perderam as suas casas e as suas famílias… mas que não perderam a fé. Por isso, sinto-me orgulhoso.” “A nossa fé cresceu depois dos ataques; as dificuldades não nos conseguiram separar de Jesus.”

D. Barwa estará em Arouca no dia 27 de outubro, na Igreja do Convento de Arouca para dar o seu testemunho sobre a perseguição dos cristãos em muitas partes do mundo e sobre a vivência da fé cristã em ambientes de minoria, de hostilidade e de perseguição religiosa.

A presença deste Bispo indiano em Arouca será acompanhada da Diretora da Fundação “Ajuda à Igreja que sofre”, eng. Catarina Martins e  assinalará a abertura de uma exposição itinerante sobre a perseguição aos cristãos, a percorrer algumas das comunidades paroquiais da Vigararia de Arouca-Vale de Cambra, durante todo o mês de Novembro.

Esta exposição organizada pela “Ajuda à Igreja que sobre”, integra-se no Ano da Fé e é uma iniciativa do Centro Juvenil Salesiano de Arouca, com a colaboração da Vigararia de Arouca-Vale de Cambra e da Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda.

José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº227 de 19 de outubro de 2012

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UM APELO DRAMÁTICO

por jcerca em 8 de Outubro de 2012

Encontra-se afixado em números postes de iluminação pública, desde a Feira das Colheitas, na Vila de Arouca. Escrito à mão, com letra razoavelmente legível, embora com alguns erros de ortografia  e colado com cola de sapateiro, este apelo chamou-nos a atenção pela expressão do drama que, eventualmente, estará por detrás dele.

Trata-se do apelo de um pai a favor do seu filho, que, segundo afirma,  “corre risco de vida” por estar em condições desumanas no Centro Prisional de Santa Cruz do Bispo.

E em forma de denúncia, dá algumas informações sobre a situação do seu filho, dizendo que “está junto com fumadores, drogados e marginais” numa prisão com cerca de 600 pessoas.

Considerando que as pessoas nessa prisão estão como “numa lata de sardinhas” e são tratadas ”como se fossem bichos”, compara essa prisão a um “campo de concentração de nazis”, onde as pessoas estão amontoadas em pequenas repartições e nas quais “fazem as suas necessidades, como se fossem bichos”.

Tanto o nome do pai como do seu filho constam nesta folha afixada em diversos postes espalhados pela Vila de Arouca.

Numa segunda edição, afixada posteriormente, aparece já a foto do filho a cores, antes de ser preso e a foto depois de estar sujeito ao regime prisional. O objetivo destas fotos é para assinalar as transformações que o filho sofreu na prisão e que até são visíveis no seu rosto.

É por isso mesmo que este segundo cartaz se refere à “justiça assassina” que está a destruir a vida do seu filho e revela mais alguns pormenores relativamente aos tratos a que tem sido sujeito na prisão, a ponto de apelidar de “carrascos” os guardas responsáveis por esses tratamentos desumanos.

Refere ainda que já fez queixa às entidades e que pediu para levar o seu filho a um médico particular, mas “nada fazem”. “Estão à espera que o meu filho morra!”- desabafa assim este pai.

Embora tenha sido lido por numerosas pessoas, não quisemos deixar de lhe dar eco, aqui neste jornal, de modo a que, sendo verdade, esta notícia possa, de qualquer modo, alertar as autoridades responsáveis por graves situações como a descrita neste apelo-denúncia.

José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº226 de 12 de outubro de 2012

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No próximo domingo, dia 14 de outubro, por ocasião do 2º dia do irmão, a Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda de Arouca vai realizar uma homenagem ao Prof.Dr. Arnaldo de Pinho.

Além de Juiz desta centenária Instituição, desde 1988,tendo substituído no cargo a D.Domingos de Pinho Brandão, o Dr. Arnaldo é também Presidente do Cabido da Sé do Porto e professor Catedrático da Faculdade de Teologia da Universidade Católica, recentemente jubilado.

Além da Celebração Eucarística na igreja do Mosteiro de Arouca, presidida pelo Bispo auxiliar do Porto, D.João Lavrador e animada pelo Grupo Coral de Urrô, acompanhado ao órgão de tubos pelo seu organista titular, Nicolas Roger, com transmissão em direto pela Rádio Regional de Arouca, no programa da homenagem consta também um almoço de homenagem e convívio no antigo refeitório do Mosteiro.

A sessão solene propriamente dita da homenagem terá lugar na Sala do Capítulo e constará de uma palestra sobre “O homem do pensamento”, da entrega de um retrato do homenageado oferecido pela  Real Irmandade, da oferta de um “Cristo” pela Fundação José Rodrigues e por um momento musical pela Fundação do Conservatório de Gaia.

Seguir-se-á o lançamento do livro “Obras escolhidas de Arnaldo de Pinho” numa edição da Universidade Católica.

A sessão terminará com um Concerto público no cadeiral do Mosteiro de Arouca composto pela participação de Nicolas Roger, Ivo Brandão, Quinteto de Metais da Banda Musical de Arouca e Orfeão de Arouca.

Para esta sessão foram convidadas diversas individualidades, não só de Arouca, como da Universidade Católica e do âmbito do relacionamento do homenageado.

José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº226 de 12 de outubro de 2012

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ANO DA FÉ

por jcerca em 4 de Outubro de 2012

No próximo dia 11 de outubro  de 2012 iniciar-se-á em todo o mundo católico o “Ano da Fé”, convocado por Bento XVI para assinalar o 50º aniversário do Concílio Vaticano II e o 20º aniversário da promulgação do Catecismo da Igreja Católica. O objetivo deste Ano da Fé, que terminará a 24 de Novembro de 2013, é fortalecer a fé dos católicos e atrair o mundo à fé através do seu exemplo.

Efetivamente, enquanto no passado era possível reconhecer-se um ambiente cultural, amplamente aceite nas suas referências ao conteúdo da fé e aos valores inspirados por ela, hoje já não parece que seja assim em vastos setores da sociedade, por causa de uma crise profunda da fé que afeta muitas pessoas. Por isso, o Papa convida “a uma autêntica e renovada conversão, ao Senhor, único Salvador do mundo”. O objetivo principal deste ano é que cada cristão “possa redescobrir o caminho da fé para testemunhar com clareza a alegria e o entusiasmo renovado do encontro com Cristo”.

Para ajudar a viver este ano o  Bento XVI  escreveu a Carta Apostólica “Porta  Fidei” para ajudar os cristãos a intensificar a celebração da fé na liturgia, especialmente no Eucaristia;  dar  testemunho da  própria  a fé; e a redescobrir os conteúdos da fé, expostos principalmente no Catecismo.

Baseado neste documento de Bento XVI numerosos têm sido as cartas pastorais escritas pelos Bispos aos fiéis da suas Dioceses convidando-os a viverem intensamente este Ano da Fé.

Na Diocese do Porto a convocação dos diocesanos para o Ano da Fé terá lugar no próximo dia 4 de novembro, iniciando-se por toda a Diocese as “Jornadas Vicariais da Fé” a partir do dia 10 de Novembro. Na Vigararia de Arouca-Vale de Cambra essas Jornadas terão lugar a 5 e 6 de Janeiro de 2013.

José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº226 de 12 de outubro de 2012

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