Ano Sacerdotal e envio das catequistas

por jcerca em 17 de Setembro de 2009

Foi há quatro anos, fá-los hoje precisamente (18 de Setembro), que deu entrada na Paróquia de Arouca, o Pe. João Pedro Bizarro, tomando, desde então, sob a sua responsabilidade pastoral, mais uma comunidade paroquial que se veio juntar à de Rossas e à de Santa Eulália.

entrada do novo párocoNão terá sido por acaso, mas se o foi, foi um acaso feliz e cheio de significado, que o início do ano sacerdotal na Paróquia de Arouca tenha coincidido com o 4º aniversário da tomada de posse do seu Pároco e ao mesmo tempo com a cerimónia do Envio das Catequistas, que contará com a presença do Bispo do Porto, D.João Lavrador, durante todo o dia de amanhã.

 O papel das catequistas

Numa Paróquia os Catequistas são, entre outros colaboradores do Pároco, aquelas pessoas que desempenham um papel, difícil, por vezes, mas extraordinariamente importante para o crescimento na fé e para a formação religiosa dos membros mais novos de uma comunidade paroquial.

CatequeseÉ evidente que a responsabilidade na educação dos filhos cabe, em primeiro lugar, aos pais, mesmo e sobretudo no que se refere à educação religiosa e à vivência cristã.

Mas é óbvio que os professores e os catequistas são elementos complementares mas fundamentais e indispensáveis até, na formação integral das crianças, adolescentes e jovens.

Daí que, pelo seu carácter de voluntariado e de compromisso cristão que a catequese representa, o papel dos catequistas deva ser reconhecido, valorizado, apoiado e encorajado por toda a comunidade paroquial e sobretudo pelos pais que beneficiam tanto deste trabalho generoso e nem sempre fácil, nos tempos que correm.

E também neste sector, a formação permanente dos diversos agentes catequéticos é de extrema importância, pois muito embora a Boa Nova seja a mesma, há que saber adaptar a metodologia  da sua transmissão aos novos destinatários em constante mudança.

Rezar e conviver

logoASacerdotalDe entre algumas actividades que se irão realizar ao longo do ano sacerdotal, proclamado por Bento XVI no dia 19 de Junho, o Conselho Pastoral Paroquial escolheu as primeiras 3ª feiras de cada mês para espaço de oração pelas vocações e pelos sacerdotes.

Sugeriu ainda o CPP que os paroquianos que o desejarem, façam, no decorrer do Ano sacerdotal, pequenos gestos de partilha de algum do seu tempo com o pároco, quer seja, almoçando, jantando ou tomando simplesmente um café, ou um chá juntos, ou até realizando caminhadas ou quaisquer outras iniciativas ao critério de cada um e que se coadunem com a sua agenda.

Claro que esta sugestão poderá, igualmente, aplicar-se aos restantes sacerdotes que colaboram na comunidade paroquial.

A proclamação do Ano sacerdotal por Bento XVI teve entre outros, o objectivo de «ajudar a perceber cada vez mais a importância do papel e da missão do sacerdote na Igreja e na sociedade contemporânea” sensibilizando as comunidades cristãs para os grandes ideais da vida sacerdotal, numa sociedade cada vez mais secularizada e afastada dos verdadeiros valores cristãos.

José Cerca

 

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NOVO ANO LECTIVO

por jcerca em 14 de Setembro de 2009

Recepção aos novos alunos da E.B.2,3 de Arouca

Um pouco por todo o País o novo ano lectivo vai começando a arrancar, encerrando um capítulo na vida de muitas crianças e abrindo-lhes um outro que lhes determinará, em muitos casos, o seu futuro.

Director e Presidente CMA_dando boas vindasFoi o que aconteceu com os novos alunos da Escola E.B.2,3 de Arouca que, no passado dia 11 de Setembro foram recebidos pelos seus professores na nova escola que passarão a frequentar.

Antes de conhecerem as diversas instalações do novo edifício escolar e de se familiarizarem com alguns procedimentos que lhes passarão a ser habituais, como foi o caso do novo cartão electrónico, todos os aluno, concentrados na mata escolar e à sombra do seu arvoredo, receberam as boas vindas dadas pelo Director do Agrupamento, Prof António Dias Costa, seguindo-se depois umas breves palavras dirigidas pelo Presidente da Câmara Municipal de Arouca, Eng. Artur Neves.

Delegado de Saúde falando sobre a gripeSeguidamente foi a vez do Delegado de Saúde, Dr. Leão falar aos alunos sobre a gripe esclarecendo-os sobre os principais cuidados a terem para evitar a sua propagação.

E como a gripe é tema nacional obrigatório em todas as escolas do País, também os professores dessa escola tiveram uma pequena palestra sobre o assunto dada pelo enfermeiro Serafim do Centro de Saúde de Arouca.

E assim sob o signo da gripe, das eleições e da Feira das Colheitas se iniciou mais um ano escolar na EB.2,3 de Arouca, onde as actividades lectivas para todas os alunos se iniciaram  no dia 14 de Setembro.

Enf.Serafim falando aos professores sobre a gripe

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O Plano Tecnológico da Educação e o novo ano escolar

por jcerca em 13 de Setembro de 2009

No início do novo ano lectivo, serão milhares os alunos que irão encontrar as suas escolas mais apetrechadas, com computadores, videoprojectores, quadros interactivos e novas redes informáticas com acesso mais rápido à internet, através de fibra óptica.

Independentemente de qualquer opção partidária, é reconhecido pela opinião pública o grande investimento feito pelo Governo no melhoramento das escolas, não só no que se refere à modernização do Parque Escolar nalgumas centenas de estabelecimentos de Ensino, entre os quais está contemplada a Escola Secundária de Arouca, mas sobretudo na implementação do Plano Tecnológico da Educação que representa um investimento de cerca de 400 milhões de euros. Com tão grande investimento Portugal pretende situar-se entre os cinco países europeus mais avançados na modernização tecnológica dos estabelecimentos de ensino.

E se o passado ano lectivo, mercê do polémico e muito contestado processo de avaliação dos professores, foi algo agitado, as melhorias tecnológicas que se foram implementado nas escolas, contribuíram, de certo modo, não digo para pacificar, mas talvez para equilibrar um pouco a balança do descontentamento e de um certo desânimo, vivido em muitas das escolas portuguesas.

O PTE em números

Com o PTE que ainda está em curso, todas as escolas, no novo ano lectivo, ficarão ligadas à Internet, através de fibra óptica, pelo menos a uma velocidade de 64 megabites por segundo e o rácio de alunos por computador passará para 5,6.

Foram milhares de computadores, fixos e portáteis, distribuídos pelas escolas do 5º ao 12º ano, já não falando nos célebres Magalhães aos alunos do 1º ciclo e dos milhares de portáteis entregues ao abrigo dos programas e-escolas e e-professores.

Segundo dados do Ministérios, já foram entregues nas escolas do 5º ao 12º ano, 228 361 computadores fixos, 783 588 computadores pessoais e 87 mil portáteis para professores. Segundo a mesma fonte, há 28 697 salas de aulas do 5.º ao 12.º ano com videoprojectores e foram já instalados 7613 quadros interactivos, faltando ainda instalar mais 1.387.

Escola_nova_entradaRelativamente à escola E.B.2,3 de Arouca já está instalada a nova rede informática abrangendo toda a escola, encontrando-se neste momento na fase de testes finais.

Além da instalação de 8 pontos de distribuição de internet sem fios, a escola foi equipada com 111 computadores fixos, 18 projectores de vídeo e 5 quadros interactivos. Todo este equipamento encontra-se já instalado e pronto a ser utilizado no início do novo ano escolar. Relativamente ao PTE falta apenas a instalação do sistema de videovigilância e a entrada em funcionamento dos novos cartões magnéticos para todos os alunos.

 Do equipamento à sua utilização

É evidente que, com todo este apetrechamento tecnológico, as escolas vão ficando mais equipadas e preparadas para os desafios do ensino no século XXI, devendo tão grande investimento contribuir para melhorar as condições de trabalho, de estudo e de aprendizagem nas nossas escolas. A questão fundamental é saber qual o grau de utilização pedagógica que todo este vasto equipamento irá ter, quer por professores, quer por alunos.
Perante esta nova situação, Roberto Carneiro, , afirmou recentemente que “Os professores devem abrir-se às novas tecnologias e introduzi-las nas suas práticas pedagógicas, para evitar um hiato entre a escola e os alunos”.

E este ex-ministro da Educação justifica este seu apelo  afirmando que “as novas gerações são nativas da tecnologia, nascem já aptas, não são emigrantes como os mais velhos e não têm grande dificuldade no acesso e uso das ferramentas tecnológicas”.

Numa altura em que as novas tecnologias vieram modificar o modo de comunicar e de estar no mundo, devido ao desaparecimento da distância e do espaço, é absolutamente necessário e urgente que as velhas metodologias didácticas se adaptem a esta nova situação tecnológica, sem esquecermos o papel importante e fundamental do professor que nunca poderá ser substituído pela tecnologia.

A formação de professores

É óbvio que para a utilização de determinados equipamentos mais avançados, como é o caso dos Quadros Interactivos, se torna absolutamente necessário dar formação a quem os pretenda utilizar.

PTE_escolaÉ aqui que surge, por parte de alguns observadores críticos o receio de que uma boa parte desse equipamento, acabe por apodrecer em muitas escolas por falta de uso. Alguém mais céptico terá afirmado mesmo que os Quadros Interactivos “São uma tecnologia que vai morrer depressa por falta de uso.” E se isso se vier a verificar será extremamente grave, não só sob o ponto de vista económico, pelo desperdício que tal significaria, como também, e sobretudo, sob o ponto de vista  pedagógico, pela incoerência que tal atitude significaria e pelo não aproveitamento das potencialidades pedagógicas, motivantes e interactivas que estes equipamentos comportam.

É verdade que a tecnologia, só por si, pouco vale, se o seu motor – OS PROFESSORES- a não colocarem ao serviço dos alunos e do seu sucesso escolar.

No entanto, é sabido que também na classe docente há ainda uma relativa percentagem de professores avessos à utilização destas novas tecnologias e, como tal, nunca estarão motivados para receberem formação nesse sentido, a não ser que tal utilização pese na sua avaliação.

E poderá ser esse um dos principais factores que possa vir a  contribuir para vencer a preguiça intelectual e a alergia à inovação desse tipo de professores.

José Cerca

 Publicado no Semanário “Discurso Directo” nº71  de 11 de Setembro de 2009

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O Discurso de Obama no início do ano escolar

por jcerca em 10 de Setembro de 2009

Uma lição realista e pedagogicamente bem alicerçada

O discurso que o Presidente da América, Barack Obama proferiu aos alunos americanos no início de um novo ano escolar é de tal modo importante pela sua mensagem forte e actual que bem se pode aplicar também, na maior parte dos casos, aos estudantes portugueses e exemplo a seguir para os nossos políticos.

É um discurso realista porque parte do exemplo de pessoas concretas e actuais, ele e sua mulher incluídos, as quais  tiveram de vencer muitas dificuldades até chegarem onde chegaram.

A referência a pessoas conhecidas que Obama usou no seu discurso tem, sem dúvida, um maior impacto motivador, do que meras frases bonitas, ou belos conselhos, mesmo que vindos do Presidente dos Estados Unidos.

Essas pessoas, disse Obama, “não são diferentes de vocês. Enfrentaram dificuldades como as vossas. Mas não desistiram. Decidiram assumir a responsabilidade pelos seus estudos e esforçaram-se por alcançar objectivos. E eu espero que vocês façam o mesmo.”

Obama

O discurso de Obama é um discurso pedagogicamente bem alicerçado porque divide a responsabilidade não apenas pelos alunos, mas também pelos pais, pelos professores  e pelo próprio Governo.

Mas nesta responsabilidade partilhada é óbvio que a última palavra estará sempre na mão dos alunos:

“No entanto, a verdade é que nem os professores e os pais mais dedicados, nem as melhores escolas do mundo são capazes do que quer que seja se vocês não assumirem as vossas responsabilidades. Se vocês não forem às aulas, não prestarem atenção a esses professores, aos vossos avós e aos outros adultos e não trabalharem duramente, como terão de fazer se quiserem ser bem sucedidos”

E Obama, baseado mesmo na experiência da sua própria vida, acentua que a base desse sucesso está no estudo, seja qual for o destino que cada qual pretenda dar às suas vidas:

“No entanto, escolham o que escolherem fazer com a vossa vida, garanto-vos que não será possível a não ser que estudem.”

E alerta contra o abandono escolar:

“Não podem deixar a escola e esperar arranjar um bom emprego. Têm de trabalhar, estudar, aprender para isso.”

Com a  autoridade que o seu próprio exemplo de vida lhe confere, Obama, alia o esforço e o sucesso dos alunos ao progresso do próprio País.

“O que vocês fizerem com os vossos estudos vai decidir nada mais nada menos que o futuro do nosso país.”

E de novo o apelo à corresponsabilidade social das novas gerações  e o alerta ao abandono escolar:

“Precisamos que todos vocês desenvolvam os vossos talentos, competências e intelectos para ajudarem a resolver os nossos problemas mais difíceis. Se não o fizerem – se abandonarem a escola-, não é só a vocês mesmos que estão a abandonar, é ao vosso país.”

Exemplos de vida

obama2Obama, reportando-se uma vez mais à sua experiência de vida e à de sua mulher, reconhece as dificuldades por que passam muitos alunos hoje em dia, o  que lhes dificulta a tarefa de se concentrarem nos estudos, pelo que nem sempre  é fácil ter bons resultados na escola.

Mas apesar de todas as dificuldades familiares, apesar das circunstâncias da vida de cada um ou do sítio onde nasceram, tudo isso – alerta o Presidente- “não são desculpa para não fazerem os vossos trabalhos nem para se portarem mal. Não são desculpa para responderem mal aos vossos professores, para faltarem às aulas ou para desistirem de estudar. Não são desculpa para não estudarem.”

E mais uma vez reforça as suas afirmações em casos de pessoas  bem sucedidas mas que sofreram grandes fracassos na vida:

“Estas pessoas alcançaram os seus objectivos porque perceberam que não podemos deixar que os nossos fracassos nos definam – temos de permitir que eles nos ensinem as suas lições. Temos de deixar que nos mostrem o que devemos fazer de maneira diferente quando voltamos a tentar.”

 O trabalho do aluno é estudar

Todo o discurso de Obama se centra  no valor do esforço, da luta, do trabalho, a ponto de afirmar: ”Ninguém nasce bom em nada. Tornamo-nos bons graças ao nosso trabalho. Não entramos para a primeira equipa da universidade a primeira vez que praticamos um desporto. Não acertamos em todas as notas a primeira vez que cantamos uma canção. Temos de praticar. O mesmo acontece com o trabalho da escola. É possível que tenham de fazer um problema de Matemática várias vezes até acertarem, ou de ler muitas vezes um texto até o perceberem, ou de fazer um esquema várias vezes antes de poderem entregá-lo.”

E termina o seu discurso com apelos muito concretos aos alunos nesta sua primeira lição do novo ano escolar:

“Não tenham medo de fazer perguntas. Não tenham medo de pedir ajuda quando precisarem. Eu todos os dias o faço. Pedir ajuda não é um sinal de fraqueza, é um sinal de força. Mostra que temos coragem de admitir que não sabemos e que queremos  aprender coisas novas.”

obama1

Só uma pessoa carismática como Barack Obama poderia dar assim uma lição de vida às novas gerações, na qual o reconhecimento das dificuldades presentes são motivo para uma extraordinária dose de encorajamento que ajude a vencer o pessimismo da sociedade em que vivemos:

“E mesmo quando estiverem em dificuldades, mesmo quando se sentirem desencorajados e vos parecer que as outras pessoas vos abandonaram – nunca desistam de vocês mesmos. Quando desistirem de vocês mesmos é do vosso país que estão a desistir”.

Obrigado, professor Obama por esta magistral lição de  novo ano escolar.

José Cerca

Publicado no Semanário “Discurso Directo” nº72  de 18 de Setembro de 2009

Poderá ler o discurso integral de Barack Obama aqui:

 http://www.ionline.pt/conteudo/22105-leia-e-guarde-esta-licao

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PERCURSO PEDONAL EM ROSSAS

por jcerca em 8 de Setembro de 2009

Um calcorrear pelo passado histórico
da antiga Comenda da Ordem de Malta

 cruz de malta1 Organizado pelo Grupo Cultural e Recreativo de Rossas (GCRR) teve lugar na manhã do Domingo, dia 6 de Setembro, uma caminhada pela Freguesia de Rossas, percorrendo alguns dos principais sítios com raízes históricas nesta antiga Comenda da Ordem de Malta. Paralelamente decorreu uma prova de BTT por trilhos rurais dentro da mesma Freguesia.

Orientada pelo dr. António Jorge Brandão de Pinho, esta caminhada foi um autêntico calcorrear pelo passado histórico desta Freguesia e que foi agradável e culturalmente enriquecido por um vasto conjunto de interessantes dados históricos por ele recolhidos, através de um trabalho de investigação histórica que, oportunamente será publicado em livro.

os caminhantes

Lazer, ar livre e cultura

Nessa manhã, a actividade física concretizada na caminhada ao longo de parte do percurso do rio Urtigosa, passando por meio de milheirais, subindo encostas, observando paisagens, parando em moinhos, lagares de azeite, fontanários ou casas senhoriais de antigamente, foi acompanhada e enriquecida com interessantes dados históricos referentes aos locais por onde os caminhantes iam passando.

Foi assim que os cerca de 4 dezenas de caminhantes puderam conhecer alguma da história da Casa de Terçoso e a curiosa lenda, a ela ligada, sobre o escravo Virgolino, trazido de Moçambique e que terá morrido dentro de um tonel de vinho dando assim origem ao dito popular “Quem me comeu a carne, também me há-de chupar os ossos”.

o cicerone

Um momento verdadeiramente cultural e que terá, certamente, surpreendido muitos dos caminhantes, foi a entrada no pequeno Museu de Arte Sacra, situado no rés do chão da Residência Paroquial e que é fruto da recolha iniciada e motivada pela preocupação pela preservação do património local de um dos últimos párocos de Rossas, o Pe. José da Rocha Ramos.

Por entre uma rica colecção de paramentos e de outras diversas alfaias religiosas, Brandão de Pinho chamou a atenção para a presença de um crânio aí exposto, aproveitando para fornecer interessantes dados biográficos sobre o último capitão da Ordem de Malta em Rossas, Feliciano António Ferreira de Vasconcelos, enterrado no adro da igreja paroquial, em 1873, de onde terá sido recuperado o referido crânio, já em finais do século passado.

Casa do Campo de Fora: recepção musical e reforço gastronómico

recepção musical na Casa do Campo de fora

Ao longo do percurso foram referidas diversas casas senhoriais da então Comenda de Rossas e que detiveram, outrora, grande poder económico. E se algumas apresentam boas condições de habitabilidade, devido a um cuidadoso restauro, de outras só restam vestígios ou algumas ruínas, como é o caso da Casa de Terçoso, dos Vasconcelos e Cirne; da Casa da Felgueira, dos Brandão de Vasconcelos, das Casas da Cavada, dos Aranha Brandão e  Ferreira Brandão; ou das Casas do Cimo de Vila, dos Pinho Brandão.

Foi diante das ruínas destas últimas casas, onde nasceu o Pe. Joaquim de Pinho Brandão, que chegou a ser pároco de Chave, que Brandão de Pinho aproveitou para ler um retrato, numa linguagem tipicamente castiça, feito por Aquilino Ribeiro, nas suas Memórias, àquele que fora seu colega de seminário.

Estando umas em ruínas, outras em preocupante estado de abandono, como a Casa da Felgueira, outras habitadas, como a Casa do Corregato, foi na Casa do Campo de Fora que os caminhantes foram agradavelmente recebidos por um fado, interpretado pelo Presidente do GCRR, Mário Teixeira Soares, acompanhado à viola por Rui Miguel Brandão.

Depois de Brandão de Pinho ter referido um breve historial desta casa que teve a particularidade de nela se ter mantido escondido, por algum tempo, o último bispo de Pinhel, D. Leonardo de Sousa Brandão, todos os presentes foram presenteados com um merecido reforço gastronómico oferecido pela organização.

Capela da Senhora do Campo

Um percurso através da freguesia de Rossas nunca ficaria completo se nele não estivesse incluída a capela da Senhora do Campo, considerada a 2ª padroeira de Rossas.

Senhora do CampoDatada de 1792 e atribuída a José Manuel Aires do Trigal, que, segundo se gravou na verga da porta principal terá sido mandada construir por sua devoção e à sua custa, foi diante desta belíssima capela que Brandão de Pinho evocou a história da sua construção e esclareceu que esta reedificação da pequena ermida não está directamente relacionada com o alegado milagre de Nossa Senhora pondo fim às intempéries que alimentavam uma praga de juncos e arrasavam as culturas donde os rossenses retiravam a sua subsistência. Entre outros dados, Brandão de Pinho reportou-se às Memórias Paroquiais de 1758, onde já se refere a existência da «Capela de Nossa Senhora do Campo, Santa Ana, Santo António e Espírito Santo», que esclareceu tratar-se da primitiva ermida, que se localizava um pouco mais abaixo da actual.

Entre muitos outros aspectos, Brandão de Pinho deu a conhecer o facto de terem sido enterradas, pelo menos, 25 pessoas no interior desta Capela, nos anos mais conturbados que se seguiram à proibição dos enterramentos no interior da igrejas e respectivos adros, concluindo assim a abordagem que vinha fazendo a esta temática desde a passagem pela igreja paroquial.

Casa do Outeiro

Ligada a dois nomes bem conhecidos dos arouquenses, D. Domingos de Pinho Brandão, bispo do Porto e o Dr. Egas Moniz, prémio Nobel da Medicina, foi na Casa do Outeiro que este cultural percurso pelas raízes históricas da antiga Comenda de Rossas terminou.

Grupo na casa do outeiro1

Diante da casa que apresenta ainda o aspecto original e à sombra de uma frondosa ramada de videiras americanas, Brandão de Pinho, evocou o passado deste edifício estabelecendo as ligações com as referidas personalidades.

Efectivamente, tendo pertencido a um tio de Egas Moniz, natural de Estarreja, esta casa foi vendida em 1907 ao pai de D. Domingos de Pinho Brandão que aí nasceu em 1920, tendo aí também falecido em 1988.

Acompanhado agora de uma das irmãs do bispo de Rossas, D. Luciana de Pinho Brandão acabaria por desvendar mais uma interessante história passada com Bernardo, o criado da Casa do Outeiro, no tempo em que o senhor Augusto de Abreu Freire, tio de Egas Moniz, era proprietário desta casa, e que terminaria com um final feliz.

Um Final feliz para iniciativas bem sucedidas

Foi no Parque de Lazer de Sinja, à beira do rio Urtigosa, que a manhã terminou com um lanche almoçarado, não só para os caminhantes, mas também para cerca de centena e meia de ciclistas que participaram numa prova de BTT organizada, simultaneamente, pelo GCRR, com a colaboração do Clube BTT Arouca.

os ciclistasCom participantes vindos desde Coimbra até Braga, esta iniciativa levou os ciclistas a percorrerem cerca de 30 km, dentro da freguesia, quer através de percursos ribeirinhos, quer por antigos regadios, ou ainda pelo monte e por troços da antiga estrada que ligava ao Porto.

Numa impecável organização, ambas as iniciativas despertaram nos participantes as melhores impressões, não só pela recepção, como pelos locais percorridos, quer de bicicleta, quer a pé e ainda pelo conjunto de informações históricas que sobre cada um deles lhes foram sendo fornecidas.

Se a estas iniciativas se acrescentar a representação de teatro que teve lugar dois dias antes em Arouca, organizada pela mesma Associação, bem se pode dizer que este é um exemplo bem positivo de como o Associativismo cultural em Arouca sabe diversificar as suas actividades, abrangendo públicos diferentes, cujos interesses culturais vão desde o teatro à história, passando pelo desporto, até à música e ao pedestrianismo.

Depois de tão interessantes e curiosos dados sobre o passado de Rossas, só nos resta aguardar que Brandão de Pinho dê à estampa o fruto do seu longo trabalho de pesquisa que será, certamente, um precioso subsídio para desvendar a história desta antiga Comenda da Ordem de Malta.

José Cerca

Publicado no Semanário “Discurso Directo” nº72  de 18 de Setembro de 2009

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