Afinal, nada mudou!…

por jcerca em 5 de Outubro de 2009

Iniciam-se hoje as comemorações do Centenário da implantação da República, em pleno período de campanha eleitoral. As disputas partidárias pelo poder têm-nos mostrado quão efémera, falsa e interesseira é esta luta, que, ao fim e ao cabo, parece até fazer parte do mapa genético  do povo português.

A este propósito pareceu-me oportuno transcrever aqui um texto desse grande homem de letras que foi Guerra Junqueiro.

Guerra Junqueiro

“Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.

Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não discriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro.

Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País.

A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.

Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos,  iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar.”

 Guerra Junqueiro, 1896.

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Isto é Twitter, meus amigos!

por jcerca em 27 de Setembro de 2009

twitterSão um grupo de amigos. Diferentes na proveniência geográfica; diferentes nas simpatias político-partidárias; diferentes nas opções religiosas; diferentes nas visões que têm sobre problemas actuais, quer sejam consensuais, quer sejam fracturantes.

Diferentes ainda na profissão, na cultura e no estilo de intervenção. Diferentes em muitas coisas, mas todos unidos num mesmo desejo de intervenção cívica na sociedade em que vivem, ou no meio em que moram.

Consoante a sua disponibilidade de tempo, lá se encontram eles, todos os dias, à hora possível para cada um, no seu espaço habitual, no seu cantinho preferido, do qual já se torna, por vezes, difícil afastarem-se por muito tempo.

twitter_birdConversam, discutem, mandam piadas, aconselham, corrigem, sugerem leitura de artigos, comentam as mais importantes notícias do dia, partilham imagens, recomendam filmes, lançam campanhas. Enfim, conseguem criar comunidade e fazer amizade mesmo no meio de tanta diversidade cultural, política e religiosa.

Se alguém chega tarde, tem sempre a possibilidade de se pôr ao par das conversas anteriores, porque tudo o que ali se comenta ou discute fica escancarado aos olhos de todos.

Mas atenção, se alguém quiser partilhar um segredo, um pedido, ou uma advertência em privado, é só convidar o destinatário à sala DM e aí a conversa fica só entre eles, sem sequer se correr o perigo de escuta.

Ah! Ainda há outra coisa interessante nesta tertúlia livre de amigos.

Se alguém, por acaso, quiser apoiar, ou dar realce a uma ideia, a uma afirmação, ou a uma sugestão de algum dos presentes, dispõe de um placard de honra – RT – no qual poderá destacar, ou chamar a atenção para a afirmação, para a ideia, ou para a iniciativa com a qual concorde a 100% e por isso a deseje valorizar aos olhos de toda a comunidade presente nesse café virtual.

Isto, meus amigos, chama-se Twitter! A mais recente rede social da internet, no âmbito da miniblogosfera e que está a revolucionar o estilo de comunicação e até mesmo a implementar um novo conceito de jornalismo.

Twitter, ouviram?

 

José Cerca

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GEOPARQUE AROUCA, UM PROJECTO PARA GERAÇÕES

por jcerca em 21 de Setembro de 2009

Medalha de Honra Municipal para o Dr.Artur Sá

Poucos minutos depois do Eng. José Sócrates ter passado por Arouca em campanha eleitoral, onde garantiu publicamente, ao lado do Presidente da Câmara, a construção de um importante conjunto de vias rodoviárias, englobadas na Concessão Vouga e que irão, definitivamente, romper as dificuldades de acessibilidade de Arouca à Grande Área Metropolitana do Porto, Artur Neves , por já estar atrasado, teve que pedir boleia desde a rotunda, para estar presente num outro acontecimento, verdadeiramente importante para Arouca e relacionado com o  Geoparque.

Medalha de Honra do Município

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Diz-se, e com razão, que Arouca “está na moda”. E se o está não é devido às figuras políticas que ultimamente a têm visitado em campanha eleitoral.

Arouca está na moda e ganhou visibilidade internacional e mundial sobretudo a partir do momento em que o Projecto Geoparque entrou, na rede europeia de Geoparks, no passado mês de Abril e, posteriormente, no passado dia 15 de Setembro, quando em Idanha-a-Nova, recebeu das  mãos do Presidente da Comissão Nacional da UNESCO o certificado da sua aceitação como membro da Rede Europeia de Geoparks (EGN).

É este um acontecimento de tal modo importante para o Concelho de Arouca que a Câmara Municipal decidiu atribuir, por unanimidade, a medalha de Honra Municipal ao Dr. Artur Sá, Coordenador Científico do projecto, pelo empenho e desprendimento sempre manifestados ao serviço do projecto Geoparque Arouca e pelo sucesso atingido, grande parte dele, graças ao excelente trabalho científico por ele realizado.

 Geoparque de Arouca. Porque não?

Embora acusticamente perturbado, durante alguns minutos,  pelas caravanas de campanhas políticas que àquela hora subiam a Avenida central de Arouca, o salão nobre da Câmara Municipal encheu-se para prestar homenagem àquele que é a grande alma científica e apaixonada pelo projecto que deu e continua a dar projecção internacional a Arouca, a nível científico e turístico.

Artur Neves, ainda mal refeito do vibrante discurso que acabara de fazer na Praça Brandão de Vasconcelos, ao lado do Eng. José Sócrates e  tendo agora a seu lado o Presidente da Assembleia Municipal, Zeferino Brandão e o homenageado, Dr. Artur Abreu Sá, começou por historiar a génese desta grande realidade que é hoje o Geoparque.

E ao fazê-lo evocou o dia 5 de Dezembro de 2005, quando Artur Sá, numa palestra de âmbito geológico, lançou o repto ao Presidente da Câmara Municipal de Arouca, então pouco tempo depois de ter  iniciado funções à frente do Município: Geoparque de Arouca. Porque não?

A partir daí e através de um longo e intenso trabalho de investigação e inventariação, o projecto foi-se estruturando, envolvendo cientistas de renome e mesmo algumas Universidades, até que, por mérito da qualidade científica do trabalho realizado, o projecto foi aceite na rede europeia de Geoparks, não só pelas particularidades geológicas relevantes que ele encerra, mas também  pela  quantidade de geo-sítios que ele inclui, a ponto de ser amplamente elogiado pela equipa de peritos da rede europeia que recentemente o visitaram.

Um projecto modelo

IMGP3328Englobando ciência, património e educação, o Geoparque Arouca constitui, efectivamente, um projecto sustentado, estruturante e integrador para todo o Concelho de Arouca. Daí que a Câmara Municipal, antes de terminar este seu mandato, tenha tomado a deliberação de prestar esta justa homenagem a quem tanto se tem dedicado de alma e coração a este projecto de referência que tem conseguido virar para Arouca os holofotes da comunicação social.

“O Concelho ganhou horas de divulgação televisiva gratuitas com este projecto” afirmou o Presidente da Câmara antes de entregar a Artur Sá a Medalha de Honra Municipal, tendo aproveitado para informar que, no próximo Dia do Município, será também entregue a Medalha de Mérito Municipal a Manuel Valério, proprietário da louseira onde foram descobertas as maiores trilobites do Mundo.

Um projecto para gerações

Visivelmente emocionado, com a Medalha de Honra ao pescoço, que lhe foi entregue, acompanhada por uma vibrante ovação do público que enchia o Salão Nobre, Artur Sá considerou-se agora “arouquense de pleno direito”, agradecendo a toda uma vasta equipa de pessoas que com ele têm trabalhado, nomeadamente a equipa da Associação Geoparque Arouca.

Recebendo esta condecoração em pleno período eleitoral, Artur Sá admite que será legítimo ao Presidente da Câmara colher os louros pela sua ousadia de ter acreditado e apoiado este projecto, mas considerou que este não é apenas um simples projecto afecto a qualquer força partidária, mas sim um projecto para gerações e ao mais alto nível internacional, uma vez que é patrocinado pela própria Unesco.

Comunidade científica

A acompanhar esta homenagem ao Coordenador Científico do Geoparque Arouca, esteve presente no Salão Nobre da Câmara um vasto conjunto de personalidades, não só do âmbito do relacionamento pessoal do homenageado, mas sobretudo da área científica a que se tem dedicado. Assim estiveram representadas as Universidades de Trás-os-Montes e Alto Douro, onde é docente, a Universidade do Minho, de Aveiro, de Coimbra e a Universidade Complutense de Madrid. Esteve ainda presente a Coordenadora Executiva do Comité Português para o Ano Internacional do Planeta Terra, bem como uma vasto conjunto de entidades locais. Destaque ainda para a presença de especialistas internacionais na área do Património Geológico e da Geoconservação, com ligações às Redes Europeia e Global de Geoparks, provenientes da Eslovénia, Inglaterra, Islândia, Itália e Brasil. Entre estes últimos, realce para a presença de uma comitiva do Geopark Araripe, que incluía as Secretárias de Estado da Ciência e do Ambiente do estado do Ceará.

Só por esta forte representação do mundo académico e científico se pode avaliar a importância que o Geoparque tem, não só para Arouca, como para o mundo científico.

José Cerca

Publicado no Semanário “Discurso Directo” nº73  de 25 de Setembro de 2009

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Rito do envio de Catequistas

por jcerca em 20 de Setembro de 2009

Vigararia de Arouca-Vale de Cambra

Com a presença de cerca de 200 Catequistas, oriundos de 18 paróquias da Vigararia de Arouca-Vale de Cambra, realizou-se no dia 19 de Setembro um encontro de reflexão em Arouca e que terminou com a celebração dominical vespertina, durante a qual se procedeu ao rito do envio dos Catequistas.

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O dia de reflexão foi orientado pelo Bispo Auxiliar do Porto, D.João Lavrador que, a partir do documento “A Catequese para o tempo de hoje” apresentou alguns pontos de reflexão sobre o que é ser catequista hoje, salientando o papel importante do catequista e da sua disponibilidade de pôr as suas capacidades ao serviço da evangelização.

Referiu ainda D.João Lavrador que fazer catequese hoje não é apenas transmitir conhecimentos, mas, sobretudo, fazer experiência de Deus, junto dos catequizandos e chamou a atenção para a importância dessa experiência de Deus ser feita em comunidade, em comunhão com a Igreja e não isoladamente.

Após esta reflexão que teve lugar na igreja conventual seguiu-se um debate, por grupos, em instalações do Mosteiro de Arouca, a partir de um conjunto de questões colocadas a cada um dos grupos, levando-os a reflectir sobre as motivações que cada um encontra para ser catequista, sobre as dificuldades encontradas a nível da família, da paróquia, dos catequizandos e a nível do meio social.

envio_assembleiaOs grupos reflectiram ainda sobre o grau de preparação para cada catequista responder às dificuldades encontradas, sendo-lhes também pedido que sugerissem medidas para manterem actualizada a sua formação catequética.

O resultado desta reflexão feita em cada um dos grupos teve lugar na Igreja do Mosteiro de Arouca, após o almoço partilhado.

Esta iniciativa catequética e vicarial que foi do agrado de todos os presentes terminou com o rito do envio dos catequistas.

No  final da Eucaristia e como gesto de agradecimento a organização ofereceu ao bispo auxiliar do Porto, uma lembrança com doces conventuais de Arouca e produtos agrícolas de Vale de Cambra, tudo isso acompanhado de um expressivo ramo de flores.

José Cerca

Publicado no Semanário “Voz Portucalense” nº33  de 23 de Setembro de 2009

Publicado no Semanário “Discurso Directo” nº73  de 25 de Setembro de 2009envio_cartaz

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OLHARES CONTEMPORÂNEOS

por jcerca em 18 de Setembro de 2009

Movimento Fotográfico de Arouca

Foi legalmente constituída, no passado dia 11 de Setembro, na Conservatória de Vila Nova de Gaia, a escritura de uma nova Associação juvenil em Arouca, virada para o campo da fotografia.

A associação tem como objectivo a promoção da fotografia nas camadas mais jovens, assim como a participação activa na vida cultural da região promovendo o aperfeiçoamento da arte fotográfica, em todos os seus aspectos e modalidades, como veículo de expressão e intervenção social, proporcionando o seu uso instrumental, e valorizando o património natural, costumes e tradições da região, através de um conjunto diversificado de actividades a desenvolver pelos seus associados.

Associação na hora

Associação na hora

Recorrendo à modalidade “Associação na hora”, as duas dezenas de associados, número mínimo para a constituição de uma associação juvenil, deslocaram-se à Conservatória do Registo Comercial de Vila Nova de Gaia, onde tiveram que esperar cerca de 4 horas até que todo o processo ficasse concluído.

Em virtude dessa modalidade os sócios tiveram que optar entre um conjunto de nomes disponíveis, tendo ficado escolhida a designação “Olhares contemporâneos”  para a nova Associação juvenil de Arouca.

Os olhares contemporâneos que assinaram a escritura da Associação

Os olhares contemporâneos que assinaram a escritura da Associação

Feira das Colheitas

IMGP3345Com um conjunto diversificados de actividades, durante a Feira das Colheitas, desde diversas  exposições fotográficas  em montras de várias casas comerciais, bem como diversos  Concursos e Jogos  Fotográficos, em que a trilobite é motivo central, esta nova Associação juvenil dá-se assim a conhecer ao público, tendo mesmo montada uma original barraca frente ao Mosteiro.

E como se trata de uma Associação fotográfica, certamente que a edição desta feira das Colheitas será amplamente registada por estes  novos “Olhares contemporâneos”.

IMGP3341

José Cerca

 Publicado no Semanário “Discurso Directo” nº73  de 25 de Setembro de 2009

Publicado no Quinzenário “Jornal de Arouca” nº749  de 30 de Setembro de 2009

 

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