Quinta de S. João Bosco anima o lugar de Regada

por jcerca em 16 de Julho de 2011

Seguindo uma ideia alimentada por um sonho, alicerçado, por sua vez, num desejo algo misterioso, a verdade é que a quinta de S. João Bosco nasceu no lugar da Regada e é hoje um espaço muito aprazível que veio certamente valorizar aquele lugar da Freguesia de Chave.

Propriedade do senhor Graciano Fernandes é neste quinta que se tem vindo a realizar desde 1994, no mês de julho, a festa ao seu patrono e inspirador S. João Bosco, bem como a S. Domingos Sávio que foi aluno de D. Bosco, grande educador da Juventude e que faleceu em Turim a 31 de Janeiro de 1888. 

Capela de S.João Bosco

Depois que foi criada, esta quinta tem vindo a ser enriquecida e melhorada com novos equipamentos, destacando-se a construção de uma capela dedicada a S. João Bosco e que foi inaugurada em 2004, sendo então benzida por D. António Taipa, bispo auxiliar do Porto.

Foi nesta capela e nesta quinta que, no passado fim-de-semana, se realizou, mais uma vez, a festa em honra de S. João Bosco e de S. Domingos Sávio.

Com um programa bastante variado, é de destacar na 6ºfeira, dia 8 de julho, após a celebração da missa pelo pároco, Pe. Manuel Henriques, a participação de dois grupos juvenis, o grupo ADS (Amigos de Domingos Sávio) do Centro Juvenil Salesiano de Arouca e o grupo de jovens de Chave. Entre cantos, danças e muita animação humorística, quiseram estes grupos abrir assim a animação cultural da festa em honra do Apóstolo da Juventude, S. João Bosco.  

 

Grupo dos ADS do Centro Juvenil Salesiano de Arouca

No sábado e no domingo o programa, além da sua componente religiosa, com missa, terço e procissão, teve um cariz mais popular, onde não faltou a sardinhada, o folclore, o leilão e a animação musical de vários grupos desde “Os amigos da paródia”, a fanfarra do grupo cultural e recreativo de Cavião, até ao rancho folclórico de S.Pedro de Canedo, terminando em beleza com o grupo “Com tradições”.

 

Grupo de jovens de Chave

E com este variado programa a quinta de S. João Bosco foi, uma vez mais, espaço de alegria e de convívio para os habitantes da Regada e da freguesia de Chave, bem como motivo de manifestação de fé e devoção para com um grande santo da Igreja católica, S. João Bosco, santo bem conhecido em Arouca graças à presença dos Salesianos no Mosteiro, durante 22 anos.

José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº167 de 15 de julho de 2011

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Pintora arouquense, Norvinda Assunção apresenta a sua maior exposição individual na Sala D.Domingos de Pinho Brandão, antigo refeitório do Mosteiro de Arouca, até dia 24 de julho. Não deixe de visitar esta exposição-retrospetiva da sua vasta obra plástica.
 

Norvinda Assunção conversando com a vereadora Margarida Belém

Autodidata na técnica de pintar, Norvinda Assunção que nasceu no lugar da Paradinha da freguesia de Alvarenga, pinta desde há largos anos e realizou já dezenas de exposições, quer individuais, quer coletivas, não só em Portugal, mas também no Brasil, onde expôs, pela primeira vez em 1980.

Tendo nascido no lugar da Paradinha, banhado pelos rios Paiva e Paivó, Norvinda Assunção, a neta do “cereeiro da Paradinha”, terá bebido,  nesse ambiente bucólico, a poesia das coisas simples e belas da natureza que haveria de ir depositando nela a semente  de artista que, aos 40 anos, começaria a desabrochar de tela após  tela, dando largas à sua imaginação, dando voos à sua fantasia, dando expressão à sua apurada sensibilidade. 

 
 
 

 

Convidados admirando as obras expostas

Ligação à Paradinha

Conhecida dos mais antigos como a “neta do cereeiro da Paradinha” Norvinda Assunção deve também a este homem, o  sr. Manuel da Costa e Silva, a sua maneira de ver o mundo e encarar a vida. Homem simples e alegre que depressa granjeava amizade e simpatia junto de todos aqueles que com ele conviviam, exerceu no lugar da Paradinha, durante mais de 50 anos,  a profissão de cereeiro, tornando-o, então, no principal fornecedor de velas para quase toda a diocese de Lamego, bem como para todas as paróquias do concelho de Arouca.

Será talvez por esta grande ligação à terra onde nasceu que Norvinda da Assunção e seu marido sejam os únicos moradores do lugar da Paradinha que não alienaram a habitação onde durante tantos anos viveram.

Sendo uma das aldeias típicas de Arouca e que já esteve condenada ao abandono, o lugar da Paradinha tem vindo a ser progressivamente restaurado por pessoas, a maior parte delas, fora de Arouca, que adquiriram as habitações em grande estado de degradação e as restauraram para habitação de férias, preservando, a maior parte delas, as caraterísticas originais desse emblemático lugar.

Refira-se que foram estes moradores que, por ocasião da criação da praia fluvial da Paradinha, ofereceram à Câmara Municipal de Arouca o terreno, não só para a instalação das infra-estruturas aí implantadas, como também para a construção do depósito de água que abastece o lugar da Paradinha.

Uma exposição-retrospetiva

Embora contendo apenas uma parte dos seus inúmeros trabalhos, esta é a maior exposição de pintura que Norvinda Assunção realizou até hoje. Tendo sido aberta no dia 10 de julho, com 80 obras expostas, esta será, no dizer da pintora, a sua ultima exposição, no entanto soubemos que Norvinda Assunção terá sido, ainda recentemente, convidada pela Câmara Municipal de Cinfães a expor naquele concelho vizinho.

Dario Tomé fazendo a apresentação da pintora

Quem observar a temática dos seus quadros facilmente se aperceberá da influência da natureza  sobre a sua maneira de olhar o mundo e de exprimir, através da sua arte plástica, e da sua apurada sensibilidade uma maneira criativa de reinventar a  realidade sobre a  tela.

Através destas dezenas de telas expostas na ampla sala do antigo refeitório do Mosteiro de Arouca passam numerosos e variados temas da natureza, a maior parte deles inspirados na realidade arouquense, como sejam o Convento, a capela da Misericórdia, a frecha da Mijarela, a senhora da Mó, o Calvário, o rio Paiva etc.

A abertura da exposição contou com a presença de Margarida Belém, vereadora da Câmara Municipal de Arouca e do vice-juiz da Real Irmandade da Rainha santa Mafalda, José de Brito Quaresma, entidades que apoiaram esta iniciativa artística.

Depois de uma breve apresentação da pintora feita por Dario Tomé, Margarida Belém congratulou-se com esta retrospetiva da obra plástica de uma pintora arouquense que, através da sua criatividade, veio contribuir para enriquecer o património artístico de Arouca.

No final da cerimónia de abertura foi servido a todos os presentes o tradicional “Porto de honra”.

José Cerca

Publicado no “Jornal de Arouca” nº791 de 31 de julho de 2011

 

 

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ELOGIO AO ORGANISTA

por jcerca em 14 de Julho de 2011

A propósito do último concerto no Mosteiro de Arouca,  encontrei este texto na internet e que aqui reproduzo em homenagem ao organista titular do orgão ibérico do Mosteiro de Arouca, Nicolas Roger:

No inesperado do tempo moderno chega uma notícia de música antiga, séculos de memória no desenho do seu som cheio, forte e envolvente.

O trabalho do organista é feito de impulsos, força e tenacidade mas resulta de invisíveis lágrimas, longos pesadelos e muito sangue pisado.

Seja no Mosteiro de Arouca ou na Matriz de Mação, seja na Sé de Évora, ou na Basílica dos Mártires, seja na Catedral de São Paulo em Londres, seja lá onde for que defronte o seu desafio de melodias a nascer, o organista defronta uma memória de sons acumulada em mais de quarenta anos de prática. Entre as teclas, os botões e os pedais, muitas vezes lidando com peças originais com centenas de anos de idade, o organista é um navegador forçado a tomar decisões em pequenas frações de tempo

O organista é o discreto pastor do som, esse rebanho disperso pelo horizonte sem fim do campo e da serra onde nem as pedras nem o cão podem ajudar. Apenas os dedos, ágeis, firmes e certeiros, transmitem às teclas brancas e negras uma gramática de sons que levanta a melodia do rés da terra para o azul do céu.

Tal como na oração (ou no poema) há neste gesto um ligar de novo, uma liturgia secreta que ninguém desvenda mas que todos podem ouvir. E, ouvindo, o tempo fica diferente com inesperadas e novas coordenadas, com felizes e longos encontros.

Esta é uma música antiga e moderna (ao mesmo tempo) que não agride, não distrai, não cansa porque, pelo contrário, a sua melodia afirmativa, solene e determinada, traz aos ouvidos de quem recebe o seu usufruto um intervalo de paz, de alegria e de júbilo.

Texto recolhido aqui:

 http://aspirinab.com/jose-do-carmo-francisco/vinte-linhas-636/

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Arouca cada vez mais se vem tornando destino escolhido para muitos turistas que, atraídos pela suas lindas paisagens, pelo seu rico património e pela sua tentadora gastronomia, decidem escolher este concelho como meta para os seus passeios de convívio ou excursões culturais.

No final deste ano letivo várias foram as escolas da Grande Área Metropolitana do Porto que têm escolhido Arouca como destino, o que reflete, de algum modo, a projeção que o nosso Concelho tem vindo a ganhar desde que foi criado o Geoparque Arouca e, sobretudo, desde o momento em que ele passou a integrar a rede europeia de Geoparks.  

Uma dessas visitas ocorreu no dia 5 de Julho tendo trazido a Arouca 90 professores do Agrupamento de Perafita (Matosinhos).
Mini concerto de orgão no cadeiral do Mosteiro de Arouca

Tendo Arouca, felizmente, muitos motivos de atração, desde o património natural, ao património geológico, histórico e gastronómico, o seu melhor ex-libris continua a ser o Mosteiro de Arouca que alberga dentro de si uma valiosa riqueza artística, recolhida no seu Mosteiro de Arte Sacra à guarda da Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda.  

 
Recebidos na entrada nobre do Mosteiro pelo vice-juiz da Real irmandade, prof. José Quaresma, acompanhado de mais dois membros da mesa, os professores de Parafita foram depois encaminhados para o cadeiral do Mosteiro, onde puderam usufruir de um mini concerto de órgão oferecido pelo organista titular do mesmo, prof. Nicolas Roger.
Dr. Afonso Veiga explicando aos visitantes os espaços conventuais

Terminado esse momento musical que deliciou todos os presentes com a majestosa sonoridade deste órgão ibérico, datado de 1743, os professores dividiram-se em dois grupos para facilitar a visita. Enquanto um grupo visitava o Museu guiado pela cicerone da Real Irmandade, o outro visitou os espaços conventuais, acompanhado pelas explicações do Dr. Afonso Veiga.

Depois deste momento cultural e artístico os visitantes abandonaram o Mosteiro à descoberta de outros valores patrimoniais que Arouca tinha para lhes oferecer, a começar pela gastronomia que os relógios de todos aconselhavam a explorar naquele momento.

José Cerca

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Concerto de órgão no Mosteiro de Arouca

por jcerca em 4 de Julho de 2011

No próximo dia 9 de julho pelas 21.30h terá lugar no cadeiral do Mosteiro de Arouca um concerto de órgão pelo Organista Titular do Mosteiro de Arouca, Professor Nicolas Roger que interpretará peças de diversos autores dos sec.XVI, XVII e XVIII.

Uma excelente ocasião para os amantes da arte musical apreciarem a magnífica sonoridade do órgão ibérico do Mosteiro de Arouca, no qual ainda recentemente foram investidos 380 mil euros no seu último restauro.

PROGRAMA

ORGANISTA TITULAR – CURRICULUM VITAE

Nicolas ROGER, nasceu em Paris em 1952. lniciou os seus estudos de Piano aos cinco anos em Paris com a Professora Odile ROBERT.  Aos dez anos obteve o Primeiro Prémio de piano do Concurso Nérini em Paris. No Conservatório de Paris, estudou Harmonia e Contraponto com os Professores Jacqueline LEQUIEN e Pierre LANTIER.

Iniciou o órgão em 1966 com a Professora Micheline Lagache no (Conservatoire du 14ème Arrondissement de Paris) e foi aluno do Professor Edouard Souberbielle na Escola César Franck em Paris.  

Obteve o 1° Prémio de Estudos Superiores de Órgão (execução e improvisação) no “Conservatoire National de Région d’Angers”, sob a orientação do Professor André ISOIR.

Frequentou cursos de aperfeiçoamento de Música Francêsa em Saint Maximin de Provence, sob a orientação dos Organistas e Professores de Órgão, Michel CHAPUIS e André STRICKER.

Frequentou estágios de construção  e restauro de Órgãos de Tubos com diversos Organeiros em França.

A partir de 1985, foi Júri Nacional (em França) de Exames de Órgão.

Tem-se apresentado em numerosos recitais, tanto na França como no estrangeiro, Alemanha, Holanda, Canada, Espanha, Itália e Portugal. Desenvolve uma actividade de Música de Câmara e Continuo ao Órgão e ao Cravo.

Gravou um CD dedicado as Obras de J.S. BACH e participou como Solista em diversas Emissões de Música Barroca na Radio ”France Musique” e na Televisão “Antenne 2”.

Foi incumbido pelo Ministério da Cultura Francês de elaborar um levantamento sobre “O estado de conservação dos órgãos antigos de Paris” e foi consultor permanente para o restauro dos órgãos antigos de Paris e Região Parisiense.

Em França foi Titular do Órgão de Tubos de Notre-Dame de Sèvres, (responsável pelo projecto e construção de um Órgão novo), do Órgão de Tubos da Igreja Saint Martin – Saint Laurent (onde foi responsavél pelo projecto e construção de um Órgão novo)  e Professor de Órgão nos Conservatórios de Longjumeau, Verrières-le-Buisson e no Conservatoire National de Région de Musique et de Dance de la Vallée de Chevreuse (Orsay) até vir para Portugal.

Também foi convidado pela Escola Superior de Música de Lisboa para leccionar em cursos intensivos de aperfeiçoamento organístico.

Em 2005 foi convidado para um concerto durante o Festival Internacional de Órgão em Weingarten, Alemanha.

Em 2007 participou no Festival Internacional de Órgão de Mafra e também foi incumbido pelo IPPAR e a Real Irmandade Rainha Santa Mafalda de Arouca para a supervisão e o acompanhamento técnico do restauro do Órgão ibérico do Mosteiro de Arouca.

De Fevereiro 1998 até fim de março 2010, foi Professor de Órgão, (execução, improvisação e acompanhamento), Organista Titular dos Órgãos de Tubos do Santuário de Fátima e responsável pelos projectos e construção de 4 órgãos novos, no mesmo Santuário.

Actualmente é Organista Titular do Órgão Ibérico do Mosteiro de Santa Maria de Arouca (Portugal) e professor na escola de órgão do Mosteiro de Arouca.

 

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