NOVOS OLHARES SOBRE O MOSTEIRO DE AROUCA

por jcerca em 27 de Outubro de 2020

A mesa grande do Mosteiro de Arouca

 São já numerosas as publicações que escolheram o Mosteiro de Arouca como objeto de investigação sobre a sua antiquíssima história e sobre as vivências das comunidades que o habitaram até à sua extinção em 1834.

Crescendo e desenvolvendo-se sob “a herança e a aura de Dona Mafalda que converteram este Mosteiro numa referência de prestígio, como casa de acolhimento”, o Mosteiro de Arouca foi, desde sempre, um motor de desenvolvimento, não só de Arouca, como de toda a vasta região até onde a sua influência chegou, nascida, grande parte dela, da figura medieval da neta do primeiro rei de Portugal e cujos restos mortais nele se encontram guardados em rico túmulo relicário de 1793.

Se muitos dos escritos sobre este real Mosteiro se focaram na sua vetusta história e nas vivências religiosas e espirituais das suas monjas, esta nova publicação do Dr. Afonso Veiga dirige o seu olhar para os aspetos mais prosaicos, temporais e materiais dessas mesmas comunidades, como sejam os referentes ao sustento do corpo, deixando de parte o sustento da alma das monjas que habitaram este mosteiro ao longo dos séculos.

 A mesa grande

A mesa grande do Mosteiro de Arouca

 O próprio título desta obra nos remete logo à partida para esta faceta material, temporal e prosaica da vida das monjas. E se “nem só de pão vive o homem” a verdade é que a alimentação do corpo é requisito básico e fundamental para o sustento da alma. É por isso que esta obra nos vai oferecer um olhar diferente mas fundamental sobre a vida das comunidades que, ao longo dos tempos, foram habitando este Mosteiro.

É pois natural e compreensível que ao longo deste trabalho se destaque o predomínio do temporal sobre o predomínio do espiritual, visível logo nas múltiplas referências às atividades materiais que sustentam a vida da comunidade monacal, como sejam a cobrança dos foros, a gestão dos bens, das compras e das vendas, a colheita dos frutos, a contabilidade dos proventos, o abastecimento do celeiro e da tulha, etc. E se tivermos em conta a importância económica e social do Mosteiro através das suas numerosas propriedades que se estendiam para lá do couto de Arouca, pelo norte e centro do país, é fácil compreendermos esta faceta temporal base onde se apoia a outra faceta da vida conventual, a faceta espiritual. Aliás, o “ora et labora” (reza e trabalha) de S.Bento, que foi também seguido pelas comunidades cistercienses, explicam bem o equilíbrio entre estas duas vertentes humanas, a material e a espiritual.

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Além das numerosas referências à faceta temporal na vida monacal, esta obra aborda também os principais espaços relacionados com “a mesa grande”, ou seja com a alimentação das monjas, como sejam a cozinha, o refeitório, a celeiraria, a tulha, a adega, o forno, os moinhos e o lagar de azeite. E a importância destes espaços na vida comunitária vê-se na designação de monjas para o desempenho destes cargos especiais no manuseamento, aprovisionamento e distribuição dos bens alimentares, como sejam as monjas celeireiras, tulheiras, forneiras, pomareiras, etc.

E ao falar da “grande mesa do Mosteiro de Arouca” esta obra não poderia esquecer a doçaria dita conventual com a referência aos diversos ingredientes usados na sua confeção. Nesta obra Afonso Veiga enumera ainda a quantidade de utensílios e de alfaias relacionadas com a “mesa grande” e refere alguns hábitos e costumes alimentares observados dentro da comunidade monástica.

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Por detrás da “grande mesa” existe também um vasto conjunto de servidores externos que para ela trabalham nos mais variados domínios e o autor não se esquece de os enumerar pelo papel importante que desempenham, como sejam o moleiro, o mateiro do forno, o carreiro do moinho, o azemel, o estribeiro, o hortelão, o pomareiro, o carneireiro, e muitos outros que recebem do Mosteiro os respetivos honorários, quer em dinheiro, quer em géneros, pelos serviços prestados à comunidade.

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Mas além dos encargos com os servidores externos, esta obra refere também os encargos com a assistência aos indigentes que batiam às portas do Mosteiro atraídos pela fama da riqueza e da generosidade desta casa, na sequência, aliás, do exemplo deixado pela rainha santa que em tempos idos o habitou.

Com uma excelente apresentação gráfica esta obra veio, pois, enriquecer a já considerável bibliografia sobre o Mosteiro de Arouca, com a abordagem de novos aspetos sobre as comunidades monacais e acentuar, ao mesmo tempo, o papel social que as mesmas desempenharam junto da população que nasceu, cresceu e se desenvolveu à sombra do seu Mosteiro.

 José Cerca

Publicado no jornal “Discurso Directo” nº526 de  30 de outubro de 2020

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O OBRIGADO QUE FALTOU

por jcerca em 15 de Setembro de 2020

Sabemos que aquilo que, durante vários anos, foi oferecendo à Paróquia de S.Bartolomeu de Arouca, para ser utilizado ao serviço do culto nesta comunidade cristã, não o fez para receber palmas, nem para arrancar louvores, ou exigir agradecimentos de ninguém.

Estamos a referir-nos à enfermeira Cremilde Semblano Vieira que, durante quase meio século, dedicou grande parte da sua vida ao serviço da enfermagem em Arouca.

Com 88 anos de idade, e nascida em Nespereira do concelho de Cinfães, a dona Cremilde teve uma vida difícil desde a sua infância, mas mesmo assim, nunca deixou de ajudar o seu próximo mais necessitado do que ela.

Mulher de uma grande fé teve sempre um carinho muito grande por Arouca e nomeadamente pelo seu Mosteiro, onde teve uma tia sua como freira organista e que foi uma das últimas a deixar este Mosteiro, após a sua extinção em 1834.

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Foi talvez por isso que, ao longo da sua vida em Arouca, mostrou sempre uma grande generosidade através da oferta de inúmeras alfaias litúrgicas, não só para a igreja paroquial de S.Bartolomeu, como também para diversas capelas da Vigararia de Arouca.

Sabemos que o fez, não por qualquer sentimento de vaidade ou de ostentação, mas motivada pela sua grande Fé, pela sua profunda vivência religiosa e pela continua preocupação pela vida da Igreja que frequentemente manifestava. Mesmo assim, e atendendo à quantidade e diversidade de ofertas que foi fazendo, ao longo dos anos, principalmente para a igreja paroquial de Arouca, pensamos que seria digno, justo e merecedor um agradecimento do Pároco, da Comissão Fabriqueira, ou do Conselho pastoral, em nome de toda a comunidade paroquial que tão enriquecida ficou através da generosidade da dona Cremilde.

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Mas se ninguém o vier a fazer institucionalmente, aqui deixo, como simples paroquiano, um agradecimento público por tudo aquilo que esta humilde paroquiana generosa e desprendidamente doou para o serviço litúrgico e para o culto religioso nesta comunidade cristã de Arouca.

OBRIGADO, dona Cremilde e que o Senhor a recompense.

Publicado no jornal “Discurso Directo” nº523 de  18 de setembro de 2020

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O REGRESSO ATÍPICO À ESCOLA

por jcerca em 14 de Setembro de 2020

Seis meses depois das escolas terem sido inesperadamente encerradas, devido à pandemia que então começava a alastrar por todo o mundo, o regresso à escola para o inicio de um novo ano teve que ser forçosamente atípico devido à presença do Covid-19, agora ainda mais forte e disseminado do que há seis meses, quando o País entrou em modo de confinamento, alterando, assim,radicalmente, a normalidade da vida social e familiar no País inteiro.

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Uma escola “nova”, mas sem inauguração.

Pronta há já vários meses para ser inaugurada, após profundas obras de requalificação e de modernização, a Escola E.B.23 de Arouca, devido à pandemia, recebeu no dia 14 de setembro, os seus alunos do 5º e do 6º ano, sem qualquer sessão de inauguração das suas instalações profundamente remodeladas e em que um dos seus pavilhões ficou afeto à Academia de Música de Arouca. Entre as principais inovações, além desta, refira-se a criação de um novo espaço para o ensino articulado de dança, bem como a criação de um auditório com a capacidade para cerca de 70 pessoas.

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Refira-se que esta escola foi criada em 1968, como a primeira escola preparatória do Concelho de Arouca, designada inicialmente por Escola Preparatória Dr.Coelho da Rocha e que, durante os primeiros anos, funcionou em instalações provisórias, no lugar da Malhadoura, na Freguesia de Santa Eulália.

A partir do ano letivo de 1983/83 a escola passou a funcionar na vila de Arouca, nas atuais instalações, recentemente requalificadas.

No entanto, no ano lectivo de 1996-97, esta escola deixou de ser frequentada exclusivamente por alunos do 2º ciclo (5º e 6º anos), passando a ser frequentada também por alunos do 3º ciclo. Por esse motivo, foi necessário proceder-se à construção de um novo bloco com mais 12 salas de aulas.

A segunda escola Básica e secundária no concelho de Arouca viria a ser inaugurada a 12 de outubro de 2010 na freguesia de Escariz.

O regresso 10 anos depois.

Foi com alguma emoção, revestida de uma certa tristeza, que 10 anos depois de ter cessado o meu trabalho docente nesta escola, desde que foi inaugurada, a ela regressei na abertura deste atípico ano escolar, acompanhando a minha neta à sua nova escola.

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E se a emoção é compreensível relativamente a um espaço que, durante tantos anos, foi o local da nossa atividade profissional, o sentimento de tristeza que acompanhou este regresso deve-se, obviamente, às restrições que foram decretadas pela DGS, impedindo assim a entrada de pais, familiares e de qualquer público às instalações, em nome da saúde de todos.

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É óbvio que a curiosidade e o desejo de se conhecerem as modernas instalações desta requalificada escola são mais do que naturais e bem compreensíveis sobretudo a quem nela tenha trabalhado. Por isso, na impossibilidade de uma visita presencial, nesta abertura do novo ano escolar aqui deixamos algumas fotos do arquiteto José Eduardo Silvestre, responsável pela elaboração do respetivo projeto e que ilustram bem a modernidade dos principais espaços desta requalificada Escola Básica de Arouca.
Refira-se que este projeto de requalificação foi executado pela firma arouquense Carlos Fernandes Mendes, Lda, o que envolveu um custo de cerca de 2 milhões e 800 mil euros.EB23_01

A harmonia da ligação entre os blocos

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Um moderno auditório

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Um dos espaços interiores com boa iluminação natural

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José Cerca

Publicado no jornal “Discurso Directo” nº523 de  18 de setembro de 2020

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PARQUE DE CAMPISMO NA ESPIUNCA PRECISA-SE!

por jcerca em 19 de Agosto de 2020

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Tinham acabado de sair dos Passadiços no lugar da Espiunca. E enquanto não chegavam os restantes elementos do grupo, que durante uma semana acamparam no parque de campismo do Merujal, decidiram dar uma volta pela praia fluvial da Espiunca.

A praia tinha pouca gente naquele dia, pois a temperatura baixara o que até acabou por favorecer a caminhada dos 8 km pelos passadiços desde o Areinho até à Espiunca.

- Procurámos, procurámos na net e só encontrámos em Arouca o parque de campismo do Merujal – informaram-nos, um pouco decepcionados, o Pedro e a Sofia, aparentando ambos os seus 24, 25 anos de idade.

- O parque é muito bom para podermos explorar as belezas da Freita, mas fica muito longe dos Passadiços! Muito mesmo!

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Estavam lá acampados desde o dia 15 de agosto. Já tinham explorado a Serra da Freita, desde a queda de água da Mizarela, até às pedras parideiras; desde o marco geodésico do S.Pedro, o Velho, até ao miradouro do Detrelo da Malhada, o ponto mais alto da Freita.

- A Freita é fantástica! O parque de campismo é muito bom, mas falta-lhe a água tão procurada pelos campistas no tempo de verão. A que existe na praia fluvial de Albergaria da Serra mal dá para molhar os pés e pouco mais – afirmou o Pedro, sorrindo. O que nos valeu foram os poços ao fundo da Mizarela. Mas para chegar lá!….

Como o tempo estava fresco naquele dia e até com algumas ameaças de chuva, apesar de ser Agosto, decidiram dedicá-lo aos Passadiços do Paiva.

Amantes da natureza, vieram de Lisboa, seduzidos pela publicidade que têm lido por toda a internet sobre Arouca e o seu Geopark, sobre os Passadiços e a sua maior ponte suspensa do mundo, à espera ainda de ser inaugurada lá para outubro.

A situação de pandemia que se vive por todo o mundo foi determinante para fazerem férias do tipo “vá para fora cá dentro”. E assim foi. Prepararam o material de campismo e saíram para fora de Lisboa e para dentro do vasto território de Arouca. E não estão arrependidos pela opção tomada e pelo destino escolhido – garantiu-nos o Pedro e a Sofia.

- O parque de campismo do Merujal é bom, mas falta-lhe a água – repetiu ele. Água como esta aqui, no rio Paiva! Que maravilha! Olhe, venha comigo que lhe quero mostrar uma coisa!

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E lá fomos nós ao longo do rio Paiva, caminhando pela sombra das árvores e acompanhados pelo som da água a cantar por entre pedras e rochedos.

- Olhe isto aqui! Que belo espaço para se instalar um parque de campismo!

O espaço que surgiu na direção do seu dedo indicador já eu o conhecia desde há muitos anos, quando procurava o sossego da Espiunca, aos fins de semana, em companhia dos filhos e de amigos. Era um grande campo de milho e de feijões emoldurado, então, por ramadas de videiras americanas.

O milho deixou de crescer aí, há já alguns anos, e no seu lugar surgiu um frondoso bosque, mesmo ali na margem esquerda do Paiva. Todo esse vasto espaço estava agora delimitado, em todo o seu perímetro, por uma rede vermelha, possivelmente, para impedir a entrada de estranhos, à procura da abundante sombra que ele oferecia.

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- Isto, sim, isto é que dava aqui um excelente parque de campismo, com todas as condições necessárias – afirmou o Pedro, todo entusiasmado, como se a realidade estivesse mesmo ali à mão de semear.

E na verdade, essas condições estavam ali bem à vista de todos nós. A abundante sombra daquele bosque e a tranquila e fresca água do Paiva, formando, mesmo à frente desse imaginário parque de campismo, uma autentica piscina natural para nadar e mergulhar. Além disso, e mesmo ao lado, dois grandes parques de estacionamento, com instalações sanitárias para apoio aos Passadiços. Depois, além de um pequeno bar, mesmo à beira do rio, um restaurante moderno, prestes a abrir, mesmo ao lado dos parques de estacionamento.

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- Ai se este terreno fosse meu!….. Com tantas e tão boas condições não hesitaria um minuto para instalar nele um parque de campismo para apoio dos Passadiços. E olhe que não lhe faltariam utentes, isso lhe garanto eu!

E apontando para a torre da igreja da Espiunca, que dali se avistava, acrescentou com um largo sorriso:

- E olhe que nem a igreja faltaria a este parque de campismo!

Concordámos em absoluto com este jovem casal lisboeta. Esse hipotético parque de campismo seria não só uma necessidade absoluta para os Passadiços e para a sua nova ponte suspensa, bem como um novo e merecido equipamento para esta simpática freguesia da Espiunca. Aqui fica o desafio.

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José Cerca

Publicado no jornal “Discurso Directo” nº522 de  04 de setembro de 2020

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Não poderia ter sido escolhido melhor local para a apresentação deste pequeno livro sobre a padroeira de Arouca do que o magnífico espaço da igreja do Mosteiro de Arouca, onde, num dos seus altares laterais, repousam os restos mortais da neta do 1º rei de Portugal, D.Afonso Henriques. A apresentação teve lugar na tarde do domingo 9 de Agosto, observado-se as recomendações de higiene e de distanciamento exigidas por esta pandemia.

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A apresentação

Coube ao pároco, Pe. Luís Mário, fazer a apresentação dos elementos da mesa desta sessão que era composta pela vereadora da Cultura, Fernanda Oliveira, pelo Juiz da Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda, Carlos Brito e pela autora da publicação, Margarida Rocha.

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Após breves palavras de cada um dos elementos da mesa, coube à autora fazer a apresentação da sua obra que teve a colaboração da ilustradora Tânia Pires, que não pode estar presente.
Falando do porquê desta publicação, Margarida Rocha referiu que o seu objetivo visa contribuir, de uma forma simples e motivadora, para a divulgação da vida da padroeira de Arouca, a beata Mafalda, mais conhecida por Rainha santa Mafalda. E justificou essa divulgação no sentido em que Arouca é aquilo que é, devido à existência de Mafalda Sanches e ao seu importante e reformador papel que desempenhou dentro do Mosteiro de Arouca e na sua vasta área de influência, há cerca de 800 anos. Tratando-se de uma mulher exemplar e excecional, cuja ação perdura ao longo dos séculos, será sempre útil e pertinente a divulgação da sua ação e do seu exemplo de vida que encontra na devoção dos seus fiéis uma justa e digna veneração.

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E esse sentimento de veneração encontra-se bem plasmado na letra e na música do Hino à Rainha Santa que foi interpretado pelo coro da Paróquia de Arouca no encerramento desta sessão e que todos os anos é cantado no final da festa à padroeira de Arouca que se celebra a 2 de maio.

A publicação

Tratando-se de uma edição da autora, esta publicação é composta por 57 quadras distribuídas ao longo de 19 páginas intercaladas com 19 ilustrações de Tânia Pires. As quadras obedecem ao esquema rimático ABAB, ou seja em rima alternada, também designada por rima cruzada, o que confere à narrativa um certo ritmo e uma ambiência popular.

capa

No final da narrativa poética encontra-se um pequeno resumo biográfico de Mafalda Sanches, que permite dar uma breve contextualização histórica à filha de D. Sancho I que, tal como as suas duas irmãs Sancha e Teresa, foram declaradas “beatas” pela Igreja Católica, mas “santas” pela voz, pela fé e pela devoção do povo.

Refira-se também que na contracapa desta publicação constam ainda dois pequenos comentários do Bispo de Lamego, D.António Couto e de D.Manuel Linda, Bispo do Porto, atendendo a que as vastas áreas geográficas abrangidas por estas duas dioceses foram, outrora, não só área de influência do Mosteiro de Arouca, como também detentoras de várias propriedades doadas por D.Sancho I a sua filha Mafalda.

autografos

De entre as várias publicações sobre a vida desta personagem tão ligada a Arouca esta é, seguramente, a primeira em verso o que permitirá, de uma forma simples e concisa, contribuir para a divulgação de uma figura ainda tão presente na devoção e na afetividade dos arouquenses.

José Cerca
Fotos de José Roldão

Publicado no jornal “Discurso Directo” nº522 de  04 de setembro de 2020

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