Universidade de Verão 2011

por jcerca em 30 de Julho de 2011

Música, cultura e gastronomia encerram 4º edição

Com a presença do Reitor da Universidade do Porto, Prof. Dr. José Marques dos Santos,  e da Vice-reitora, Prof.Drª Maria de Lurdes Correia Fernandes, do Presidente da Câmara Municipal de Arouca, eng. José Artur Neves e do Juiz da Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda, prof. Dr. Arnaldo  Pinho, teve lugar, no dia 29 de julho, na sala do capítulo do Mosteiro de Arouca a sessão de encerramento da 4ª edição da Universidade de Verão do polo Arouca-Castelo de Paiva.

Reitor da Universidade do Porto na sessão de encerramento

 

Uma parceria cultural e científica

Iniciada há 4 anos, numa iniciativa da Universidade do Porto, em parceria com a Câmara Municipal de Arouca e a Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda,  a Universidade de verão é um projeto científico, cultural e social que tem vindo a consolidar-se, de ano para ano, não só em terras de Arouca, como também noutras localidades da Grande área metropolitana do Porto.

Este ano, na sua 4ª edição e através do módulo de História da Arte, coordenado pelo prof.Dr. Manuel Joaquim da Rocha, o curso de verão estendeu-se no tempo e no espaço, tendo a duração de 5 dias e alargando-se também ao Município de Castelo de Paiva.

Foram 5 dias muito intensos, durante os quais os alunos puderam assistir e participar em 12 conferências proferidas por professores e investigadores da Universidade do Porto. Paralelamente a essas conferências que suscitaram interessantes debates entre os alunos, realizaram-se visitas a diversos espaços, quer em Arouca, quer em Castelo de Paiva, no âmbito do tema geral do curso “Espaços, modos de viver e habitar – arquiteturas e paisagens”

Arquiteturas e paisagens

Um curso intensivo como este e, para mais, realizado em plena época de verão, tinha forçosamente que ser completado e amenizado com diversas visitas que forneceram aos alunos interessentes perspetivas práticas e contextualizadas nos espaços visitados.

Assim, os espaços sagrados não apenas da igreja conventual de Arouca, como também das igrejas paroquiais de Santa Marinha de  Real, Santa Maria de Serdoura e da Igreja de Raiva, em Castelo de Paiva, permitiram fornecer aos alunos, com a orientação de professores de História da Arte da Universidade do Porto, interessantes dados históricos e artísticos que permanecem zelosamente guardados  nesses espaços e que fazem parte do património cultural, artístico e religioso de ambos os concelhos.

Visitando a aldeia da Paradinha

 

Mas as visitas não se confinaram aos espaços religiosos. Também as aldeias tradicionais da Paradinha e de Canelas  em Arouca, bem como a aldeia piscatória de Gondarém, em Castelo de Paiva, foram objeto de visita guiada, o que permitiu aos visitantes  observarem “in loco” a modelação da paisagem ao longo dos tempos, bem como compararem o património natural e o património construído.

O espaço da Música

No último dia do curso e antes da sessão de encerramento teve lugar no magnífico cadeiral do Mosteiro de Arouca um espaço dedicado à música e que foi precedido de uma breve apresentação pelo dr. Ivo Brandão. E esta apresentação impunha-se pelo facto de dois dos trechos gregorianos polifónicos interpretados pelo coro de Câmara de S. João da Madeira, pertencerem a um dos antifonários do Mosteiro de Arouca, do sec.XVII e cuja transcrição musical foi feita por Ivo Brandão.

Coro de Câmara de S.J.Madeira e Nicolas Roger

 

Com o apoio da Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda este foi, certamente, um momento alto e significativo deste curso de Verão, pelo facto de nele se ter iniciado um trabalho importante e que tem a ver com o estudo do valioso espólio musical existente nos preciosos antifonários do Mosteiro de Arouca a merecerem, desde há muito, uma cuidada atenção por quem possua competência para tal.

Os segredos do órgão de tubos

Mas este espaço da música não poderia ter ficado completo sem a atuação do órgão ibérico, datado de 1743 e cuja caixa, em talha barroca, foi executada por Manuel Bento Herrera. A sua excecional sonoridade, arrancada dos seus tubos pelo seu organista titular, Nicolas Roger, constituiu um dos belos momentos no final deste curso de verão e que a todos encantou.

Escutando atentamente o funcionamento do orgão

 

Foram momentos de muita beleza musical e de bastante curiosidade intelectual aqueles que Nicolas Roger dedicou, não só à explicação do funcionamento deste raro órgão ibérico, como também à demonstração das suas potencialidades sonoras, através da utilização de alguns dos seus 24 registos e de algumas das suas 1352 vozes.

O apoio autárquico

Uma iniciativa como esta não seria possível concretizar-se sem o imprescindível apoio logístico das Câmaras, quer no que se refere à cedência de espaços e de equipamentos para a realização das aulas teóricas, quer para apoio às visitas de estudo, facultando o necessário transporte, quer disponibilizando pessoal acompanhante.

Efetivamente, tanto em Arouca, como em Castelo de Paiva, foi extremamente valioso o apoio que alunos e professores da Universidade de Verão receberam por parte dos serviços de ambas as autarquias.

Refira-se ainda o apoio que a Associação Geoparque Arouca deu no acompanhamento científico dos alunos a dois importantes geossítios na Serra da Freita, bem como o simpático acolhimento que a dona do solar da Fisga, Fernanda Salema, manifestou na visita à sua quinta em Bairros, Castelo de Paiva. A abertura do seu solar, bem como a partilha de alguns episódios aí vividos por antepassados seus, nomeadamente por altura das lutas entre miguelistas e liberais, foi um gesto muito apreciado por todos os visitantes.

Prova de doçaria conventual nos claustros do Mosteiro de Arouca

 

Como já vem sendo habitual no encerramento destes cursos de Verão não faltou, para todos os alunos e demais convidados da Universidade do Porto, não só uma visita ao Museu de arte sacra, como também uma tentadora prova da variada doçaria conventual, oferecida pela Câmara Municipal de Arouca.

Refira-se, como nota final, que este Curso da Universidade de Verão tem vindo a adquirir um caráter internacional, tendo já acolhido nele, ao longo das quatro edições, alunos de Espanha, França e Brasil, o que representa, certamente, uma mais valia também para Arouca.

José Cerca

Publicado no “Jornal de Arouca” nº791 de 31 de julho de 2011

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Feliz e oportuna demolição

por jcerca em 27 de Julho de 2011

Não, não foi uma bomba que aqui caiu!
Foi simplesmente o início das obras da construção de um novo edifício no lugar deste onde durante muitos anos foi impresso o Jornal de Arouca e funcionou a Papelaria central, um talho e outros serviços.
Em pleno coração da zona histórica de Arouca, mesmo em frente ao nosso ex-libris, este velho edifício há muito que estava a precisar de dar lugar a outro mais condizente com a importancia do espaço que a sua localização ocupava.

Chegou agora a hora, precisamente na altura em que estará para breve o início da remodelação da zona histórica de Arouca e da avenida 25 de Abril, no âmbito do Programa Polis II.
Esperamos que o novo edifício que vai ocupar o lugar deste que agora foi desmontado e removido venha contribuir para  dignificar tão nobre espaço que a proximidade do Mosteiro lhe confere.

José Cerca

Publicado no “Jornal de Arouca” nº791 de 31 de julho de 2011

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Retalhos de teatro

por jcerca em 26 de Julho de 2011

Com uma moldura humana muita atenta e bem significativa teve lugar, no passado domingo,dia 24 de julho, na Esplanada do Parque, um espetáculo de teatro inédito levado a cabo pelo Grupo Cultural e Recreativo de Rossas.

Foram 9 “retalhos de teatro” entre rábulas bem humorísticas, danças artísticas e alguns sketches musicais cómicos que espalharam alegria e boa disposição pelo público que aí acorreu numa agradável noite de verão.

O ator Ruy de Carvalho na esplanada do parque

E entre o público, sentado a uma mesa da esplanada, encontrava-se um espetador muito especial e bem conhecido de todos os arouquenses: o actor Ruy de Carvalho.

 E ninguém melhor do que este ator profissional e um apaixonado por Arouca, de longa data, para colocar nestes “retalhos de teatro” o seu autorizado “Placet”:

- Diverti-me à brava! – confessou-nos ele no final do espetáculo, ao mesmo tempo que elogiava os artistas amadores que naquela noite e naquele ambiente informal coseram com muita alegria aqueles 9 “retalhos de teatro”, que serviram também para lhe mostrar as potencialidades e as versatilidades deste grupo de teatro amador.

E com este pano se coseu a manta de retalhos

O apoio caloroso do público e a presença atenta de um profissional do teatro com o prestígio do ator Ruy de Carvalho foram, certamente, a maior recompensa para quem teve a ideia destes “retalhos de teatro” e para quem tão divertidamente os soube coser na esplanada do parque à sombra do seu pombal, numa linda noite de verão.

"Diverti-me à brava!"

José Cerca

Publicado no “Jornal de Arouca” nº791 de 31 de julho de 2011

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Ditadura laicista

por jcerca em 23 de Julho de 2011

Tal como aconteceu em Portugal por ocasião da visita de Bento XVI em Maio de 2010 em que uma minoria de grupelhos ateístas, amplificados por determinados meios de comunicação social, pretenderam perturbar a visita do Papa a Portugal, nomeadamente com a distribuição de preservativos nos espaços por onde ele passasse ou discursasse, também agora, a pretexto da vinda do Papa a Espanha, por ocasião da Jornada Mundial  da Juventude,  a decorrer de 16 a 21 de Agosto próximo, não faltam já movimentos, geralmente  de reduzida dimensão, mas muito ampliados por certa comunicação social, que se manifestam contra  a visita do Papa a Espanha, em Agosto, para participar nas Jornadas Mundiais da Juventude, iniciadas por João Paulo II em 1985.

Uma dessas Associações que está já a liderar a contestação a essa presença de Bento XVI em Espanha é a denominada associação espanhola “Europa Laica”. Para além de contestar o dinheiro gasto com a visita do Chefe da Igreja católica, esta associação pede às autoridades que estejam “atentas” e que “atuem” no caso de Bento XVI fazer declarações que possam ser consideradas “delito contra a saúde ou ordem pública”.

Repare-se na preocupação preventiva desta Associação que pretende condicionar os temas que o Papa possa vir a abordar nesse encontro Mundial da Juventude em Madrid, tais como sejam o tema do aborto, da contraceção e dos “casamentos” homossexuais.
Com receio de que esses temas possam ser abordados por Bento XVI, esta associação pede, antecipadamente, que sejam condenadas quaisquer declarações do Papa contra formas de convivência na sociedade espanhola e contra leis aprovadas democraticamente.

Claro que a invocação da democracia para este tipo de movimentos só conta quando se trata de causas que eles defendem, muito embora não passem, quase sempre, de temas fraturantes em qualquer sociedade e que representam sempre minorias dentro dessa mesma sociedade, mas que eles defendem como se de maiorias se tratasse.

Estas preocupações, agora manifestadas por esse referido grupo laicista espanhol, num total desrespeito pela liberdade de expressão e pela liberdade religiosa, são mesmo próprios de um sistema ditatorial em que tão bem se integram esses grupos esquerdistas, para quem o respeito pela liberdade  se confina apenas à defesa e promoção da sua ideologia.

E ao pretenderem controlar o pensamento do Papa, com medo de que as suas palavras não vão, naturalmente, de encontro às suas causas fraturantes, estes grupos laicistas, estão simplesmente a pretender impor na sociedade uma ditadura laicista, que qualquer sociedade, verdadeiramente democrática, jamais permitirá, por maiores infiltrações mediáticas que tais grupos geralmente ocupam.

José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº169 de 29 de julho de 2011

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EUROPA RECUA NO ABORTO, A FAVOR DA VIDA

por jcerca em 20 de Julho de 2011

Depois da Hungria ter aprovado a sua nova constituição em Abril passado e na  qual se protege a vida desde o momento da conceção, é agora a vez da Polónia se preparar para aprovar na sua constituição idêntica medida, o que questionará também naquele País europeu o direito das mulheres ao aborto.

Mantendo afastada da comunicação social estrangeira uma campanha pró-vida os seus  promotores justificaram essa atitude com medo de que os movimentos pró-aborto do estrangeiro enviassem dinheiro para combater os esforços dos polacos.

O resultado dessa campanha foi surpreendente. Na verdade, para conseguirem a proibição total do aborto no Parlamento polaco, os promotores dessa campanha precisariam de recolher 100.000 assinaturas em três meses. Pois conseguiram obter 600.000 em apenas duas semanas. Face a esse surpreendente resultado os polacos estão confiantes que o parlamento da Polónia aprovará um histórico projeto de lei que consagrará a proteção total dos bebés no seio materno desde a sua conceção.

Para se compreender esta extraordinária recolha de assinaturas, um dos promotores da campanha refere a grande mudança cultural a favor da vida nos últimos anos, em que os polacos se colocaram fortemente a favor da total proteção da vida desde a sua conceção, graças aos incansáveis esforços dos grupos pró-vida, que têm organizado manifestações e outras campanhas para educar o povo a favor da vida.

Refira-se que  o aborto foi,  inicialmente, imposto ao povo polaco, que é profundamente católico, quando os tanques militares de Hitler invadiram  o país há 70 anos. Após o fim do nazismo veio o comunismo soviético que reforçou a sua campanha estatal a favor do aborto.

 

Esta herança do nazismo e do comunismo será derrotada, como tudo leva a crer, face à grande mobilização dos polacos contra a cultura da morte que lhes foi imposta, institucionalizando assim, com este projeto de lei, a proibição total do aborto, desde que a atual lei foi aprovada em 1993.

 José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº167 de 15 de julho de 2011

Publicado no “Jornal de Arouca” nº791 de 31 de julho de 2011

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